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sem médias suavizadas
A semana de 31 de agosto a 4 de setembro comprimiu o intervalo presidencial pela segunda vez seguida, e a mecânica foi o oposto da semana anterior. O vão entre Lula e Flávio Bolsonaro no contrato presidencial fechou de 16.20pp para 14.90pp, uma compressão de 1.30pp em cinco pregões, contra 9.70pp na semana de 24 a 28 de agosto. O que muda não é o tamanho, é de onde ele veio: na semana anterior o líder cedeu 5.00pp e o segundo colocado subiu 4.70pp, com as duas pontas se movendo quase meio a meio. Nesta, o líder fechou os cinco pregões exatamente onde abriu, em 55.50%, e a compressão inteira saiu do segundo colocado, que subiu de 39.30% para 40.60%. Duas semanas de compressão produzidas por motores diferentes não são a mesma tendência medida duas vezes.
E o livro presidencial foi a parte mais quieta de uma semana violenta. O repreçamento aconteceu nos contratos ao redor. O contrato de saída de ministro do Supremo por impeachment antes de 2027 saiu de 3.60% para 15.10%, uma alta de 11.50pp que multiplica o preço por mais de quatro em cinco pregões, com um caminho que não se parece com convergência: 3.60, 11.50, 6.10, 12.20, 15.10. No contrato de terceiro lugar do primeiro turno, Ronaldo Caiado perdeu 21.50pp, de 30.50% para 9.00%, enquanto Renan Santos ganhou 5.00pp. Um livro de USD 1.01M inverteu a ordem do pelotão em uma semana.
As seis pesquisas nacionais da janela não resolvem a leitura, elas a alargam. O intervalo de primeiro turno medido por elas vai de 3 pontos, na PoderData de 3 de setembro, a 9.7 pontos, na AtlasIntel de 31 de agosto, com 6.7 pontos de dispersão entre casas sobre a mesma pergunta e a mesma semana. E no segundo turno duas das seis não dão o líder à frente: a PoderData mede o segundo colocado ganhando por 45 a 44, e a Real Time Big Data mede empate em 44. O preço, que fechou a semana pagando 55.50% no líder, precifica um cenário que duas das seis leituras da urna não sustentam.
1.Executive Summary
O tema da semana é a separação entre onde o preço se moveu e onde a atenção estava. O livro presidencial, que concentra USD 144.15M de volume acumulado, foi o mais quieto dos cinco: o líder não variou um ponto entre a abertura de segunda e o fechamento de sexta. A variação apareceu nos contratos periféricos, e ela foi grande. O contrato de impeachment no Supremo saltou 11.50pp sobre uma base de 3.60%, e o livro de terceiro lugar do primeiro turno inverteu a ordem entre Ronaldo Caiado e Renan Santos com um deslocamento de 21.50pp no primeiro. Nos dois casos o volume acumulado é pequeno, USD 87.664 e USD 1.01M, e isso é característica estrutural desses books, não ruído a descontar: preço fino move mais por ordem, e é justamente por isso que o tamanho do book entra ao lado do número.
2.Por que o AFOS não suaviza
As seis nacionais da semana tinham a mesma pergunta, campo sobreposto e amostras entre 2.000 e 5.014. A média aritmética delas devolve um número limpo e apaga a única informação que o conjunto carrega, que é o tamanho do desacordo.
Por que importa: o intervalo de 6.7 pontos é maior que a margem declarada de qualquer uma das seis, então o desacordo não é ruído amostral, é diferença de método ou de recorte. Quem opera com a média opera com um número que nenhuma das seis casas mediu, e perde a informação de que a leitura do segundo turno está partida ao meio entre elas.
A edição №15 abriu dizendo que a compressão de 9.70pp da semana de 24 a 28 de agosto vinha dividida quase ao meio entre as duas pontas, e que isso a distinguia da semana anterior. A semana seguinte manteve a direção e trocou o motor: comprimiu 1.30pp com o líder imóvel. O registro que interessa aqui é que a direção se repetiu e a mecânica não, e uma leitura que tivesse extrapolado a mecânica da №15 teria errado esta semana mesmo acertando o sinal.
