AFOS Daily · Síntese do Dia

12 de julho de 2026

Mercado de Previsão × Pesquisas × Notícias

Síntese gerada com base em dados auditáveis. Cada alegação cita sua fonte.

A 84 dias do 1º turno, o mercado mal se moveu, mas a base de pesquisa mudou de forma. Entrou no dashboard a Gerp/AESP de 8 de julho, que dá empate no 1º turno e Flávio vencendo o 2º, publicada no mesmo dia que a Meio/Ideia, que dá Lula à frente. Duas nacionais, mesma data, vencedores opostos. O Polymarket segue precificando Lula em 60,50%, com volume total acumulado de USD 112,2M no presidencial.

1. Mercado de previsão

O domingo foi de acomodação no Polymarket. Lula fechou em 60,50% (USD 7,3M de volume acumulado), estável pelo terceiro dia consecutivo, e Flávio Bolsonaro subiu marginalmente para 23,25% (↑0,10pp, USD 7,3M), quarto dia de recuperação lenta. O gap entre os dois ficou em +37,25pp (↓0,10pp). O volume total acumulado no mercado presidencial soma USD 112,2M, o lastro de dinheiro real sobre o qual esses preços se formam.

O movimento do dia foi de Renan Santos, e foi para trás. No mercado presidencial, ele caiu para 10,25% (↓1,10pp, USD 8,0M, o maior volume acumulado individual do presidencial), devolvendo boa parte da alta de 3,10pp que acumulara em dois dias. Aquela alta veio sem evento triggador identificável, e não há evidência de evento que explique a queda: o movimento é lido aqui como saída de faixa por momentum, não como reação a notícia.

O que Renan não devolveu foi a posição estrutural. No sub-mercado de 3º lugar do 1º turno, ele ampliou a liderança para 66,50% (↑5,0pp, USD 0,14M), abrindo distância de Ronaldo Caiado, que recuou para 15,50% (↓0,5pp, USD 0,03M). O mercado corrigiu o preço de vencedor e, ao mesmo tempo, reforçou a tese de que ele é o nome da terceira via. No 2º lugar do 1º turno, Flávio ampliou o domínio para 78,50% (↑2,0pp, USD 0,16M), com Renan em 11,20% (USD 1,04M).

No mercado presidencial, Jair Bolsonaro oscilou: chegou a 2,10% no fim da tarde e devolveu o ganho, fechando em 1,65% (↑0,15pp, USD 5,0M). Na cauda, Caiado 1,60% (USD 4,8M), Michelle Bolsonaro 1,05% (USD 8,9M), Zema 0,95% (USD 4,3M) e Haddad 0,75% (USD 6,2M). Fora dos dois primeiros, nenhum nome passa de 1,65%: a bipolarização não abriu.

Nos sub-mercados institucionais, nada se moveu. O impeachment de ministro do STF antes de 2027 segue colado no piso, em 2,75% (USD 0,08M), sem reagir a um dia carregado de decisões judiciais. No Senado por número de cadeiras, o PL mantém 87,50% (USD 0,25M), contra 11,55% do MDB (USD 0,01M). Na inflação de 2026, a banda de 5,00% a 5,49% lidera com 33,40% (USD 0,01M).

2. O que os institutos registraram

A novidade do dia não foi de preço, foi de dado. Entrou no dashboard a nacional da Gerp/AESP publicada em 8 de julho (n=2.000, campo de 3 a 7 de julho, protocolo BR-03067/2026). Ela estava ausente por um erro de classificação de escopo na ingestão do TSE, identificado e corrigido em 12 de julho. Os números: empate no 1º turno, Lula 36% × Flávio 36%, e Flávio vencendo o 2º turno, 45% × 42%, dentro da margem de 2,2pp. É a primeira nacional do ciclo a pôr Flávio à frente no returno.

