AFOS Analytics
Pricing político em tempo real
Mercado de previsão × pesquisas × imprensa
sem médias suavizadas
A semana de 17 a 21 de agosto foi a primeira desde julho em que o mercado presidencial se moveu de forma direcional e sustentada. O intervalo entre Lula e Flávio Bolsonaro fechou de 33.10pp para 29.30pp no contrato presidencial, uma compressão de 3.80pp em cinco pregões, e o movimento veio mais da alta do segundo colocado (+1.80pp, de 31.40% para 33.20%) do que da queda do líder (-2.00pp, de 64.50% para 62.50%). Os dois números são fechamentos de 17/Ago e de 21/Ago, e a escolha da ponta importa: medido do topo intradiário da segunda contra o piso da sexta, o mesmo movimento apareceria como 7.00pp, quase o dobro. Esta edição usa fechamento diário em todos os contratos, e declara isso porque o critério muda a manchete.
O que torna a semana relevante para quem precifica risco não é a compressão em si, e sim o que a régua fez enquanto ela acontecia. Em 21/Ago, o último pregão da janela, duas pesquisas nacionais foram publicadas no mesmo dia e se invertem no segundo turno: a Datafolha (n=2.058, margem de 2pp) dá Lula 47% contra 43%, e a Veritá (n=3.840, margem de 2pp) dá Flávio Bolsonaro 47.3% contra 42%. São 9.30pp de distância entre dois instrumentos que mediram a mesma coisa, com campo sobreposto, e cuja divulgação separou horas. No primeiro turno a amplitude entre as três nacionais da semana chega a 6.80pp, de 0.2pp na Veritá a 7.0pp na Datafolha. O preço se moveu 3.80pp numa direção enquanto a medição perdeu a capacidade de dizer qual é o nível. Duas ressalvas de método fecham o quadro. A primeira é de captura: a trava da casa reprovou o contrato de segundo lugar numa das rodadas de domingo, com as duas leituras discordando em 0.65pp, e liberou na rodada seguinte; o valor publicado aqui é o da rodada aprovada. A segunda é de estrutura: os cinco maiores volumes acumulados do livro somam USD 55.733.279, ou 42.3% do total, e carregam 4.05% de probabilidade somada. Volume acumulado registra o dinheiro que passou desde abril, não a convicção de hoje, e num livro com essa distribuição a leitura de liquidez precisa dizer qual das duas coisas está medindo.
1.Executive Summary
O tema da semana é a distância entre a firmeza do preço e a instabilidade da medição. O mercado presidencial comprimiu 3.80pp de forma monotônica, sem reversão em nenhum dos cinco fechamentos, e o contrato de terceiro lugar acompanhou, com Renan Santos indo de 52.50% para 55.50%. No mesmo período, três pesquisas nacionais registradas produziram leituras que vão de empate técnico a sete pontos de vantagem no primeiro turno, e duas delas trocam o vencedor do segundo turno. Para um leitor de mesa, a implicação é direta: nesta janela, o intervalo de confiança relevante não é o da amostra declarada em cada pesquisa, e sim a distância entre pesquisas. Nenhuma das duas incertezas é capturada por uma média. Contra a edição anterior, o contraste é de regime. A №13 carimbou o intervalo em 35.60pp em 16/Ago e descreveu um preço praticamente imóvel; esta edição carimba 29.65pp em 23/Ago. São 5.95pp entre carimbos, numa janela de sete dias que não coincide com a de pregões usada na grade, e as duas contas são reportadas separadamente de propósito. A dispersão entre institutos caiu de 13.7pp para 6.80pp no mesmo intervalo, mas com sete nacionais na janela anterior contra três nesta: parte da queda é composição da amostra de pesquisas, não convergência entre elas.