3.Cenários ponderados para a semana
As onze nacionais registradas no TSE com divulgação prevista entre 7 e 11 de setembro concentram, numa única semana, mais leituras do que a série teve em qualquer janela anterior. Os cenários abaixo tratam do que o pricing faz quando elas chegarem.
As onze nacionais chegam distribuídas em torno da faixa central da semana anterior, com o primeiro turno entre 5 e 8 pontos e o segundo dentro da margem declarada. Nesse caso o vão presidencial acomoda entre 13pp e 17pp sem romper nenhuma das bordas recentes, e o contrato de impeachment devolve parte da alta, porque o salto de 11.50pp foi construído sem ato institucional novo em três dos cinco pregões. O livro de terceiro lugar tende a consolidar Augusto Cury acima de 50% com Renan Santos na casa dos 20% a 27%, e Ronaldo Caiado abaixo de 12%, mantendo a ordem que a semana produziu.
As duas casas que mediram o segundo colocado à frente ou empatado no segundo turno não eram exceção, e a leitura se repete em duas ou mais das onze. A Veritá divulgada em 6 de setembro, com campo de 1 a 4 e 3.804 entrevistas, já pôs o segundo colocado numericamente à frente no primeiro turno, em 38.9% contra 38.4%, distância que cabe dentro da margem de 2 pontos e por isso mede empate técnico. Se esse padrão aparecer em casas de confiabilidade mais alta, o vão presidencial rompe para baixo dos 13pp e o preço passa a ter de escolher entre a urna e a própria série, que não registra o líder abaixo de 54.50% desde o início de agosto.
Um ato institucional novo no caso do Supremo recoloca o contrato de impeachment acima dos 15.10% da sexta e o mantém lá. A semana produziu dois atos em 5 de setembro, uma proposta de emenda ao regimento interno protocolada por Gilmar Mendes e um pedido de responsabilização por quebra de sigilo fiscal feito por Cristiano Zanin, e o preço não reagiu a nenhum dos dois: fechou a sexta em 15.10% e estava em 8.60% na leitura confirmada de 6 de setembro. Um livro que sobe 11.50pp numa semana e devolve 6.50pp no fim de semana seguinte não está precificando um caminho, está testando uma faixa.
4.Indicator Grid
| Contrato | Atual | Δ semana | Vol USD acum. | Leitura implícita |
|---|---|---|---|---|
| Lula, presidencial | 55.50% | 0.00pp | USD 9.829.870 | Fechou os cinco pregões exatamente onde abriu. O caminho intra-semana teve uma única variação, a queda de 1.00pp na quinta seguida de recuperação integral na sexta. É a primeira semana da série em que o líder devolve variação zero e o vão comprime mesmo assim. |
| Flávio Bolsonaro, presidencial | 40.60% | +1.30pp | USD 9.743.848 | Toda a compressão da semana. Subiu de 39.30% para 44.00% na quinta e devolveu 3.40pp na sexta, terminando 1.30pp acima da abertura. O volume acumulado dele está a USD 86 mil do líder, praticamente empatado num livro de USD 144.15M. |
| Impeachment no Supremo antes de 2027 | 15.10% | +11.50pp | USD 87.664 | Maior variação relativa da grade, com o preço multiplicado por mais de quatro. O caminho foi 3.60, 11.50, 6.10, 12.20 e 15.10, ou seja duas altas de dois dígitos separadas por uma devolução de 5.40pp no meio da semana. Book de USD 87.664 acumulados, o menor da grade. |
| Caiado, 3º lugar do 1º turno | 9.00% | -21.50pp | USD 114.472 | Maior queda absoluta da grade. Saiu de 30.50% na segunda para 14.00% na terça e 8.50% na quarta, e ficou nessa faixa. Perdeu a segunda posição do livro para Renan Santos dentro da mesma semana. |
| Renan Santos, 3º lugar do 1º turno | 23.50% | +5.00pp | USD 278.938 | Subiu a 30.00% na terça, devolveu até 22.00% na quinta e fechou em 23.50%. Assumiu a segunda posição do livro de terceiro lugar sem que o primeiro colocado se movesse de forma comparável. |
