AFOS Analytics
Pricing político em tempo real
Mercado de previsão × pesquisas × imprensa
sem médias suavizadas
Semana do teste que o mercado não cedeu. A janela 15-19/Jun trouxe a primeira bateria nacional inteira desde a Quaest (Nexus 15/Jun, CNT/MDA e Futura/Apex 16/Jun), fechada pela Datafolha de 20/Jun, o melhor retrato de Flávio no ciclo (2º turno 47 × 43, o gap mais curto do recorte; 1º turno 41 × 31). Em vez de comprimir, o mercado presidencial ampliou: Lula de 49.50% para 51.50% (↑2.00pp na semana) e Flávio de 26.65% para 25.05% (↓1.60pp), levando o gap Lula × Flávio de +22.85pp para +26.45pp (↑3.60pp), novo recorde do ciclo. O fato negociável da semana é a direção oposta: na mesma janela em que a melhor pesquisa para Flávio apertou para +4pp no 2º turno, a probabilidade de vitória precificada pelo mercado abriu para um gap recorde. Abaixo do topo, o sinal é Renan Santos: o contrato de 3º lugar do 1º turno saltou de 48% para 62% (↑14.00pp), enquanto o de vencedor ficou flat em 14.25% (↓0.40pp) e ainda diverge ~11.25pp dos 3% que as nacionais medem no 1º turno. O contrato presidencial acumula ~USD 103M, então a divergência foi precificada com dinheiro real. A próxima janela traz a AtlasIntel (22/Jun) e a JOTA n=6.000 (25/Jun), a maior amostra desde a Datafolha, que vai testar de novo o gap recorde.
1.Executive Summary
A semana 15-19/Jun rodou a primeira bateria nacional inteira desde a Quaest de 10/Jun: Nexus 15/Jun, CNT/MDA e Futura/Apex 16/Jun, fechada pela Datafolha de 20/Jun. Em vez de comprimir o gap recorde, o mercado o estendeu: Lula a 51.50% (vol USD 6.58M) e Flávio a 25.05% (vol USD 6.78M), gap +26.45pp, novo recorde do ciclo. O dado mais rico está na direção: a Datafolha de 20/Jun foi o melhor print de Flávio do recorte (2º turno 47 × 43, o mais apertado), e o mercado não o premiou, o gap abriu na mesma janela. Um degrau abaixo, a decomposição de Renan da Edição №4 endureceu: o contrato de 3º lugar saltou para 62% (↑14.00pp) enquanto o de vencedor ficou flat (14.25%). Snapshot fechado em 21/Jun 17:10 BRT (os mercados operam 7 dias; o dado de domingo é o mais recente sobre a janela coberta).
2.Por que o AFOS não suaviza
A indústria de agregação reduz 'o mercado versus as pesquisas' a uma leitura única e suavizada. Nesta semana, essa média é exatamente o erro: misturar o gap recorde do mercado com o 2º turno mais apertado do ciclo cancela o fato que define a janela, o de que os dois se moveram em direções opostas.
Por que importa: a Datafolha de 20/Jun foi o melhor retrato de Flávio no recorte (2º turno 47 × 43, o gap mais curto do ciclo; 1º turno 41 × 31). No mesmo intervalo, o mercado levou a probabilidade de vitória de Lula a um gap recorde (+26.45pp). Uma leitura agregada anularia a informação mais útil: nesta janela, mercado e pesquisa apontaram para direções opostas. O AFOS Tradeoff reporta os dois lado a lado e trata a divergência como variável observada, não como erro a suavizar. Ressalva de método: gap de mercado é probabilidade de vitória, não margem de voto, então a comparação é de direção e de convicção, não pp a pp.
Diferente da Edição №4, em que o sinal foi a decomposição de Renan em dois contratos, esta semana o sinal é a resposta do mercado a um teste real: uma bateria nacional inteira, incluindo o print mais favorável a Flávio do ciclo, passou sem comprimir o gap recorde. O AFOS Tradeoff registra a divergência de direção entre mercado e pesquisa e mantém o resultado das urnas como árbitro final. O teste segue na próxima janela, com a JOTA n=6.000 (25/Jun), a maior amostra desde a Datafolha.
O mesmo arcabouço que aplicamos ao Brasil, medir a distância entre o mercado de previsão e as pesquisas e conferir o sinal com o resultado real das urnas, já foi checado contra oito eleições em três continentes: Peru e Colômbia (2026), Chile, Alemanha e Canadá (2025) e Reino Unido, México e Estados Unidos (2024). Em alguns casos o sinal foi de divergência alta; em outros, de convergência quase nula (Colômbia, Alemanha); e nos Estados Unidos em 2024 dois mercados discordaram entre si (o colégio eleitoral acertou, o voto popular errou), registrado com honestidade radical. O que valida o método é o resultado real, não a direção do sinal, por isso não falamos em 'divergências validadas', e sim em casos checados contra o que as urnas entregaram. É track record auditável e aberto, não alegação de superioridade preditiva. Os casos estão no hub global da AFOS.