2.Por que o AFOS não suaviza
O caso desta semana é o mais limpo que o painel já registrou para o argumento central do AFOS, e ele não depende de nenhuma escolha editorial nossa: as duas nacionais de 21/Ago foram a campo em janelas sobrepostas, foram registradas no TSE, e chegaram a conclusões opostas sobre quem vence o segundo turno. O campo da Veritá foi de 16 a 20/Ago e o da Datafolha de 18 a 20/Ago, com três dias de sobreposição, então a diferença não se explica por dias de distância entre as coletas.
<strong>Por que importa:</strong> a média não é conservadora aqui, é afirmativa. Ela produz um empate técnico que nenhuma das três medições sustenta, e apaga o único fato acionável da semana, que é a discordância entre instrumentos sobre a mesma grandeza no mesmo dia. Quem precifica com a média está precificando um cenário que ninguém mediu.
A régua de confiabilidade da casa, publicada por pesquisa no painel, dá 5 à Datafolha e 2 à Veritá, e a Veritá tem a amostra maior das duas. Amostra maior e confiabilidade menor apontam em direções opostas, e o painel não resolve esse conflito por ponderação: ele exibe as duas leituras e a régua ao lado, para que o leitor faça a escolha declarando o critério. Ponderar aqui seria embutir no número uma decisão que é do leitor.
O mesmo arcabouço aplicado ao Brasil, medir a distância entre mercado de previsão e pesquisas e conferir o sinal com o resultado real das urnas, já foi checado contra onze eleições em quatro continentes, entre elas Índia, França, Reino Unido, México e Estados Unidos (2024), Coreia do Sul, Chile, Alemanha e Canadá (2025) e Peru e Colômbia (2026). A Índia é o único caso em que mercado e pesquisas erraram juntos na mesma direção. O método reporta convergência e divergência sem ajuste retroativo. O dataset é aberto sob Apache 2.0 e tem DOI permanente no Harvard Dataverse.
3.Cenários ponderados para a semana
Os três cenários abaixo se referem à janela de 24 a 30 de agosto, em que cinco pesquisas nacionais estão registradas para divulgação, somando 14.800 entrevistas. As probabilidades são aproximações do redator sobre o comportamento do preço, não saída de modelo, e não constituem recomendação.
As cinco nacionais da semana chegam distribuídas em torno da faixa da Datafolha e do BTG/Nexus, com o primeiro turno entre cinco e sete pontos, e a Veritá fica isolada como ponto extremo da janela. Nesse caso a compressão do preço perde tração perto de 29pp a 30pp, porque o intervalo de 29.65pp já embute uma leitura mais favorável ao segundo colocado do que a mediana das pesquisas registradas. O contrato de terceiro lugar tende a seguir estável, com Renan Santos em 56.00% contra 41.00% de Ronaldo Caiado.
As nacionais da semana confirmam o estreitamento medido pela Veritá, e o primeiro turno passa a mostrar disputa dentro da margem em mais de uma casa. Nesse caso o intervalo de 29.65pp deixa de ser piso e passa a ser teto, e a compressão continua. O ponto de atenção é que este cenário exige que o instituto com a menor confiabilidade da régua da casa esteja certo contra dois com confiabilidade maior, o que já aconteceu em outras séries e não é descartável.
A pesquisa do JOTA Jornalismo, registrada para 26/Ago com n=6.000 e campo de 27 de julho a 24 de agosto, é a maior amostra e a janela de campo mais longa do calendário. Campo de quase um mês mede um período em que o preço andou 3.80pp, então ela pode publicar um número que não corresponde a nenhum momento específico da série. Se ela sair fora da faixa das demais, o efeito no preço tende a ser maior que o de uma pesquisa comum, pela amostra, e menos informativo que o de uma pesquisa comum, pelo campo.
