Relatório final · Eleições EUA 2026

Versão 1.0 · 06/11/2026

AFOS
AFOS Analytics
Global Political Risk Intelligence
Relatório de fechamento · versão 1.0, 06/11/2026

EUA 2026: mercado de previsão, pesquisas e imprensa nas eleições de meio de mandato

O que três instrumentos disseram sobre o controle do Congresso, de 14 de abril à eleição de 3 de novembro, posto ao lado do resultado projetado.

Senado 54 × 44, Câmara 250 × 162cadeiras projetadas, democratas × republicanos (NBC, 06/11): controle democrata nas duas casas; 2 disputas do Senado e 23 da Câmara sem projeção
94,50 e 76,50preço dos democratas na Câmara e no Senado na véspera, certificado em 02/11 às 22:06 UTC
D+7,66média das pesquisas na véspera; D+7,73 no dia da eleição, 37 rodadas de 27 institutos
US$ 77,26 miem 253.081 ordens agressoras de 41.569 carteiras nos três mercados de controle
14 e 15edições da Weekly e do Tradeoff dos EUA publicadas antes do resultado
987matérias de 19 veículos arquivadas em 99 dias, de 30/07 a 05/11

Parte I: a eleição até a apuração. Parte II: os dias depois do resultado, até 06/11/2026. Anexo: o resultado projetado. Versão 1.0: os estados ainda certificam e o voto nacional para a Câmara ainda é contado; a comparação da média das pesquisas com o voto popular sai na versão 1.1, com a contagem oficial.
Dados abertos: huggingface.co/datasets/AFOS-Analytics1/usa-2026-midterms-divergence. Preço de contrato não é intenção de voto nem probabilidade eleitoral: é o valor que participantes autosselecionados pagaram. Carteiras citadas sem endereço nem apelido.

Parte I · a eleição até a apuração

Resumo

De abril a novembro de 2026 o AFOS registrou, lado a lado, os preços do Polymarket sobre o controle da Câmara e do Senado, as pesquisas nacionais de voto para a Câmara (o chamado generic ballot) e a cobertura de uma lista fixa de veículos, num painel público, numa edição semanal para o eleitor e numa leitura técnica semanal. Este relatório junta essas séries e as põe ao lado do resultado. Ele descreve o que cada instrumento mostrou; não ordena os instrumentos.

  1. O mercado do Senado trocou de favorito; o da Câmara, não. O contrato dos democratas no Senado fechou abaixo de 50 em 99 de 199 dias desde 14/04, com o menor fechamento, 41,50, em 29/06, e passou a fechar à frente a partir de 30/08. O da Câmara nunca fechou abaixo de 85,50 desde o início da série, em 29/07.
  2. As pesquisas deram os democratas à frente o tempo todo, numa faixa estreita. A média do AFOS, como publicada a cada dia, ficou entre D+5,00 e D+8,11 de 30/07 a 04/11. Na véspera era D+7,66; no dia da eleição, D+7,73, com as rodadas indo de D+3 a D+12.
  3. Mercado e pesquisas apontaram para o mesmo lado, e o resultado foi esse lado. Na véspera, o contrato pagava 94,50 nos democratas na Câmara e 76,50 no Senado, e a média das pesquisas dava D+7,66. Os democratas ganharam as duas casas. Um resultado não dá nota a um preço: 76,50 deixava cerca de uma chance em quatro para o outro lado.
  4. O mercado de cadeiras do Senado acertou a faixa. No fechamento de 02/11, as faixas somavam 104,30%, dentro do nosso portão de 95 a 105, e punham 57,50% em 47 cadeiras republicanas ou menos. Há 44 projetadas, e no máximo 46 se Alasca e Mississippi forem para os republicanos.
  5. Na noite, o preço do Senado chegou a 0,99 antes de as redes projetarem o controle. Às 18h em Nova York, quando fecharam as primeiras urnas, o contrato dos democratas no Senado estava em 0,76. Às 21h54, quando a Carolina do Sul foi projetada, estava em 0,992. As redes projetaram o controle do Senado às 23h38.
  6. O dinheiro que chegou à apuração de cada lado teve destino oposto. Entre as 180 carteiras de maior peso com resultado conferido, as 42 que chegaram à apuração com exposição a favor dos democratas ganharam todas, somando US$ 2,92 mi; as 39 que chegaram a favor dos republicanos perderam todas, somando −US$ 3,75 mi.
Como ler. Preço de contrato vai de 0 a 100 (ou de 0 a 1 por cota) e paga tudo a quem acertar. Ele não é intenção de voto. A média das pesquisas é uma vantagem em pontos de voto para a Câmara. Os dois medem coisas diferentes e não se subtraem: um é a probabilidade paga pelo controle de uma casa, o outro é uma margem de votos, e em 2012 os democratas tiveram mais votos e menos cadeiras.