3.Cenários ponderados para a semana
Três caminhos para a janela de prints 22-26/Jun, com a JOTA n=6.000 (25/Jun) como o maior teste amostral desde a Datafolha:
A AtlasIntel (22/Jun) e a JOTA (25/Jun, n=6.000) confirmam a vantagem de Lula em linha com as nacionais recentes (1º turno ~+10pp), e o mercado mantém o gap na faixa +24 a +27pp. Renan segue ~3% nas pesquisas, preservando a divergência de ~11.25pp no contrato de vencedor. Mercado e pesquisa convergem na direção do líder; o mercado segue precificando uma vantagem maior que o 1º turno. Net-neutral para BRL.
Um print de peso (a JOTA n=6.000) mostra reconcentração da direita acima do precificado, com Flávio acima de 31% no 1º turno, ou um 2º turno na faixa da Datafolha (47 × 43) confirmado por outro instituto, e o gap de mercado comprime para +18 a +22pp. Implícito: o mercado superestimou a vantagem de Lula e começa a convergir para o sinal das pesquisas. O contrato de vencedor de Renan recupera parte do terreno se algum print finalmente registrar tração do nome acima de 3%.
Evento institucional de alto impacto desloca o quadro fora da dinâmica eleitoral: desdobramento agudo do caso Master no STF, ligado à operação da PF sobre Jaques Wagner, ou um print nacional muito fora do consenso. O contrato de impeachment a 3.60% sinaliza que o mercado não precifica ruptura institucional iminente; reprecificação aqui exigiria gatilho novo.
4.Indicator Grid
| Contrato | Atual | Δ semana | Vol USD acum. | Leitura implícita |
|---|---|---|---|---|
| Lula · vencedor | 51.50% | ↑2.00pp semana | 6.58M | Novo pico do ciclo; gap recorde após a bateria nacional |
| Flávio · vencedor | 25.05% | ↓1.60pp semana | 6.78M | Recuou na semana mesmo com a Datafolha 47 × 43 a seu favor |
| Gap Lula × Flávio | +26.45pp | ↑3.60pp semana | - | Recorde do ciclo; mercado não comprimiu após o print mais favorável a Flávio |
| Renan · 3º lugar 1º turno | 62.00% | ↑14.00pp semana | 84k | Consolidação forte como favorito ao 3º lugar; à frente de Caiado (12.5%) e Zema (11%) |
| Renan · vencedor | 14.25% | ↓0.40pp semana | 7.29M | Flat na semana; maior volume entre os vivos; diverge ~11.25pp do 1º turno das pesquisas (3%) |
| Flávio · 2º lugar 1º turno | 68.50% | ~flat semana | 64k | Líder isolado do 2º lugar; consolidado mesmo com Lula disparando no vencedor |
| STF impeach <2027 | 3.60% | ~flat semana | 82k | Risco institucional inerte mesmo com a operação sobre Wagner; volume fino, sinal frágil |
| PL plurality Senado | 77.50% | ↑4.50pp semana | 243k | Favoritismo amplo reforçado; sem contendor próximo (MDB 10.75%) |
| Inflação 2026 banda modal 5.0-5.49% | 29.95% | ~estável semana | - | Banda modal perto de 30%; cauda de inflação alta segue precificada, sem reprecificação na janela |
5.Liquidez e estrutura de mercado
Os cinco maiores volumes do book inteiro seguem em contratos de probabilidade ≤1.15%: Tarcísio (USD 12.88M), Carlos Massa (10.05M), Eduardo Bolsonaro (9.75M), Michelle (7.79M) e Eduardo Leite (7.55M), todos posições antigas nunca desmontadas. É volume legado, não tração corrente; nenhum é contendor ativo na faixa. Ler 'preço baixo + volume alto' como convicção concentrada já precificada e resolvida, não como interesse vivo. O dado relevante da semana está logo abaixo do top-5: os contendores com probabilidade material, Renan (7.29M), Flávio (6.78M) e Lula (6.58M), seguem agrupados em torno de USD 6.5M a 7.3M, e Renan ainda lidera o volume acumulado entre os vivos, sustentando 14.25% no vencedor (diverge ~11.25pp do 1º turno das pesquisas) ao mesmo tempo em que o mercado o levou a 62% no contrato de 3º lugar.