4.Indicator Grid
| Contrato | Atual | Δ semana | Vol USD acum. | Leitura implícita |
|---|---|---|---|---|
| Lula, presidencial | 62.50% | -2.00pp | USD 8.895.288 | Fechou os cinco pregões sem alta. Ficou parado em 63.50% de 18 a 20/Ago e cedeu 1.00pp no fechamento de sexta. |
| Flávio Bolsonaro, presidencial | 32.85% | +1.80pp | USD 8.795.662 | Todo o ganho da semana saiu de um único pregão: 31.40% no fechamento de 17/Ago para 33.20% no de 18/Ago, e o resto da semana oscilou dentro dessa faixa. |
| Renan Santos, presidencial | 3.75% | +0.10pp | USD 10.698.439 | Segundo maior volume individual do livro, acima dos dois primeiros colocados, e paga menos de quatro pontos. |
| Renan Santos, 3º lugar no 1º turno | 56.00% | +3.00pp | USD 192.789 | Maior variação percentual da grade. Subiu de 52.50% para 55.50% na semana enquanto o preço dele no presidencial ficou parado. |
| Ronaldo Caiado, 3º lugar no 1º turno | 41.00% | 0.00pp | USD 58.397 | Fechou a semana no mesmo nível em que a abriu, apesar de aparecer com 5% em duas das três nacionais da janela. |
| Flávio Bolsonaro, 2º lugar no 1º turno | 86.50% | -1.50pp | USD 363.372 | Cedeu na semana enquanto subia no presidencial. Livro fino: a trava de captura reprovou este contrato numa das rodadas de domingo e liberou na seguinte. |
| Impeachment de ministro do STF antes de 2027 | 3.35% | 0.00pp | USD 83.737 | Sem variação nos cinco pregões, incluindo a semana em que o Supremo decidiu sobre indicação de emendas por presidentes de partido. |
| PL com a maior bancada no Senado | 78.00% | +2.00pp | USD 259.384 | Subiu de 77.00% para 79.00% na semana e devolveu parte no fim de semana. O MDB é o segundo, em 16.55%. |
| IPCA 2026 entre 5.00% e 5.49% | 51.05% | +3.20pp | USD 14.547 | A faixa central passou de 47.10% para 50.30% na semana, tirando peso da faixa de 5.50% a 5.99%, que cedeu 1.20pp. |
5.Liquidez e estrutura de mercado
Os cinco maiores volumes do livro somam USD 55.733.279, ou 42.3% do total negociado, e carregam 4.05% de probabilidade somada na leitura confirmada de 23/Ago. Os dois primeiros colocados, que somam 95.35% de probabilidade, respondem por USD 17.690.950, ou 13.4% do livro. A leitura correta não é que o mercado esteja errado: volume acumulado mede quanto dinheiro passou pelo contrato desde a abertura, em abril, e não a convicção de hoje. Tarcísio de Freitas abriu campanha à reeleição em São Paulo em 16/Ago e não é candidato à Presidência; o volume dele é o registro de uma tese que foi negociada e desfeita, não de uma posição viva. A exceção da lista é Renan Santos, segundo maior volume do livro e único dos cinco com probabilidade acima de um ponto: ele paga 3.75% no presidencial e 56.00% no contrato de terceiro lugar, o que torna o volume dele compatível com posição corrente, e não apenas com giro histórico.
Volume acumulado é informativo e não orientativo. A profundidade do book não é citada nesta publicação, por decisão editorial de 21/Mai/2026: em mercado arbitrado continuamente, liquidez baixa não implica preço errado, e expor o número sem esse contexto produz leitura torta.
6.Calendário de prints price-relevant
| Data | Amostra | Por que importa | |
|---|---|---|---|
| 24/Ago | Nexus | n=2.000 | Primeira nacional depois do par contraditório de 21/Ago. Protocolo BR-09028/2026. |
| 25/Ago | Gerp | n=2.400 | Casa com série no painel desde julho, o que permite comparação interna. Protocolo BR-03547/2026. |
| 26/Ago | JOTA Jornalismo | n=6.000 | Maior amostra do calendário e campo de 27/Jul a 24/Ago, quase um mês. Protocolo BR-07806/2026. |
| 26/Ago | Indexa | n=2.000 | Segunda divulgação do mesmo dia, o que repete a configuração de 21/Ago. Protocolo BR-06366/2026. |
| 27/Ago | PoderData | n=2.400 | Fecha a janela de cinco nacionais em quatro dias. Protocolo BR-04974/2026. |
Datas de divulgação prevista no registro público do TSE, com corte de escopo nacional e amostra igual ou maior que 1.000. Outros 58 registros do mesmo período ficaram de fora por escopo, sendo 57 estaduais e 1 sem escopo identificado. Registro é anterior à divulgação: institutos podem atrasar ou cancelar, e confirmar publicação efetiva exige duas fontes primárias antes de citar número.