1O que foi monitorado, e como

InstrumentoFonteComo entrou na série
Mercado de previsãoPolymarket: controle da Câmara, controle do Senado, eleição no prazo e as distribuições de cadeiras, governos, comparecimento e margemLeitura a cada 30 minutos gravada em banco; preço publicado só depois de duas leituras separadas por 8 minutos concordarem dentro de 0,20 ponto. Distribuição só entra quando as faixas somam de 95% a 105%.
PesquisasGeneric ballot nacional, lido no índice público da Wikipédia e conferido na divulgação de cada instituto552 rodadas publicadas no arquivo de dados. Média simples de uma rodada por instituto por onda, numa janela de 30 dias, com prováveis eleitores acima de eleitores registrados acima de adultos. A janela fecha no dia da eleição.
ImprensaLista fixa de veículos americanos, por feed próprio ou pelo Google News987 matérias arquivadas por dia, de 19 veículos; 14 edições da Weekly, com cada afirmação ligada à matéria.
ResultadoProjeções da NBC News, da AP e de outras redesNa versão 1.0, projeção; a certificação dos estados sai ao longo de novembro e dezembro.

Os EUA não têm registro obrigatório de pesquisa, ao contrário do Brasil, onde o TSE registra cada uma. Por isso a média do AFOS declara sua régua: conta só a pergunta com o rótulo do partido. Rodadas que dão o nome dos candidatos do distrito, ou que perguntam qual partido o eleitor prefere que controle o Congresso, ficam listadas no arquivo de dados e fora da média, por decisão registrada em 02/11.

2O mercado: Câmara e Senado

Figura 1. Fechamento diário dos democratas nos contratos de controle, 14/04 a 02/11
0255075100maijunjulagosetoutnov 14/04 início da série, 54,50 29/06 menor, 41,50 29/07 início da série da Câmara, 85,50 véspera 76,50 véspera 94,50 Democratas controlam a Câmara Democratas controlam o Senado dias em que o Senado democrata fechou abaixo de 50 (99 de 199)
Último ponto gravado de cada dia (UTC). Fonte: Polymarket, série gravada pelo AFOS (backup público do banco). A série do Senado começa em 14/04 e a da Câmara em 29/07, quando a coleta desse contrato foi ligada.

Os dois contratos contaram histórias diferentes. O da Câmara foi o mais estável do ciclo: abriu a série em 85,50, subiu um ponto por vez até 92,50 em 20/09 e terminou a véspera em 94,50. O do Senado foi o que se moveu: começou em 54,50, caiu até 41,50 em 29/06, voltou a 50 em agosto e, de 30/08 em diante, só fechou com os democratas à frente, até 76,50 na véspera, o maior fechamento da série.

Antes de a série do AFOS começar, o estudo de fluxo, que lê o histórico da própria plataforma desde a criação dos mercados em 11/07/2025, registra o contrato dos democratas na Câmara em 0,68 na abertura, com mínimo de 0,565 hora a hora, e o do Senado em 0,29, com mínimo de 0,235.

Os maiores movimentos de um dia no Senado

DiaDemocratas, deparaO que estava público
11/0846,5050,50Primeiro fechamento dos democratas à frente desde maio.
15/0953,5058,50Semana em que a média das pesquisas voltou a subir, de D+5,09 para D+5,98 em três dias.
24/0966,5062,50Correção depois de duas semanas de alta.
04/1064,5067,50Início de outubro, com a média das pesquisas no maior nível do ciclo (D+8,11 em 01/10).
02/1171,5076,50Véspera: o maior fechamento da série.

A coluna da direita diz o que estava público, não a causa do movimento. A ordem no tempo e o tamanho estão medidos; a relação causal não.

O terceiro contrato publicado, o de a eleição acontecer no prazo, ficou entre 95,50 (18/08) e 99,70 (02/11) e se resolveu em sim. Os cinco preços publicados somaram US$ 96,22 mi negociados até a resolução, segundo o volume acumulado da plataforma.

3As pesquisas

Figura 2. Média do AFOS no generic ballot, como publicada a cada dia, 30/07 a 04/11
D+0D+2D+4D+6D+8D+10D+12D+14agosetoutnov 07/09 a 09/09, menor: D+5,00 01/10, maior: D+8,11 véspera D+7,66 linha: média do AFOS como publicada em cada dia · pontos: as 37 rodadas da média do dia da eleição
Cada ponto da linha é a média que o painel publicou naquele dia, com a régua daquele dia: a janela andava com o calendário e a régua da pergunta de controle entrou em 02/11. Pontos azuis: as 37 rodadas que formam a média do dia da eleição, pela data de fim de campo. Fonte: arquivo de dados do AFOS, us-polls-data.json, e histórico no banco.

