AFOS Analytics
Pricing político em tempo real
Mercado de previsão × pesquisas × imprensa
sem médias suavizadas
Semana de recorde do gap no topo. Digerindo a Genial/Quaest de 10/Jun (1º turno Lula 39% × Flávio 29%) e a leitura do 'paradoxo da direita' (Flávio perde força, rivais não herdam o voto anti-Lula), o mercado presidencial levou Lula de 40.50% para 49.50% (↑9.00pp na semana) e o gap Lula × Flávio de +13.25pp para +22.85pp — o mais largo já medido no ciclo. Flávio ficou praticamente flat (26.65%, ↓0.60pp). O sinal negociável da semana, porém, não está no topo, e sim em Renan Santos: o contrato de vencedor caiu −2.70pp na semana, para 14.65% (apesar de +1.55pp no último pregão, 14/Jun), enquanto o contrato de 3º lugar do 1º turno subiu +3.00pp, para 48%. O mercado não 'moveu Renan' — ele reposicionou o nome, aparando a cauda de vitória e travando-o como favorito ao 3º lugar, e ainda assim mantém uma divergência de ~11.65pp ante os 3% que a Quaest mede no 1º turno. O contrato presidencial acumula ~USD 99.6M, então o arco foi precificado com dinheiro real. A próxima semana traz a primeira bateria de prints nacionais desde a Quaest (Nexus 15/Jun, MDA 16/Jun, Datafolha 19/Jun), que vai testar tanto o gap recorde quanto a divergência de Renan.
1.Executive Summary
A semana 09-13/Jun foi de reprecificação do topo a favor de Lula. Sem pesquisa nacional nova após a Quaest de 10/Jun, o mercado digeriu o print e a leitura do 'paradoxo da direita' e abriu o gap Lula × Flávio para +22.85pp, o mais largo do ciclo, com Lula a 49.50% (vol USD 6.43M) e Flávio a 26.65% (vol USD 6.60M). A leitura de pricing mais rica, porém, está um degrau abaixo: o mercado decompôs Renan Santos em duas apostas que se moveram em direções opostas — vencedor ↓2.70pp (14.65%) e 3º lugar ↑3.00pp (48%). Snapshot fechado em 14/Jun 14:30 BRT (mercados operam 7 dias; o dado de domingo é o mais recente sobre a janela coberta).
2.Por que o AFOS não suaviza
A maior parte da indústria de agregação reduz cada candidato a um número único de probabilidade. Nesta semana, esse é exatamente o erro a evitar com Renan: um número só esconde que o mercado moveu suas duas apostas em direções opostas.
Por que importa: Renan teve +1.55pp no último pregão (14/Jun) mas −2.70pp no líquido da semana — um snapshot diário e uma média semanal entregariam sinais opostos, e ambos perderiam o essencial. O essencial está na decomposição: o contrato de vencedor cedeu (14.65%) enquanto o de 3º lugar do 1º turno subiu (48%, à frente de Zema e Caiado, ambos ~15.5%). O mercado reprecificou qual resultado Renan deve entregar, não quanto de Renan existe. E mantém o desafio aberto: 14.65% no vencedor ainda diverge ~11.65pp dos 3% que a Quaest mede no 1º turno.
Diferente da Edição №3, em que o sinal foi a amplitude do arco do gap em quatro pregões, esta semana o sinal é a decomposição de um nome: o mercado tratou Renan como dois ativos distintos e os moveu em direções opostas. O AFOS Tradeoff reporta os dois contratos lado a lado e mantém a divergência ante a pesquisa como variável observada. O teste chega já na próxima janela, com a primeira bateria de prints nacionais desde a Quaest.
O mesmo arcabouço que aplicamos ao Brasil — medir a distância entre o mercado de previsão e as pesquisas e conferir o sinal com o resultado real das urnas — já foi checado contra sete eleições em três continentes: Peru e Colômbia (2026), Chile, Alemanha e Canadá (2025) e Reino Unido e México (2024). Em alguns casos o sinal foi de divergência alta; em outros, de convergência quase nula (Colômbia, Alemanha). O que valida o método é o resultado real, não a direção do sinal — por isso não falamos em 'divergências validadas', e sim em casos checados contra o que as urnas entregaram. É track record auditável e aberto, não alegação de superioridade preditiva. Os sete casos estão no hub global da AFOS.