A ressalva de método vem antes da manchete. A Gerp é instituto de menor porte, com confiabilidade 3 no dashboard, e já era outlier em 24 de junho, consistentemente mais favorável a Flávio que o consenso do primeiro escalão (Datafolha, Indexa, BTG/Nexus, CNT/MDA), todos com Lula confortável. Uma pesquisa não vira tendência. O que ela faz é destruir a unanimidade: no mesmo 8 de julho, a Meio/Ideia (n=1.500) deu Lula 40,4% × 32% no 1º turno e 45% × 40% no 2º. Duas nacionais, mesma data, vencedores opostos no returno. A VEJA registrou a dificuldade de leitura da semana em balanço dos números.

Nos demais sete cenários de 2º turno da própria Gerp, Lula vence todos, de Michelle (45% × 41%) a Renan Santos (41% × 30%). Caiado tem a menor margem de derrota entre os adversários alternativos (40% × 36%), e Renan a maior.

📅 Calendário de pesquisas - próximos 7 dias

Pesquisas registradas no TSE com publicação prevista entre 13/Jul e 17/Jul. Inclusão na tabela não significa publicação confirmada, institutos podem atrasar ou cancelar divulgação. Filtro aplicado: amostra ≥ 1.000. Cada protocolo linkado à consulta pública TSE.

DataInstitutoAmostraEscopoProtocolo TSEConf.
13/JulNEXUS2.000nacionalBR-07981/20260,70
13/JulAlmeida e Cavalcanti2.000estadualBR-05439/20260,70
14/Jul100 Cidades2.000nacionalBR-07294/20260,70
14/JulDoxa2.000estadualBR-00892/20260,70
14/JulReal Time Big Data1.600estadualBR-00773/20260,80
14/JulDatavero1.500estadualBR-05121/20260,60
15/JulQuaest2.004nacionalBR-07181/20260,90
15/JulDoxa2.000estadualBR-06345/20260,70
15/JulReal Time Big Data1.600estadualBR-03148/20260,80
16/JulPoderData2.400nacionalBR-00059/20260,70
16/JulInstituto Perfil1.800estadualBR-04803/20260,60
16/JulReal Time Big Data1.600estadualBR-05880/20260,80
17/JulVeritá1.525estadualBR-07834/20260,60

Fonte: registro público TSE via API AFOS. Nenhuma pesquisa da janela tem amostra ≥ 3.000. Status "registrada ≠ publicada": confirmação de divulgação efetiva exige verificação de duas fontes primárias antes da citação de números. Quatro nacionais saem entre 13 e 16 de julho, o primeiro teste real de convergência desde 8 de julho.

3. O que a imprensa cobriu

O dia foi dominado por duas frentes judiciais que atingem o campo à direita. Na primeira, o ministro Flávio Dino mandou bloquear até R$ 6,15 milhões de Eduardo Cunha, investigado por direcionar emendas parlamentares mesmo sem exercer mandato desde 2016. A decisão foi assinada em 6 de julho e tornada pública em 12 de julho (G1). A decisão aponta indícios de que Cunha usou um deputado do Republicanos para direcionar os recursos. Ele rejeitou a tese de mandato clandestino e disse que questionará a decisão. É o mesmo inquérito que bloqueou R$ 119 milhões de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, manifestou inconformismo contra aquela decisão.

Na segunda frente, a carta de Jair Bolsonaro lida por Flávio em 11 de julho virou risco jurídico para o próprio autor. Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária, prorrogada por Alexandre de Moraes em 3 de julho de 2026, com proibição expressa de se manifestar em redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou em 11 de julho um pedido a Moraes de revogação da domiciliar e retorno ao regime fechado, além de multa de R$ 100 mil a Flávio (Estadão). É um pedido, não uma decisão: o STF não deliberou sobre o tema. O G1 registra que a carta gerou críticas de candidatos e incomodou Michelle Bolsonaro.

No campo eleitoral, a carta não produziu a unidade que pretendia. Caiado disse que ela mostra a fragilidade da candidatura de Flávio e, segundo a CartaCapital, ironizou que liderança não se herda. O Republicanos negou ter fechado apoio e indicou neutralidade, travando uma frente partidária, e Valdemar Costa Neto disse que a crise familiar continua.