As pesquisas deram vantagem aos democratas durante todo o período, e a média se moveu pouco: de D+6,82 em 30/07 para D+5,00 no início de setembro e de volta a perto de D+8 em outubro. O movimento de setembro coincide com a alta do contrato do Senado (seção 2).

Figura 3. As 37 rodadas da média do dia da eleição, por vantagem democrata
1216687312D+2D+3D+4D+5D+6D+7D+8D+9D+10D+11D+12D+13 média D+7,73
Uma rodada por instituto por onda, campo de 04/10 a 02/11. Vantagem em pontos inteiros, como publicada. A mais baixa foi a Targoz Market Research (D+3); as mais altas, Big Data Poll e Reuters/Ipsos (D+12).
Véspera (02/11)Dia da eleição (03/11)
Média do AFOSD+7,66D+7,73 (D 51,20 × R 43,47)
Rodadas e institutosregistrada no post da véspera37 rodadas de 27 institutos
Prováveis eleitores / registrados29 rodadas, D+7,45 / 8 rodadas, D+8,75
Faixa das rodadasD+3 a D+12
Voto nacional para a Câmaraem contagem; a comparação sai com a contagem oficial, na versão 1.1

Entre a véspera e o dia da eleição entraram seis rodadas (John Zogby Strategies, Reuters/Ipsos, Focaldata, Big Data Poll, YouGov e Rasmussen Reports) e saiu uma, a da Hart Research com a Public Opinion Strategies, que perguntava qual partido o eleitor prefere que controle o Congresso.

4Mercado e pesquisas lado a lado

Os dois instrumentos medem coisas diferentes, e o AFOS nunca subtrai um do outro. O que se pode comparar é a direção e o momento. Na direção, os dois concordaram durante todo o segundo semestre: pesquisas com os democratas à frente, contratos de controle com os democratas favoritos na Câmara desde o início da série e no Senado desde 30/08.

CorteCâmara DSenado DMédia das pesquisas
Fim de julho (31/07)85,5043,50D+5,57
Fim de agosto (31/08)88,5050,50D+5,66
Fim de setembro (30/09)92,5062,50D+7,98
Fim de outubro (31/10)94,5071,50D+7,85
Véspera (02/11, 22:06 UTC)94,5076,50D+7,66

Preços: fechamento do dia, exceto a véspera, que é a leitura certificada. Média: como publicada no dia. São objetos diferentes; a tabela mostra o caminho de cada um, não uma distância.

No momento, eles se separaram. A média das pesquisas ficou praticamente parada em outubro, perto de D+7,5, enquanto o contrato do Senado subiu de 62,50 para 76,50. Uma mesma vantagem nacional pode valer coisas muito diferentes para cada casa, porque o Senado de 2026 se decidia em poucos estados e a Câmara em centenas de distritos, e o mercado de cadeiras do Senado mostrava isso: na véspera, ele punha 57,50% em 47 cadeiras republicanas ou menos.

5A noite da apuração

Figura 4. Preço dos democratas na Câmara e no Senado no minuto anterior a cada chamada, 03/11, horário de Nova York
0,700,800,901,0018h19h20h21h22h23h0h1234567891011 Câmara D 0,95 Senado D 0,76
Fonte: estudo de fluxo do AFOS, a partir do histórico de preços da Polymarket (um ponto por minuto). Chamadas: 1 Geórgia, Ossoff (19h18); 2 New Hampshire, Pappas (20h); 3 Carolina do Norte, Cooper, primeira cadeira virada (20h23); 4 Carolina do Sul, Andrews (21h54); 5 NBC projeta a Câmara (22h08, aprox.); 6 Texas, Talarico (22h14); 7 Kansas, Hamilton (22h48); 8 Ohio, Sherrod Brown (22h59); 9 Iowa, Turek (23h16); 10 redes projetam o Senado (23h38, aprox.); 11 Maine, Troy Jackson (00h17 de 04/11). Horário da primeira publicação encontrada, não do anúncio no ar.

As primeiras urnas fecharam às 18h em Nova York, com o contrato dos democratas em 0,95 na Câmara e 0,76 no Senado. Às 20h23, quando a Carolina do Norte foi a primeira cadeira do Senado projetada como virada, o Senado estava em 0,975. Quando a NBC projetou a Câmara, por volta das 22h08, os dois já estavam acima de 0,99. Entre 17h30 de 03/11 e 00h30 de 04/11, foram 18.689 ordens agressoras, somando US$ 15,36 mi, de 3.364 carteiras.