3.Cenários ponderados para a semana
Três caminhos plausíveis para a janela de prints 15-20/Jun, a primeira bateria nacional desde a Quaest de 10/Jun:
Os prints nacionais da semana (Nexus 15/Jun, MDA 16/Jun, Datafolha 19/Jun) confirmam a vantagem de Lula em linha com a Quaest (1º turno ~+10pp), e o gap de mercado se mantém largo (faixa +20 a +23pp). Renan segue em ~3% nas pesquisas, preservando a divergência de ~11.65pp no contrato de vencedor. Mercado e pesquisa convergem na direção; o mercado segue precificando um gap maior que o 1º turno. Net-neutral para BRL.
Um dos prints nacionais mostra reconcentração da direita maior que a precificada (Flávio acima de 29%, ou um nome anti-Lula finalmente acima de 3%), e o gap comprime para a faixa +15 a +18pp. Implícito: o mercado superestimou a surge de Lula pós-Quaest. O contrato de vencedor de Renan recupera parte dos −2.70pp se um print finalmente registrar tração do nome.
Evento institucional de alto impacto desloca o quadro fora da dinâmica eleitoral: desdobramento agudo do caso Master no STF (pedido de suspeição de Moraes, delações de Vorcaro) ou um print nacional muito fora do consenso. O contrato de impeachment a 3.60% sinaliza que o mercado não precifica ruptura institucional iminente; reprecificação aqui exigiria gatilho novo.
4.Indicator Grid
| Contrato | Atual | Δ semana | Vol USD acum. | Leitura implícita |
|---|---|---|---|---|
| Lula — vencedor | 49.50% | ↑9.00pp semana | 6.43M | Pico do ciclo; gap recorde após digestão da Quaest 10/Jun |
| Flávio — vencedor | 26.65% | ↓0.60pp semana | 6.60M | Praticamente flat; perdeu o duelo do topo para a alta de Lula |
| Gap Lula–Flávio | +22.85pp | ↑9.60pp semana | — | Recorde do ciclo; mercado precifica favoritismo acima do 1º turno da Quaest (+10pp) |
| Renan Santos — vencedor | 14.65% | ↓2.70pp semana | 6.98M | Caiu na semana apesar de +1.55pp em 14/Jun; maior volume vivo; diverge ~11.65pp da Quaest (3%) |
| Renan — 3º lugar 1º turno | 48.00% | ↑3.00pp semana | 77k | Favorito ao 3º lugar reforçado; à frente de Zema e Caiado (~15.5% cada) |
| Flávio — 2º lugar 1º turno | 68.00% | ↑4.50pp semana | 62k | Líder isolado do 2º lugar; consolidou mesmo com Lula disparando no vencedor |
| STF impeach <2027 | 3.60% | ↓1.55pp semana | 82k | Risco institucional recuou; volume fino, sinal frágil |
| PL plurality Senado | 73.00% | ~flat semana | 243k | Favoritismo amplo mantido; sem reprecificação na janela |
| Inflação 2026 cauda ≥6.50% | 17.25% | ~flat semana | — | Cauda alta persistente; CPI de maio acima da meta no acumulado (Valor) |
5.Liquidez e estrutura de mercado
Os cinco maiores volumes do book inteiro seguem em contratos de probabilidade ≤0.75% — Tarcísio (USD 12.64M), Carlos Massa (9.92M), Eduardo Bolsonaro (9.57M), Michelle (7.46M) e Eduardo Leite (7.38M), todos posições antigas nunca desmontadas. É volume legado, não tração corrente; nenhum é contendor ativo na faixa. Ler 'preço baixo + volume alto' como convicção concentrada já precificada e resolvida, não como interesse vivo. O dado relevante da semana está logo abaixo do top-5: os contendores com probabilidade material — Renan (6.98M), Flávio (6.60M) e Lula (6.43M) — seguem agrupados em torno de USD 6.5M, e Renan ainda lidera o volume acumulado entre os vivos, sustentando uma probabilidade (14.65%) que diverge ~11.65pp do que a Quaest mede (3%) — mesmo depois de o contrato de vencedor ter cedido na semana.
Os 5 maiores volumes acumulados respondem por ~USD 47M (~47%) do mercado presidencial (total ~USD 99.6M). A leitura cruzada de preço × volume da semana está em Renan: o contrato de vencedor cedeu −2.70pp sobre um volume acumulado de USD 6.98M (o maior entre os vivos), ou seja, a reprecificação foi feita com fluxo real, não em book raso. Spike de volume baixo (USD <500k) em contrato individual deve ser tratado como ruído até confirmação de fluxo recorrente.