7.Watch list, gatilhos da semana
- Se duas das cinco nacionais da semana repetirem o primeiro turno dentro da margem a leitura da Veritá deixa de ser ponto isolado e passa a ser a segunda observação de um estreitamento. É o gatilho que mais rapidamente reprecificaria o intervalo de 29.65pp.
- A pesquisa do JOTA, em 26/Ago, com n=6.000 e campo de 29 dias tem a maior amostra e a janela mais longa do calendário. Campo longo sobre um período em que o preço andou 3.80pp mede uma média do movimento, não o nível atual.
- Duas divulgações no mesmo dia em 26/Ago, JOTA e Indexa repetem a configuração de 21/Ago. Se elas também divergirem, a amplitude entre institutos deixa de ser evento e passa a ser característica da janela.
- O contrato de terceiro lugar, que subiu 3.00pp na semana move-se mais que o presidencial e com volume trinta e cinco vezes menor. Movimento grande em livro fino exige confirmação antes de virar leitura.
- O salto de 18/Ago no contrato do segundo colocado concentrou todo o ganho da semana num pregão em que o noticiário foi dominado por pesquisas estaduais do Paraná. O painel registra a coincidência e não afirma causalidade: o escopo do AFOS é nacional, e pesquisa estadual não entra na régua.
8.Metodologia
O AFOS não pondera pesquisas nem constrói média de institutos. Reporta o preço do mercado de previsão, cada pesquisa nacional registrada no TSE com sua amostra, margem e régua de confiabilidade, e a cobertura de imprensa, deixando visível onde os três discordam. Todo preço publicado passa por duas leituras independentes separadas por oito minutos e só sai quando elas concordam dentro de 0.20pp; a trava certifica por livro, e um livro reprovado não é publicado.
As variações semanais desta edição usam o fechamento de cada dia, e não o primeiro e o último ponto da janela, porque a segunda escolha teria devolvido uma compressão de 7.00pp em vez de 3.80pp para o mesmo movimento. A série vem do backup diário do banco, e não da rota de histórico, que para o mercado presidencial brasileiro mistura contratos de prefixo semelhante. Código e método são abertos sob Apache 2.0 no GitHub, e os datasets têm DOI permanente no Harvard Dataverse.
9.Leitura adicional · cobertura macro
O AFOS é a fonte primária desta análise. As referências abaixo são leitura complementar de contexto macro e não sustentam nenhuma das medições acima.
- Folha de S.Paulo · Cobertura da Datafolha de 21/Ago, primeira nacional da casa após o início da campanha e a primeira a incluir Pablo Marçal no cenário estimulado.(paywall), www1.folha.uol.com.br/poder/
- Valor Econômico · Acompanhamento do calendário eleitoral e do efeito das pesquisas sobre ativos domésticos.(paywall), valor.globo.com/politica/
- Poder360 · Agregação de pesquisas registradas no TSE com protocolo e data de campo, útil para conferir divulgação efetiva., www.poder360.com.br/
- Reuters Brasil · Cobertura em inglês do ciclo eleitoral, referência para leitores fora do país., www.reuters.com/world/americas/
- Banco Central do Brasil, Focus · Relatório semanal de expectativas de mercado, contraponto institucional ao contrato de inflação citado na grade., www.bcb.gov.br/publicacoes/focus
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