A trava de captura do AFOS certificou os democratas na Câmara em 98,20 às 00:35 UTC (19h35 em Nova York). No Senado, o livro andou mais depressa do que duas leituras com oito minutos de intervalo conseguiam confirmar, e a trava só certificou 98,65 às 01:52 UTC (20h52 em Nova York), depois de quatro tentativas. Nenhuma leitura não certificada foi publicada.

6O dinheiro: o estudo de fluxo

O AFOS refez, com os dados públicos da Polymarket, quem negociou os três mercados de controle (Câmara, Senado e o de "equilíbrio de poder", que paga combinações das duas casas) desde a criação, em 11/07/2025, até a resolução. A régua é a mesma dos estudos do Brasil: fluxo não é impacto, e o estudo não identifica pessoas nem atribui intenção, combinação ou conhecimento prévio.

Figura 5. Volume das ordens agressoras por fase, nos três mercados
abertura a 04/11/25US$ 436 milfim de 2025US$ 965 miljan a jun/26US$ 7,84 mijul a set/26US$ 6,33 mioutubro/26US$ 29,79 mivéspera e diaUS$ 13,94 minoite da apuraçãoUS$ 14,71 mimadrugada em dianteUS$ 3,24 mi
Ordens agressoras são as que cruzam o livro. Total: US$ 77,26 mi em 253.081 ordens de 41.569 carteiras (Câmara US$ 35,32 mi, Senado US$ 16,18 mi, equilíbrio de poder US$ 25,76 mi). Esta contagem não é a mesma do volume acumulado que a plataforma exibe. Fonte: estudo de fluxo do AFOS, Data API da Polymarket.

Outubro foi a fase de maior volume, com US$ 29,79 mi. A noite da apuração, das 18h à meia-noite de 03/11, movimentou US$ 14,71 mi em seis horas, quase o mesmo que toda a véspera e o dia da eleição até as 18h, e teve 1.098 carteiras que nunca tinham negociado nesses mercados.

Quem ganhou e quem perdeu

O estudo olhou de perto 183 carteiras, escolhidas por regra fixa (as de maior saldo e volume em cada fase e no período), e conferiu o resultado de 180. Dessas, 88 ganharam, somando US$ 3,65 mi, 90 perderam, somando −US$ 5,09 mi, e 2 terminaram em zero. A posição com que cada uma chegou às 18h de 03/11 explica quase tudo:

Como chegou à apuraçãoCarteirasResultado somadoGanharam
A favor dos democratas42US$ 2,92 mi42 de 42
A favor dos republicanos39−US$ 3,75 mi0 de 39
Dividiu as casas (um partido em cada)4−US$ 437 mil0 de 4
Estreou na véspera ou no dia26−US$ 211 mil14 de 25
Operou sobretudo durante a apuração7US$ 35,0 mil6 de 7

Padrões atribuídos por regra, na ordem do estudo; outras quatro categorias menores somam 65 carteiras. Em duas linhas o número das que ganharam é contado sobre as carteiras com resultado conferido.

O maior ganho, de US$ 807 mil, foi de uma carteira que estreou em 11/09/2026 e fez 15.183 negócios em 38 dias, com 72% do volume em ordens passivas. Ela comprou US$ 13,86 mi, principalmente cotas que pagavam se os republicanos não ficassem com a Câmara ou com as duas casas, a preços de 0,91 a 0,94. Às 18h de 03/11, levaria US$ 798 mil se os democratas ganhassem as duas casas e perderia de US$ 7,26 mi a US$ 8,52 mi se os republicanos ficassem com a Câmara. Arriscou muito para ganhar pouco por cota, e a noite marcou US$ 569 mil desse resultado.

A maior perda, de −US$ 753 mil, foi de uma carteira que estreou em 31/10, três dias antes da eleição, e em quatro dias comprou US$ 753 mil de um único tipo de cota: a que pagava se os democratas não ganhassem as duas casas, a preços entre 0,30 e 0,23. Ela levaria US$ 1,98 mi em qualquer dos outros três cenários. Perdeu tudo o que aplicou.

O estudo descreve o que cada carteira fez; não identifica pessoas e não atribui intenção, coordenação, conhecimento prévio ou crime. Neste relatório as carteiras aparecem sem endereço nem apelido. O estudo passou por uma revisão independente com 290 verificações: 259 passaram, 27 tiveram ressalva e 4 falharam e foram corrigidas antes da versão final.

