AFOS Tradeoff · Brazil Political Risk Weekly

AFOS Analytics

Pricing político em tempo real · Mercado de previsão × pesquisas × imprensa · sem médias suavizadas

Edição3·Semana de 2-6 junho 2026·Publicada Segunda 07:00 BRT
Sinal da semana

Semana de arco completo no topo: o sinal não está no nível final do gap, está na velocidade com que o mercado testou e rejeitou uma tese. Na segunda (02/Jun), Flávio Bolsonaro disparou +4.20pp para 33.40% e Lula cedeu a 39.50%, comprimindo o gap Lula × Flávio de +11.30pp para +6.10pp em 24 horas — o ponto mais estreito do ciclo. Dois gatilhos documentados: o apoio de Tarcísio de Freitas a Flávio (descartando a terceira via) e o tarifaço dos EUA sendo creditado à oposição. Nos quatro pregões seguintes, o movimento reverteu por inteiro: à medida que o tarifaço/PIX foi reenquadrado como passivo de Flávio (o 'TariFlávio'), o senador devolveu todo o ganho, fechando em 27.25% (vol USD 6.50M) contra Lula 40.50% (vol USD 6.17M), com o gap reabrindo a +13.25pp (snapshot 07/Jun) — acima do patamar pré-disparo. O contrato presidencial acumula cerca de USD 96.7M, então o arco foi precificado com dinheiro real, não ruído de book fino. Sem pesquisa nacional nova na janela (a Vox 05/Jun, gap +8.5pp no 1º turno, segue referência), o mercado operou como sensor antecipado de uma narrativa que os institutos só testarão na Quaest de 10/Jun, provável rodada nacional. A divergência negociável da semana é o próprio arco: quem mediou viu 'gap estável em ~+9pp'; quem leu os componentes viu o mercado abandonar a reconcentração da direita em quatro dias.

1.Executive Summary

Gap Lula × Flávio
+13.25pp
↑7.15pp na semana
Reabriu após colapso a +6.10pp em 02/Jun; Flávio devolveu o disparo por inteiro
Flávio · vencedor
27.25%
↓6.15pp na semana
Devolveu o disparo de 02/Jun (33.40%) à medida que o tarifaço virou passivo
STF impeach <2027
5.15%
↓0.35pp na semana
Risco institucional segue baixo; volume fino (USD 80k), sinal frágil

A semana 02-06/Jun concentrou a reprecificação mais forte do ciclo e a desfez no mesmo intervalo. O contrato que se moveu foi o do duelo no topo: Flávio disparou +4.20pp na segunda com o apoio de Tarcísio e a narrativa do tarifaço, comprimindo o gap a +6.10pp, e devolveu tudo nos quatro pregões seguintes conforme o tarifaço/PIX virou passivo da oposição. A leitura de pricing não é o nível final do gap (+13.25pp), e sim a amplitude e a direção da reversão: o mercado precificou uma compressão de cinco pontos e a desfez em quatro dias, com volume robusto. Pesquisas não acompanharam o movimento intra-semana (sem rodada nacional nova), de modo que o mercado operou como sensor antecipado de uma tese que a Quaest de 10/Jun só agora vai testar. Snapshot fechado em 07/Jun 20:02 BRT (mercados operam 7 dias; o dado de domingo é o mais recente sobre a janela coberta).

2.Por que o AFOS não suaviza

A maior parte da indústria de agregação reduz divergência via média ponderada — modelos de "consensus tracker" tratam diferenças intra-semana como ruído a cancelar. Nesta semana, esse é exatamente o erro a evitar: a média apagaria o único sinal que importou, que foi o arco.

Divergência da semana · arco do gap Lula × Flávio (02→07/Jun)
Se fosse média ponderada
~+9.5pp
Média do gap na janela (+6.10pp em 02/Jun a +13.25pp em 07/Jun)
Cancela o arco: a compressão de segunda e a reabertura subsequente somem no número morto
AFOS Tradeoff reporta
+6.10pp → +13.25pp · Flávio −6.15pp
Polymarket 02/Jun (abertura) × 07/Jun (fechamento) · Δ do gap na semana
O mercado testou a reconcentração da direita e a rejeitou em quatro pregões
Maior amplitude intra-semana do ciclo

Por que importa: o gap abriu a semana a +11.30pp, colapsou a +6.10pp na segunda e reabriu a +13.25pp no domingo. Uma média entregaria 'gap estável em torno de +9pp' e descartaria a informação inteira. Os componentes contam a história: Flávio +4.20pp na segunda (disparo) e −6.15pp no líquido da semana (devolução), Lula praticamente flat. O mercado financiou a tese de reconcentração da direita via Tarcísio + tarifaço e a abandonou quando o enquadramento do tarifaço se inverteu. A magnitude e a velocidade da reversão são o sinal — não o nível suavizado.