| Augusto Cury, 3º lugar do 1º turno | 53.20% | +0.80pp | USD 125.708 | O líder do livro atravessou a semana quase parado em termos líquidos, com amplitude interna de 12.50pp entre a mínima de 46.50% na terça e a máxima de 59.00% na quinta. A troca de posições atrás dele não passou pelo preço dele. |
| Flávio Bolsonaro, 2º lugar do 1º turno | 88.50% | +2.00pp | USD 612.294 | Fechou a semana em 88.50% depois de recuar até 84.00% na quinta. É o contrato em que o mercado concentra a convicção sobre esse nome, e ele paga mais que o dobro do que o contrato presidencial paga. |
| PL, maioria no Senado | 82.50% | +3.50pp | USD 260.543 | Subiu de 79.00% para 83.50% na quarta e estabilizou. O MDB, segundo colocado do livro, cedeu 2.20pp no mesmo período, num contrato de USD 8.909 acumulados em que uma ordem pequena desloca vários pontos. |
| Inflação anual entre 5.00% e 5.49% | 42.35% | 0.00pp | USD 15.649 | A faixa modal do livro de inflação não se moveu na semana. É o único contrato da grade cujo preço não responde ao calendário eleitoral, e serve aqui como linha de base para separar movimento de mercado de movimento de tema. |
5.Liquidez e estrutura de mercado
Os dois maiores volumes acumulados do livro pagam 0.05% e 1.75%. Tarcisio de Freitas, com USD 14.07M, não é candidato à Presidência e disputa a reeleição em São Paulo; o contrato segue aberto por herança do desenho do mercado. Renan Santos, com USD 12.72M, é o segundo maior volume do livro e o quarto preço entre os nomes acima de 1%. Volume acumulado é dinheiro que já passou pelo contrato desde a abertura e não diz para que lado ele foi, então a leitura correta é que essas duas linhas concentraram negociação em algum momento do ciclo, não que o mercado as considere prováveis hoje.
Volume é acumulado desde a abertura de cada contrato, medido na leitura de 6 de setembro às 16:53 UTC. O AFOS não cita profundidade de book em texto editorial: liquidez baixa em mercado arbitrado continuamente não significa preço errado, e expor o número técnico induz a leitura oposta.
6.Calendário de prints price-relevant
| Data | Amostra | Por que importa | |
|---|---|---|---|
| 07/Set | Quaest/Genial | n=2.004 | Tier 1. Mediu 7 pontos no 1º turno em 2 de setembro e 42 a 41 no 2º turno, a leitura mais apertada entre as casas de confiabilidade 5 da semana. |
| 08/Set | Nexus | n=2.000 | Série BTG/Nexus mediu 6 pontos em 31 de agosto. Repetição do patamar confirma a faixa central; ruptura para baixo de 4 aproxima a série da PoderData. |
| 09/Set | PALVER | n=5.000 | Segunda maior amostra da semana e metodologia distinta das demais. Amostra grande estreita a margem declarada e torna a leitura menos descartável como ponto isolado. |
| 10/Set | AtlasIntel/Bloomberg | n=5.000 | Tier 1. Foi a casa que mediu o maior vão da semana anterior, 9.7 pontos com margem de 1. Confirmação mantém a borda superior da dispersão onde está. |
| 11/Set | Veritá | n=40.500 | Maior amostra já registrada na série para uma nacional, oito vezes a segunda maior da janela. A casa tem confiabilidade 2 na régua da casa e a rodada anterior dela pôs o segundo colocado à frente. |
| 11/Set | Datafolha | n=2.002 | Tier 1. Mediu 7 pontos no 1º turno e 46 a 44 no 2º em 3 de setembro. É a série mais longa da janela e a referência contra a qual as demais são lidas. |
Onze nacionais têm divulgação prevista entre 7 e 11 de setembro, e a tabela lista as seis de maior peso por amostra ou por confiabilidade. Registro no TSE é compromisso de divulgação, não garantia: institutos atrasam e cancelam, e a data prevista não antecipa nenhum número. Uma ressalva de método sobre a linha da Real Time Big Data, que não entra nesta tabela: o escopo nacional daquele registro é derivado por nós do texto do plano amostral, e a conferência da casa não sustenta o rótulo, porque o plano amostral desse instituto declara universo nacional também nas pesquisas estaduais dele.