7A imprensa

Figura 6. Matérias arquivadas por mês, lista fixa de veículos americanos
0200400 20jul (30 e 31)307ago300set310out50nov (1 a 5)
Arquivo diário do AFOS, 30/07 a 05/11, 987 matérias de 19 veículos. Os que mais apareceram: The New York Times (152), Fox News (114), The Hill (112), The Guardian (89) e The Washington Post (86).

A imprensa entrou na série como registro do que foi publicado em cada dia, não como previsão, e o AFOS não classifica veículos por inclinação. Três temas atravessaram o ciclo nas 14 edições da Weekly: o redesenho de distritos da Câmara em vários estados, com decisões de tribunais estaduais e da Suprema Corte; a disputa sobre a certificação do resultado do Senado no Alasca, com uma ação do Departamento de Justiça rejeitada por um juiz federal em 01/11; e, na última semana, o comparecimento antecipado, com mais de 50 milhões de votos antes do dia, segundo o Guardian.

Duas regras ficaram fixas: fato de alto impacto só entra com duas fontes de grupos diferentes, e toda afirmação da Weekly leva o veículo e a data.

8Método e limitações

  • Preço. Publicado só depois de duas leituras concordarem; a série de fechamentos usa o último ponto gravado de cada dia, e a série grava quando o preço se move. Volume acumulado vem da plataforma; o volume do estudo de fluxo conta só ordens agressoras, e os dois não se somam.
  • Pesquisas. Índice público conferido na fonte primária. Pesquisas diferentes não formam série: metodologia, recorte e pergunta variam. A régua da média mudou ao longo do ciclo, sempre com data e motivo, e a figura 2 mostra a média de cada dia com a régua daquele dia.
  • Resultado. Projeções das redes, não a certificação. O voto nacional para a Câmara ainda é contado, sobretudo no oeste.
  • Carteiras. Dados públicos da Polymarket. O universo do estudo são 183 de 41.569 carteiras; não há histórico do livro de ofertas; horários de chamadas tirados de agregadores estão marcados como aproximados.

9O que a divergência mostrou

Concordar não é confirmar, e acertar também não. No Brasil, um mês antes, mercado e pesquisas apontaram para o mesmo lado no 2º turno e a urna deu o outro. Nos EUA, os dois apontaram para o mesmo lado e o resultado foi esse lado. Os dois casos são um resultado cada. O que permite dizer quanto cada instrumento se afastou, e quando, é ter o registro dos três publicado antes do resultado, com data e hora.

Uma margem nacional não diz o tamanho de cada casa. A média das pesquisas ficou quase parada em outubro, e o contrato do Senado subiu 14 pontos no mesmo mês. O mercado de cadeiras mostrava por quê: o controle do Senado dependia de poucas disputas estaduais, e a mesma vantagem nacional valia mais ou menos conforme elas.

O preço é rápido, não é infalível. Na noite, o contrato do Senado foi de 0,76 a 0,99 em menos de quatro horas, antes de as redes projetarem o controle. Na véspera, o mesmo contrato ainda deixava uma chance em quatro para os republicanos. Ele reage depressa ao que chega; não sabe antes.

O lado decidiu o dinheiro. Entre as carteiras de maior peso, todas as que chegaram à apuração a favor dos democratas ganharam e todas as que chegaram a favor dos republicanos perderam. A maior perda veio de uma carteira que entrou três dias antes da eleição; o maior ganho, de uma que arriscou milhões para ganhar centavos por cota.

A mensagem do fechamento. Em 2026, mercado, pesquisas e imprensa estiveram do mesmo lado nos EUA, e o resultado foi esse lado. Isso não prova que um deles sabia mais: prova que o registro, feito antes, permite conferir. A comparação que falta, a da média das pesquisas com o voto nacional, espera a contagem oficial.

10Dados e fontes

Os dados estão no dataset AFOS-Analytics1/usa-2026-midterms-divergence, no Hugging Face: preços dos contratos e das distribuições, pesquisas com fonte primária, arquivo da imprensa e o portão de coerência das distribuições.

  1. Polymarket, Gamma API, Data API v2 e CLOB.
  2. Wikipédia, "2026 United States elections polling", como índice; divulgações de cada instituto como fonte primária.
  3. NBC News, resultados da Câmara e do Senado, atualizados às 13h33 (Nova York) de 06/11/2026.
  4. AFOS Weekly, edições nº 1 a nº 14 (06/08 a 05/11/2026); AFOS Tradeoff EUA, nº 1 a nº 15.
  5. AFOS, estudo de fluxo dos mercados de controle do Congresso (dados até 06/11/2026), uso interno, com revisão independente.