Diferente da Edição №2, em que o movimento da semana foi rotação lenta dentro da terceira via sem catalisador de pesquisa, esta semana teve gatilhos documentados de ambos os lados do arco: o apoio de Tarcísio e o tarifaço na compressão (02/Jun), e a inversão do enquadramento do tarifaço na reabertura (03-06/Jun). O AFOS Tradeoff reporta os dois extremos do arco lado a lado e mantém a amplitude como variável observada. O teste que falta — uma pesquisa nacional — chega na Quaest de 10/Jun, primeiro print de peso desde a Vox de 05/Jun.

3.Cenários ponderados para a semana

Três caminhos plausíveis para a janela de prints 08-13/Jun:

Cenário base · ~60% probabilidade

Gap se mantém largo (faixa +12 a +14pp), com Lula favorito consolidado e o tarifaço/PIX seguindo como passivo da oposição. A Quaest de 10/Jun, se confirmada nacional, valida a vantagem de Lula em linha com a Vox de 05/Jun (+8.5pp no 1º turno). Mercado e pesquisa convergem na direção, ainda que o mercado precifique um gap maior que o 1º turno da pesquisa. Net-neutral para BRL.

Cenário contrário ao pricing atual · ~30%

A Quaest de 10/Jun mostra reconcentração da direita maior que a precificada, repetindo o sinal do disparo de 02/Jun, e o gap volta a comprimir para a faixa +8 a +10pp. Implícito: o mercado reagiu em excesso à inversão do tarifaço, e a devolução de Flávio (−6.15pp) foi overshoot. O histórico da própria semana mostra que esse movimento pode ocorrer em 24 horas.

Cauda · ~10%

Evento institucional de alto impacto desloca o quadro fora da dinâmica eleitoral: desdobramento agudo do caso Master no STF ou a notícia-crime de Flávio contra Lula ganhando tração. O contrato de impeachment de ministro (5.15%) sinaliza que o mercado não precifica ruptura institucional iminente; reprecificação aqui exigiria gatilho novo.

4.Indicator Grid

ContratoAtualΔ semanaVol USD acum.Leitura implícita
Flávio — vencedor27.25%↓6.15pp semana6.50MDevolveu por inteiro o disparo de 02/Jun (33.40%); tarifaço virou passivo
Lula — vencedor40.50%↑1.00pp semana6.17MRecuperou o ponto cedido em 02/Jun; topo ancorado
Gap Lula–Flávio+13.25pp↑7.15pp semanaReabriu acima do patamar pré-disparo; maior amplitude do ciclo
Renan Santos — vencedor / 3ª via17.35%↑0.50pp semana6.66MMaior volume vivo do book; diverge ~11pp das pesquisas (~6%)
Renan — 3º lugar 1º turno45.00%~flat semana76kFavorito ao 3º lugar; à frente de Zema (25%) e Caiado (18%)
Flávio — 2º lugar 1º turno63.50%~flat semana61kLíder isolado do 2º lugar mesmo com a devolução no mercado de vencedor
Camilo Santana — vencedor3.75%↑2.60pp em 24h3.18MSalto isolado em 07/Jun, sem evento claro; baixa convicção, a monitorar
STF impeach <20275.15%↓0.35pp semana80kRisco institucional baixo; volume fino, sinal frágil
PL plurality Senado73.00%↓2.50pp semana243kCedeu de 75.50% (02/Jun); favoritismo amplo mantido

5.Liquidez e estrutura de mercado

Mercado presidencial · vol. acumulado desde aberturaUSD ~96.7M
1Tarcísio de Freitas0.15% prob.USD 12.46M
2Eduardo Bolsonaro0.15% prob.USD 9.47M
3Carlos Massa (Russo)0.05% prob.USD 9.39M
4Eduardo Leite0.15% prob.USD 7.32M
5Michelle Bolsonaro0.65% prob.USD 7.27M
Anomalia de leitura.

Os cinco maiores volumes do book inteiro estão em contratos de probabilidade ≤0.65% — Tarcísio (USD 12.46M), Eduardo Bolsonaro (9.47M), Carlos Massa (9.39M), Eduardo Leite (7.32M) e Michelle (7.27M), todos com posições antigas nunca desmontadas. É volume legado, não tração corrente; nenhum é contendor ativo na faixa. Ler "preço baixo + volume alto" como convicção concentrada já precificada e resolvida, não como interesse vivo — no caso de Tarcísio, o volume é remanescente de quando era cotado como candidato, antes do apoio a Flávio selado em 02/Jun. O dado relevante da semana está logo abaixo do top-5: os contendores com probabilidade material — Renan (6.66M), Flávio (6.50M) e Lula (6.17M) — ficam agrupados em torno de USD 6.5M, e Renan lidera o volume acumulado entre os vivos, sustentando uma probabilidade (17.35%) que diverge ~11pp do que as pesquisas medem (~6%).