6.Calendário de prints price-relevant
| Data | Amostra | Por que importa | |
|---|---|---|---|
| Seg 15/Jun | Nexus (nacional) | n=2.000 | Primeiro print nacional desde a Quaest 10/Jun; testa o gap recorde |
| Ter 16/Jun | MDA (nacional) | n=2.002 | Segundo nacional da janela; cross-check da vantagem de Lula |
| Ter 16/Jun | American Analytics · 100 Cidades (nacional) | n=2.000 | Reforço amostral nacional no mesmo dia |
| Sex 19/Jun | Datafolha (nacional) | n=2.004 | Print de maior peso da janela; teste central do gap +22.85pp e da divergência de Renan |
Fonte: registro TSE via API AFOS. Diferente das semanas anteriores, a janela 15-19/Jun tem pesquisas de escopo nacional registradas (Nexus, MDA, American Analytics, 100 Cidades, Datafolha), todas com universo nacional declarado e n≥1.000 — a primeira bateria nacional desde a Quaest de 10/Jun. Registrada ≠ publicada: inclusão não garante divulgação nem números.
7.Watch list, gatilhos da semana
- Nexus (15/Jun, nacional). Primeiro print nacional desde a Quaest. Confirma ou desafia o gap recorde de +22.85pp; um 1º turno abaixo de +10pp já tensiona o pricing.
- MDA + Datafolha (16 e 19/Jun, nacionais). A Datafolha (n=2.004) é o teste central da semana. Um gap de 1º turno muito acima ou abaixo de +10pp reprecifica o contrato de vencedor.
- Divergência de Renan. Se qualquer print nacional registrar Renan acima de 3%, a divergência de ~11.65pp comprime e o contrato de vencedor (14.65%) tende a recuperar parte dos −2.70pp da semana.
- Decomposição vencedor × 3º lugar. Vigiar se o mercado mantém Renan travado no 3º lugar (48%) enquanto apara o vencedor, ou se reverte caso um print mostre tração real.
- Caso Master / STF. Qualquer ato sobre o pedido de suspeição de Moraes ou as delações de Vorcaro que mova o contrato de impeachment para fora de 3.60%.
8.Metodologia
AFOS Tradeoff agrega três sinais sem mediá-los em composto: Polymarket (denominado em USD, latência ~30min), pesquisas registradas no TSE (intenção declarada, periodicidade variável) e 400+ fontes de imprensa (event flow). Quando os três divergem, a divergência é o sinal — não o consenso. Volume USD é reportado junto da probabilidade implícita para separar conviction de spike artificial. Liquidez (profundidade de book) não é citada inline pois liquidez baixa em Polymarket não significa preço errado (arbitragem ativa em minutos), e expor o número técnico gera misread em audiência leiga.
Séries de Δ semana derivam de snapshots persistidos diariamente no Neon (09-14/Jun), em base consistente com o pipeline do dashboard. Código fonte, dados brutos e síntese editorial diária (PT/EN/ES) sob licença Apache 2.0: afos-analytics.com · github.com/AFOS-Analytics.
9.Leitura adicional · cobertura macro
Matérias e seções relevantes da semana em veículos de referência. AFOS Tradeoff é fonte primária (Polymarket + TSE + pesquisas); as referências abaixo são leitura complementar para alinhamento de contexto macro. Atenção: parte opera com paywall.
- O Globo · Eduardo Bolsonaro defende rompimento do PL com o Novo após críticas de Zema a Flávio (13/Jun)(paywall), oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/13/eduardo-bolsonaro-defende-rompimento-com-o-novo-apos-criticas-de-zema-a-flavio-bolsonaro.ghtml
- Reuters · seção Americas/Brazil — fluxo do tarifaço EUA-Brasil e agenda de Lula no G7, www.reuters.com/world/americas/
- Valor Econômico · política e risco fiscal; CPI de maio acima da meta no acumulado(paywall), valor.globo.com/politica/
- Bloomberg Línea · cobertura Brasil/mercados emergentes e BRL(paywall), www.bloomberglinea.com.br/
- InfoMoney · política e mercado (acesso aberto), www.infomoney.com.br/politica/
Referências de contexto macro. O sinal primário desta edição (gap recorde Lula × Flávio e a decomposição de Renan, mercado × pesquisa) é observação direta do pricing Polymarket cruzado com o registro TSE, não derivado das matérias acima.
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