AFOS Analytics · relatório de fechamento das eleições de meio de mandato dos EUA 2026 · 06/11/2026. Este documento é análise descritiva de dados públicos. Não é pesquisa eleitoral, não é recomendação de investimento e não afirma coordenação, manipulação ou ilícito. Correções: contact@afos-analytics.com.

Parte II · os dias depois do resultado · até 06/11/2026

O que aconteceu depois da apuração

Esta parte registra as reações ao resultado nos três dias seguintes à eleição: do presidente, da liderança do Congresso, de governos estrangeiros, da imprensa fora dos EUA, dos mercados e dos especialistas em pesquisa. Cada fala vem com quem disse, onde e quando, como publicada pelo veículo citado. Quase todas chegaram por veículos, não pelo canal original; quando a fala foi traduzida, isso é dito.

11O reconhecimento e a reação de Trump

Na madrugada de 04/11, por telefone à Fox News, o presidente Donald Trump aceitou o resultado: "Yeah, sure, I'll accept. Why wouldn't I?" ("Sim, claro, vou aceitar. Por que não aceitaria?"). Disse estar "a little bit surprised" e atribuiu parte da derrota à guerra com o Irã e ao preço da gasolina (ABC7, blog da ABC News, 04/11). No Truth Social, escreveu que não estava na cédula e que, se estivesse, "we would have won in a landslide" (Euronews, 04/11).

No mesmo dia, segundo a AFP, disse que faria tudo de novo no Irã, considerou "largely true" a leitura do vice-presidente JD Vance de que a guerra custou o Congresso, "because it drove the gasoline up", e afirmou que vai se entender com os democratas (France 24, 04/11). A Casa Branca publicou uma foto dele no Salão Oval com a legenda que a agência italiana ANSA traduziu como "aviso: ele ainda é o seu presidente" (ANSA, 05/11; texto original não visto).

Em 05/11, no Salão Oval, Trump disse "Our elections are so crooked, you have no idea" (France 24/AFP, 06/11; o Il Sole 24 Ore registra "so rigged"). Nas fontes lidas, a frase não está ligada às disputas do Congresso: a France 24 a associa ao resultado da prefeitura de Los Angeles, e o Il Sole diz que ele não especificou a eleição. No mesmo dia, no Truth Social, pediu que os votos dados a outros candidatos no Alasca, entre eles um candidato menor também chamado Dan Sullivan, fossem "immediately given to the REAL Dan Sullivan" (France 24, 06/11). A disputa do Senado no Alasca seguia sem projeção.

12A liderança do Congresso

QuemO que disseOnde e quando
Hakeem Jeffries, líder democrata na Câmara"It wasn't simply a blue wave. It was an American tsunami."Coletiva em Washington, 04/11 (Spectrum News)
Chuck Schumer, líder democrata no Senado"Against all odds, we Democrats have won the Senate"; "Relief is on the way"; prometeu investigações e "legislative razor wire" quando Trump desafiar a lei.Madrugada e coletiva de 04/11 (CBS News)
Mike Johnson, presidente da Câmara"To every American disappointed by tonight's results, I mean, I am disappointed, too."Shreveport, Louisiana, noite de 03/11 (ABC News)
John Thune, líder republicano no Senado"Thankfully, we still have President Trump in the White House, and we'll work with him to stop the worst impulses of Democrat extremism."X, 04/11 (CBS News)
Barack Obama, ex-presidente"Tonight, the American people sent a clear message: they want a politics that brings people together rather than divides them".X, 04/11 (IBTimes UK)

13Governos estrangeiros

A reação de fora dividiu-se em três tons: alívio declarado na Europa ocidental e no Canadá, cautela de quem depende da relação com Washington, e a leitura de que nada muda em Moscou, Pequim e Teerã.