Do lado do governo, Lula deve lançar a campanha à reeleição em São Bernardo do Campo (Folha). A data de agosto ainda diverge entre veículos, e não é tratada aqui como definida. Nas redes, dois relatórios contam histórias complementares: o Poder360 registra que Flávio ganhou três vezes mais seguidores novos que Lula no 1º semestre, enquanto a CNN Brasil aponta que Lula lidera em base total de seguidores e Flávio em engajamento. Fluxo e estoque medem coisas diferentes.

4. Divergências do dia

Mercado × pesquisa: o Polymarket dá Lula em 60,50% e Flávio em 23,25%, uma folga de +37,25pp. A Gerp/AESP de 8 de julho, publicada há quatro dias, tem os dois empatados no 1º turno e Flávio vencendo o 2º. É o maior descolamento entre dinheiro real e intenção declarada do ciclo, e admite duas leituras: ou o mercado está certo e a Gerp é ruído de instituto pequeno, ou a intenção declarada começou a se mover antes do preço.

Pesquisa × pesquisa: duas nacionais registradas no TSE e publicadas em 8 de julho apontam vencedores opostos no 2º turno. A Meio/Ideia dá Lula 45% × 40%; a Gerp dá Flávio 45% × 42%. A divergência entre institutos, no mesmo dia, é da ordem da divergência entre mercado e pesquisa. O AFOS registra as duas e sinaliza a contradição em vez de calcular uma média que dissolveria a informação.

Notícia × mercado: o dia teve bloqueio de bens de Cunha por decisão do STF, pedido do PT para revogar a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e recusa do Republicanos em apoiar Flávio. O mercado de impeachment no STF não se moveu (2,75%), e Flávio subiu 0,10pp. O dinheiro real precifica atrito institucional como ruído, não como ruptura.

Em síntese

  1. O preço parou, o dado se mexeu. Lula estável em 60,50% e gap em +37,25pp. O que mudou o retrato do dia foi a entrada de uma pesquisa que faltava, não o mercado.

  2. A intenção declarada deixou de ser unânime. Com a Gerp/AESP de 8 de julho no dashboard, existe uma nacional que empata o 1º turno e dá o 2º a Flávio. Ela é outlier e está sinalizada como tal, mas a leitura de que todas as pesquisas apontam para o mesmo lado morreu.

  3. A semana decide. Quatro nacionais registradas no TSE saem entre 13 e 16 de julho, incluindo Quaest (n=2.004) e PoderData (n=2.400). É o primeiro teste de convergência desde 8 de julho, e ele responde qual das duas leituras da divergência se sustenta.


Fontes consultadas

matérias com link direto para a notícia (veículos âncora):

matérias secundárias (URL Google News redirect - clique resolve à matéria):

Fontes técnicas: Polymarket (cotações ao vivo via proxy AFOS, fetched 12/Jul 18:04 BRT), registro TSE (pesquisas eleitorais oficiais).

Fontes citadas neste texto: Polymarket, TSE (registro público), G1, O Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, VEJA, CartaCapital, Poder360, CNN Brasil, Jornal Opção, Brasil 247, Pleno.News

Método: esta síntese é gerada automaticamente a partir dos dados auditáveis da plataforma AFOS Analytics, sob regras em código versionadas em git. Todas as alegações podem ser verificadas na plataforma ou nas fontes linkadas. Entenda a governança automatizada.

Integração: para ver os dados ao vivo e as análises dos candidatos em detalhe, acesse o dashboard completo. Para entender o método em profundidade, leia O Método.

Glossário: termos políticos brasileiros usados nas sínteses (TSE, STF, BolsoMaster, lideranças envelhecidas, etc.), definições nos 3 idiomas. Ver glossário completo

AFOS Daily - 12 de julho de 2026 | AFOS Analytics