7.Watch list, gatilhos da semana
- O líder rompendo os 54.50% O contrato presidencial não registra o líder abaixo desse nível desde o início de agosto. Com onze nacionais chegando em cinco dias, é o primeiro limite testável, e romper para baixo colocaria o preço abaixo da faixa que ele sustentou durante toda a compressão de duas semanas.
- A segunda casa a medir inversão no 1º turno A Veritá de 6 de setembro pôs o segundo colocado à frente por 0.5 ponto, dentro da margem, e é a segunda nacional da janela nessa ordem depois da Gerp de 26 de agosto. Uma terceira, vinda de casa com confiabilidade 4 ou 5, deixa de ser ponto isolado.
- O contrato de impeachment acima de 15.10% A máxima da semana virou o nível de referência. O preço já devolveu 6.50pp desde a sexta e está em 8.60% na leitura confirmada de 6 de setembro. Voltar acima da máxima com ato institucional novo é diferente de voltar sem, e a distinção define se o livro está precificando um caminho ou testando uma faixa.
- A ordem do livro de terceiro lugar Renan Santos passou Ronaldo Caiado com um deslocamento de 21.50pp no segundo. O livro tem USD 1.01M acumulados e reordenou em três pregões, então a estabilidade da nova ordem é a pergunta, não a ordem em si.
- A dispersão das seis casas se estreitando ou não O intervalo de 6.7 pontos entre AtlasIntel e PoderData é maior que a margem declarada de qualquer uma delas. Se as onze da próxima semana entregarem dispersão semelhante, o desacordo é estrutural de método e não de amostra, e isso muda como o conjunto deve ser lido daqui em diante.
8.Metodologia
O AFOS não produz média ponderada e não arbitra entre fontes. A leitura cruza três sinais que medem coisas diferentes: preço de mercado de previsão, que é probabilidade implícita negociada em dólar; pesquisa registrada no TSE, que é intenção de voto declarada; e fluxo de imprensa sobre atos institucionais. Onde eles divergem, a divergência é o dado, e reduzi-la a um número único apagaria exatamente a informação que a torna útil.
Os preços desta edição vêm da leitura confirmada de 6 de setembro às 16:53 UTC, e o AFOS só publica preço que duas leituras independentes, tomadas com oito minutos de intervalo, confirmem dentro de 0.20 ponto. As variações semanais são medidas fechamento a fechamento, do último ponto de 31 de agosto ao último ponto de 4 de setembro, sobre a série completa gravada desde 14 de abril. Todo superlativo declara a janela em que vale. Código e método são abertos sob Apache 2.0 em github.com/andrefelipe-afos/afos-analitica-2026.
9.Leitura adicional · cobertura macro
Leitura complementar de contexto macro. O AFOS é fonte primária sobre a divergência entre mercado e pesquisa; os links abaixo cobrem o pano de fundo fiscal e político que os contratos não medem diretamente.
- Valor Econômico · Cobertura diária da eleição de 2026 e do impacto fiscal do calendário eleitoral.(paywall), valor.globo.com/politica/eleicoes-2026/
- Reuters Brazil · Fluxo em inglês sobre política e câmbio, útil para leitura de investidor estrangeiro., www.reuters.com/world/americas/
- Bloomberg Línea Brasil · Análise de mercado com foco em ativos brasileiros e prêmio de risco político.(paywall), www.bloomberglinea.com.br/
- Poder360 · Acompanhamento de pesquisas registradas e de agenda institucional, acesso aberto., www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/
- Registro público do TSE · Consulta oficial de pesquisas eleitorais registradas, fonte primária do calendário desta edição., divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/
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