País ou organizaçãoQuem e o que disseFonte
Reino UnidoO primeiro-ministro Andy Burnham: "The world has an opportunity now to unite around the issue that is affecting us all, and that's the cost of living".AP via The Globe and Mail, 04/11; CBS e SBS registram a mesma fala, com local diferente (Antígua ou Londres)
AlemanhaO chanceler Friedrich Merz: "Trump hat auch in den letzten zwei Jahren weitgehend am Kongress vorbei regiert. Warum sollte das jetzt anders sein?" ("Trump governou nos últimos dois anos em grande parte passando ao largo do Congresso. Por que agora seria diferente?")t-online, fórum do SPD, 04/11
FrançaO chanceler Jean-Noël Barrot: "very good news" para a democracia americana (tradução do francês).SBS, 05/11
EspanhaO presidente do governo, Pedro Sánchez: "It happened in Brazil. It just happened in the U.S. And it will happen soon in Spain".X, via AP e Público, 04/11
ItáliaO chanceler Antonio Tajani: "Noi rispettiamo sempre e comunque la volontà del popolo americano."ANSA, 05/11
CanadáO primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford: "I was doing cartwheels down the street"; o líder conservador Pierre Poilievre: o resultado "demonstrates that Americans hate tariffs". Não foi encontrada fala do primeiro-ministro Mark Carney.AP via The Globe and Mail, 04/11
MéxicoA presidenta Claudia Sheinbaum: "hay que esperar"; "Nos da gusto que mexicano-estadunidenses hayan triunfado".Coletiva de 04/11 (Proyecto Puente)
BrasilSem nota do Planalto até 04/11. O ministro José Guimarães (SRI), no X: "Derrota de Trump é uma vitória do mundo democrático."Poder360, 04/11
União EuropeiaA Alta Representante Kaja Kallas: "Let's see what happens now, but elections have results."SBS, 05/11
OTANO secretário-geral Mark Rutte contou ter mandado a Trump um bilhete: "Keep your chin up, and let's move on."Bloomberg, via LIGA.net, 05/11
UcrâniaO presidente Volodymyr Zelensky: "We need to raise the issue of the $16 billion that was previously agreed upon but not provided to Ukraine".Kyiv Independent, 06/11
RússiaO porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov: "President Trump remains in office, and we sincerely hope he will continue his peacemaking efforts as well"; a mudança no Congresso é "an internal U.S. matter" (tradução do russo).Meduza, 05/11
ChinaA porta-voz da chancelaria, Mao Ning: "The midterm elections are an internal affair of the United States"; "China is willing to continue working with the US".RTHK, 04/11
IrãO presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, no X: "Americans said NO TO WAR, and we endorse this message".CBS News e Al Jazeera, 04/11
IsraelO primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não se manifestou até a tarde de 04/11; líderes da oposição o culparam pelo desgaste com os democratas.Times of Israel/Reuters, 04/11
Coreia do SulA Presidência: "We do not believe the outcome of any particular election will affect the South Korea-US alliance".Korea Herald, 05/11
JapãoO secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara: a aliança com os EUA é "the cornerstone of Japan's foreign and security policy".Al Jazeera, 04/11
África do SulO presidente Cyril Ramaphosa: "the people of America have spoken".CBS News, 04/11

Nenhuma declaração sobre o resultado foi encontrada de Emmanuel Macron, Narendra Modi, Anthony Albanese, Xi Jinping nem Vladimir Putin.

14Outras personalidades

Elon Musk, cujo gasto na eleição os veículos estimam entre US$ 442 milhões e quase meio bilhão de dólares, escreveu no X na madrugada de 04/11: "Guess my election-interfering space lasers didn't work this time" (Click2Houston, com a AFP). Tesla e SpaceX caíram mais de 3% naquele dia (CNBC). O papa Leão XIV votou pelo correio, segundo o Vaticano, e falou do dever de votar na audiência de 04/11, sem comentar o resultado.

15A imprensa internacional

VeículoTítuloData
Al Jazeera (Catar)"'Seismic shift': World reacts to US midterm election results"04/11
France 24 / AFP (França)"Trump tries to brush off midterms rout as Democrats celebrate"04/11
Euronews (UE)"Democrats take control of US Congress in rejection of Trump"04/11
ANSA (Itália)"Midterm: uno tsunami blu, l'America boccia Trump"04 e 05/11
RTBF (Bélgica)"vague démocrate au Congrès, revers cinglant pour Donald Trump"04/11
SBS News (Austrália)"'World coming together': Global leaders react to the US midterm election"05/11
RTHK (Hong Kong)"China 'will continue working with US' after midterms"04/11
Times of Israel"After midterms, opposition leaders accuse Netanyahu of harming relationship with US"04/11
Kyiv Independent (Ucrânia)"Ukraine has not received $16 billion in previously agreed US aid, Zelensky says"06/11
Korea Herald (Coreia do Sul)"US midterm outcome won't affect alliance, Cheong Wa Dae says"05/11
Público (Espanha)cobertura ao vivo dos resultados04/11
Poder360 (Brasil)"Governistas reagem à vitória democrata e citam influência de Lula nos EUA"04/11

Os títulos repetiram três palavras: "tsunami", "rejeição" e "revés". O AFOS não classifica os veículos; a tabela registra o que cada um publicou, em páginas abertas e lidas. Parte dos grandes veículos europeus (Guardian, BBC, Financial Times, Le Monde, Der Spiegel, El País) bloqueia a leitura automática, e sua ausência aqui não quer dizer que não cobriram.