Os 5 maiores volumes acumulados respondem por ~USD 48M (~47%) do mercado presidencial (total ~USD 103M). A leitura cruzada de preço × volume da semana está no topo: a abertura do gap a um recorde (+26.45pp) foi feita sobre fluxo real (Lula USD 6.58M, Flávio USD 6.78M), não em book raso, e na mesma janela em que a melhor pesquisa para Flávio apertou. Spike de volume baixo (USD <500k) em contrato individual deve ser tratado como ruído até confirmação de fluxo recorrente.
6.Calendário de prints price-relevant
| Data | Amostra | Por que importa | |
|---|---|---|---|
| Seg 22/Jun | AtlasIntel (nacional) | n=1.200 | Abre a semana; AtlasIntel é instituto Tier 1, alto peso no pricing |
| Ter 23/Jun | Indexa (nacional) | n=2.000 | Nacional de reforço; cross-check da vantagem de Lula |
| Ter 23/Jun | Real Time Big Data | n=2.000 | Segundo registro do dia; escopo a confirmar |
| Qua 24/Jun | Gerp | n=2.000 | Reforço amostral; escopo a confirmar |
| Qui 25/Jun | JOTA (nacional) | n=6.000 | Maior amostra da janela; teste central do gap recorde +26.45pp |
Fonte: registro TSE via API AFOS. A janela 22-26/Jun traz a AtlasIntel (Tier 1) e a JOTA (n=6.000), a maior amostra desde a Datafolha de 20/Jun. Registrada ≠ publicada: inclusão não garante divulgação nem números. Filtro aplicado: amostra ≥ 1.000.
7.Watch list, gatilhos da semana
- JOTA (25/Jun, n=6.000). O maior teste amostral da janela. Um 1º turno abaixo de +10pp, ou um 2º turno na faixa da Datafolha (47 × 43) confirmado, tensiona o gap recorde de +26.45pp.
- AtlasIntel (22/Jun, Tier 1). Instituto de alta reputação abre a semana; um print fora do consenso reprecifica o contrato de vencedor logo na segunda.
- Convergência ou divergência do gap. Vigiar se o mercado mantém o gap acima de +24pp ou começa a convergir para o 1º turno das pesquisas (~+10pp) depois da bateria nacional inteira.
- Decomposição de Renan. O contrato de 3º lugar saltou a 62%; vigiar se consolida ou se um print com Renan acima de 3% no 1º turno reanima o contrato de vencedor (14.25%).
- Caso Master / Wagner no STF. Qualquer ato sobre a operação da PF contra Jaques Wagner que mova o contrato de impeachment para fora de 3.60%.
8.Metodologia
AFOS Tradeoff agrega três sinais sem mediá-los em composto: Polymarket (denominado em USD, latência ~30min), pesquisas registradas no TSE (intenção declarada, periodicidade variável) e 400+ fontes de imprensa (event flow). Quando os três divergem, a divergência é o sinal, não o consenso. Volume USD é reportado junto da probabilidade implícita para separar convicção de spike artificial. Liquidez (profundidade de book) não é citada inline pois liquidez baixa em Polymarket não significa preço errado (arbitragem ativa em minutos), e expor o número técnico gera misread em audiência leiga.
Séries de Δ semana derivam de snapshots persistidos diariamente no Neon (15-21/Jun), em base consistente com o pipeline do dashboard. Código fonte, dados brutos e síntese editorial diária (PT/EN/ES) sob licença Apache 2.0: afos-analytics.com · github.com/AFOS-Analytics.
9.Leitura adicional · cobertura macro
Matérias e seções relevantes da semana em veículos de referência. AFOS Tradeoff é fonte primária (Polymarket + TSE + pesquisas); as referências abaixo são leitura complementar para alinhamento de contexto macro. Atenção: parte opera com paywall.
- G1 · Datafolha 2º turno: Lula tem 47% e Flávio Bolsonaro, 43% (20/Jun), g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/pesquisa-eleitoral/noticia/2026/06/20/datafolha-2o-turno-lula-tem-47-e-flavio-bolsonaro-43.ghtml
- Folha de S.Paulo · Aliados de Jaques Wagner temem efeito da operação da PF no palanque de Lula na Bahia (21/Jun)(paywall), www.folha.uol.com.br/poder/
- Reuters · seção Americas/Brazil, fluxo político e risco-país, www.reuters.com/world/americas/
- Valor Econômico · política e risco fiscal; inflação acima da meta no acumulado(paywall), valor.globo.com/politica/
- Bloomberg Línea · cobertura Brasil/mercados emergentes e BRL(paywall), www.bloomberglinea.com.br/
- InfoMoney · política e mercado (acesso aberto), www.infomoney.com.br/politica/
Referências de contexto macro. O sinal primário desta edição (gap recorde Lula × Flávio mantido através da bateria de pesquisas, e a consolidação de Renan no 3º lugar) é observação direta do pricing Polymarket cruzado com o registro TSE, não derivado das matérias acima.
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