Os 5 maiores volumes acumulados respondem por ~USD 45.9M (~47%) do mercado presidencial (total ~USD 96.7M). A leitura cruzada de preço × volume da semana está no topo: Flávio devolveu −6.15pp de probabilidade sobre um volume acumulado de USD 6.50M, ou seja, a reversão da tese de reconcentração foi precificada com fluxo real, não em book raso. Spike de volume baixo (USD <500k) em contrato individual deve ser tratado como ruído até confirmação de fluxo recorrente — caso do salto de Camilo (07/Jun).

6.Calendário de prints price-relevant

DataPrintAmostraPor que importa
Ter 09/JunGerp (estadual)n=2.000Maior amostra do dia; escopo estadual, sem leitura nacional
Ter 09/JunReal Time Big Data (estadual)n=1.600Série frequente; estadual
Qua 10/JunQuaest (provável nacional)n=2.004Único print Tier-1 da janela; testa se o gap largo do mercado se confirma na intenção declarada. Registro BR-07661/2026
Qui 11/JunReal Time Big Data (estadual)n=1.600Segunda rodada RTBD da semana; estadual
Sex 12/JunNumen Data (estadual)n=2.400Maior amostra da janela; escopo estadual

Fonte: registro TSE via API AFOS. São 16 pesquisas qualificadas (n≥1.000) na janela 08-12/Jun; o registro as classifica como estaduais (UF genérica), mas a Quaest de 10/Jun (n=2.004) é provável rodada nacional pela amostra e pela cobertura de imprensa ('às vésperas da Quaest'). É o único print com potencial de mover o pricing nacional e testar o arco do gap. Registrada ≠ publicada — inclusão não garante divulgação nem números.

7.Watch list — gatilhos da semana

  1. Quaest de 10/Jun: teste do gap largo. Se confirmada nacional, é o confronto direto entre o gap de +13.25pp precificado pelo mercado e a intenção declarada. Reconcentração da direita acima do esperado reabriria a tese do disparo de 02/Jun.
  2. Enquadramento do tarifaço/PIX. O 'TariFlávio' foi o motor da reversão da semana. Qualquer reviravolta na atribuição (governo × oposição) move o contrato de Flávio, que já provou andar +4pp em 24h.
  3. Caso Master no STF. O pedido de suspeição de Moraes segue ativo e o TCU arquivou a representação de Flávio sobre a ex-nora de Lula. Um desdobramento agudo alimentaria o contrato de impeachment, hoje em 5.15%.
  4. Salto de Camilo Santana (3.75%). Movimento isolado de 07/Jun, sem evento claro e com volume baixo (USD 3.18M). Posição especulativa a monitorar; só vira sinal com fluxo recorrente, não com um spike.
  5. Judicialização da pré-campanha. O volume de ações no TSE entre as campanhas de Lula e Flávio cresce e pode gerar decisões com efeito de pricing antes mesmo do registro de candidaturas.

8.Metodologia

AFOS Tradeoff agrega três sinais sem mediá-los em composto: Polymarket (denominado em USD, latência ~30min), pesquisas registradas no TSE (intenção declarada, periodicidade variável) e 400+ fontes de imprensa (event flow). Quando os três divergem, a divergência é o sinal — não o consenso. Volume USD é reportado junto da probabilidade implícita para separar conviction de spike artificial. Liquidez (profundidade de book) não é citada inline pois liquidez baixa em Polymarket não significa preço errado (arbitragem ativa em minutos), e expor o número técnico gera misread em audiência leiga.

Séries de Δ semana derivam de snapshots persistidos diariamente no Neon (02-07/Jun), em base consistente com o pipeline do dashboard. Código fonte, dados brutos e síntese editorial diária (PT/EN/ES) sob licença Apache 2.0: afos-analytics.com · github.com/AFOS-Analytics.

9.Leitura adicional · cobertura macro

Matérias relevantes da semana em veículos de referência. AFOS Tradeoff é fonte primária (Polymarket + TSE + pesquisas); as referências abaixo são leitura complementar para alinhamento de contexto. Atenção: parte opera com paywall.

Referências de contexto macro. O sinal primário desta edição (arco do gap Lula × Flávio e divergência Renan mercado × pesquisa) é observação direta do pricing Polymarket cruzado com registro TSE, não derivado das matérias acima.

Aviso obrigatório. Este brief é pesquisa observacional sobre infraestrutura de mercados de previsão, pesquisas eleitorais e fluxo de notícias. Não constitui recomendação de investimento. Nenhuma posição é recomendada ou implícita. Polymarket é mercado USD-denominado operando fora da jurisdição brasileira; volumes mencionados são informativos, não orientativos. Decisões de portfólio são responsabilidade exclusiva do leitor e devem considerar análise independente, perfil de risco e regulamentação aplicável.
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AFOS Tradeoff — Edição №3 · Semana de 02-06 Jun 2026 | AFOS Analytics