16Os mercados

Na quarta, 04/11, as bolsas americanas subiram com força, e o Dow Jones ganhou cerca de 1.500 pontos, enquanto o petróleo caiu mais de 8%; a CNBC ligou a queda do petróleo ao reconhecimento, pelo governo, do peso da guerra com o Irã na derrota. Na quinta, 05/11, houve reversão puxada por empresas de tecnologia e inteligência artificial: o Dow caiu 1.833 pontos e o Nasdaq, 5,5% (CBS News, 06/11).

Os mercados de previsão viraram notícia por si. A CNBC, que declara relação comercial e participação minoritária na Kalshi, publicou em 04/11 que eles "cement their status", com a Polymarket dizendo ter antecipado dez disputas-chave em mediana de 31 minutos antes das redes de TV; a mesma matéria lembrou que esses mercados erraram o 2º turno do Brasil, e ouviu Michelle Kendler-Kretsch, do Anti-Corruption Data Collective: "Risks and vulnerabilities didn't change overnight just because the markets were accurate this time around." A Kalshi diz ter negociado mais de US$ 2,5 bilhões nas midterms, número da própria empresa e não comparável com os deste relatório.

17Os especialistas e a precisão das pesquisas

O debate sobre as pesquisas começou na manhã seguinte. A Fox News o resumiu no título de 04/11: desta vez, os subestimados não foram os republicanos. Na mesma matéria, os dois sócios da Fox News Poll concordaram na direção: o democrata Chris Anderson disse que "Polls probably, on average, undercounted Democrats significantly", e o republicano Daron Shaw, que "If we're talking about the direction of the polls, they were clearly correct" e que "we probably underestimated Democratic vote share by a couple of points" (04/11). A Newsweek mediu, contra a contagem da AP até a tarde de 04/11, distâncias de até 9,5 pontos entre a média final dos agregadores e o resultado em disputas estaduais, como o Senado do Texas e o da Geórgia.

O AFOS não mede acerto de pesquisa por disputa estadual, e não põe a sua média nacional contra uma apuração parcial. A média do dia da eleição foi D+7,73 e a da véspera, D+7,66; a comparação com o voto nacional para a Câmara sai com a contagem oficial, na versão 1.1 deste relatório.

18Nota ao leitor

Esta é a versão 1.0, fechada em 06/11/2026. A certificação dos estados, as disputas do Senado no Alasca e no Mississippi e o voto nacional para a Câmara ainda estavam em aberto. A versão 1.1 trará o resultado oficial, a comparação da média das pesquisas com o voto nacional e qualquer correção, com o valor antigo e o novo.

Anexo

O resultado projetado

Números da NBC News, atualizados às 13h33 (Nova York) de 06/11/2026. São projeções das redes, não a certificação: os estados certificam ao longo de novembro e dezembro, e a versão 1.1 trará o resultado oficial.

Fontes: NBC News, resultados da Câmara e do Senado (nbcnews.com/politics/2026-elections), 06/11/2026, 13h33 ET; horários das projeções: estudo de fluxo do AFOS, com a primeira publicação encontrada de cada chamada; resolução dos contratos: Polymarket.

Quem ganhou

Os democratas conquistaram o controle da Câmara e do Senado. As redes projetaram a Câmara por volta das 22h08 de 03/11 (NBC News) e o Senado por volta das 23h38 (ABC News), horário de Nova York; a AP declarou o Senado por volta das 23h40 e a Câmara entre 01h25 e 01h51 de 04/11. Os contratos do Polymarket se resolveram em 04/11, a Câmara às 13:34 UTC.

Câmara dos Representantes

Cadeiras
Democratas, projetadas250
Republicanos, projetadas162
Sem projeção23
Maioria218
Estimativa da NBC para o total final259 D × 176 R
Cadeiras viradas42 para os democratas, 2 para os republicanos

Senado

Cadeiras
Democratas54
Republicanos44
Sem projeção2
Cadeiras viradas para os democratas7: Carolina do Norte, Carolina do Sul, Iowa, Kansas, Maine, Ohio (especial) e Texas
Sem projeçãoDemocrataRepublicanoApurado
MississippiScott Colom 49,1%Cindy Hyde-Smith 48,8%96,3%
AlascaMary Peltola 48,2%Dan Sullivan 47,9%74,1%

O que o AFOS registrou na véspera, ao lado

Registro de 02/11, 22:06 UTCResultado projetado
Câmara: democratas 94,50controle democrata
Senado: democratas 76,50controle democrata
Cadeiras do Senado: 57,50% em 47 republicanas ou menos (faixas somando 104,30%)44 republicanas projetadas, no máximo 46
Média das pesquisas: D+7,66 (dia da eleição: D+7,73)voto nacional para a Câmara em contagem; comparação na versão 1.1

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