AFOS Analytics
Pricing político em tempo real
Mercado de previsão × pesquisas × imprensa
sem médias suavizadas
A semana de 7 a 11 de setembro não comprimiu o intervalo presidencial, ela o inverteu. O vão entre Lula e Flávio Bolsonaro no contrato presidencial saiu de 18.60pp a favor do primeiro na segunda para 6.70pp a favor do segundo na sexta, um deslocamento de 25.30pp em cinco pregões. Medido sobre as 576 capturas pareadas da série aberta em 14 de abril, esse é o maior deslocamento semanal já registrado neste livro, contra 18.00pp na semana de 11 a 15 de maio, que foi a única outra a inverter. A liderança trocou de mãos em 10 de setembro às 13h00 UTC e foi a primeira troca em 120 dias, desde 13 de maio.
A mecânica não é de uma ponta só, e é isso que separa esta semana das duas anteriores. O líder cedeu 13.00pp, de 58.50% para 45.50%, e o segundo colocado subiu 12.30pp, de 39.90% para 52.20%. Os dois lados se moveram quase meio a meio, o que não acontecia desde a semana de 24 a 28 de agosto. E o contrato de segundo lugar do primeiro turno se moveu em espelho, o que é a confirmação interna de que o livro repreçou quem ganha e não ruído: Flávio Bolsonaro perdeu 13.00pp de probabilidade de terminar em segundo, de 88.50% para 75.50%, e Lula ganhou 15.00pp, de 8.40% para 23.40%.
As oito nacionais divulgadas na janela explicam o repreçamento e, ao mesmo tempo, recusam a leitura simples. No par de segundo turno, cinco das oito põem Flávio Bolsonaro à frente, duas medem empate e apenas uma, a Datafolha de 11 de setembro, dá o par ao líder do primeiro turno. No primeiro turno o quadro é o inverso: seis das oito mantêm Lula à frente, com uma dispersão que vai de Flávio +3.0 pontos, na Gerp de 9 de setembro, a Lula +7.0 pontos, na Quaest/Genial de 7 de setembro. São 10 pontos de intervalo entre casas sobre a mesma pergunta na mesma semana. Os dois turnos não se contradizem: eles medem perguntas diferentes, e o contrato presidencial precifica a segunda.
1.Executive Summary
O tema da semana é uma inversão, e a parte útil dela não é o fato de ter acontecido, é a coerência entre os instrumentos que a acompanharam. O contrato de vencedor virou, o contrato de segundo lugar virou em espelho, e cinco das oito nacionais da janela já colocavam o segundo colocado à frente no par de segundo turno antes de a liderança trocar no preço. Três medições independentes apontando na mesma direção na mesma semana é raro nesta série, que passou agosto inteiro com preço e urna andando em sentidos opostos. O que continua aberto é o primeiro turno, onde seis das oito casas mantêm o líder anterior na frente, com dispersão de 10 pontos entre a maior e a menor leitura.
2.Por que o AFOS não suaviza
As oito nacionais divulgadas entre 7 e 11 de setembro tinham a mesma pergunta de primeiro turno, campo sobreposto e amostras de 1.500 a 5.000 entrevistas. Uma média ponderada delas produz um número com aparência de consenso e apaga o fato central da semana: duas casas de confiabilidade comparável mediram vencedores diferentes.
Por que importa: o intervalo de 10 pontos é maior que a soma das margens declaradas por qualquer par de casas da janela, o que significa que a diferença entre elas não é explicável por erro amostral. A média de 2.6 pontos não corresponde ao que nenhuma das oito mediu, e o contrato presidencial, que precifica o segundo turno e não o primeiro, virou na direção das cinco casas que a média dilui.
A edição №16 atribuiu cerca de 60% ao cenário base, no qual o vão presidencial acomodaria entre 13pp e 17pp sem romper nenhuma borda recente, e cerca de 30% ao cenário contrário ao pricing, que dizia que as casas medindo o segundo colocado à frente ou empatado no segundo turno não eram exceção e que a leitura se repetiria. O que aconteceu foi o cenário de 30%, e aconteceu mais forte do que estava escrito: não foram duas casas, foram cinco de oito, e o vão não rompeu apenas para baixo dos 13pp, ele inverteu o sinal. O cenário base errou nas duas pontas do intervalo que declarou. A cauda de 10%, que previa o contrato de impeachment voltando acima de 15.10% e se mantendo lá, também não se realizou: ele fechou a semana em 7.30%. Registrar isso importa mais que registrar os acertos, porque um cenário de 30% que se realiza e um de 60% que falha na mesma semana dizem que a distribuição estava deslocada, não que a leitura estava certa por outro caminho.
3.Cenários ponderados para a semana
A semana de 14 a 18 de setembro é a mais carregada de prints já registrada nesta série. O registro do Tribunal Superior Eleitoral traz doze pesquisas nacionais com divulgação prevista na janela, cinco delas concentradas em 17 de setembro e a Veritá de 40.500 entrevistas em 18 de setembro. Em 21 de agosto duas nacionais divulgadas no mesmo dia chegaram a inverter o par de segundo turno entre si, e agora são cinco no mesmo dia.
As doze nacionais confirmam o padrão que cinco das oito já mediram, com o par de segundo turno dentro da margem declarada e o segundo colocado do primeiro turno à frente ou empatado na maioria delas. Nesse caso o vão presidencial se acomoda entre 2pp e 10pp a favor de quem virou, sem romper os 14.30pp que a semana produziu como máxima, e o livro passa a tratar a inversão como nível e não como excursão. O primeiro turno continua dando o líder anterior à frente, porque a transferência de votos dos candidatos eliminados é o que separa os dois cenários, e um mercado que precifica o vencedor não tem obrigação de concordar com o primeiro turno.
A concentração de cinco prints em 17 de setembro devolve o que a semana anterior tirou. A Datafolha de 11 de setembro já foi nessa direção, medindo 46 a 44 para o líder do primeiro turno depois de sete leituras que não o davam à frente no par, e ela é a leitura mais recente da janela. Se duas ou três das doze repetirem esse padrão, o contrato de vencedor passa a ter de escolher entre a inversão que acabou de precificar e a casa de maior confiabilidade da semana, e o vão volta a cruzar o zero. A série já mostrou que essa borda é atravessável: ela foi atravessada duas vezes em quatro dias, em 12 de setembro de manhã e de novo antes do meio-dia.
A sessão do Supremo marcada para 15 de setembro produz um ato que recoloca o contrato de impeachment acima da faixa de 8% em que ele passou a semana. O livro tem USD 90 mil acumulados e recebeu USD 3 mil na janela, então ele é fino o bastante para que ordens isoladas produzam deslocamentos de dois dígitos, como os 11.50pp da semana de 31 de agosto e os 7.80pp devolvidos desde então. O que torna esta cauda diferente das anteriores é que a sessão está marcada e é pública, o que remove a incerteza de calendário e deixa apenas a de conteúdo.
4.Indicator Grid
| Contrato | Atual | Δ semana | Vol USD acum. | Leitura implícita |
|---|---|---|---|---|
| Flávio Bolsonaro, presidencial | 52.20% | +12.30pp | USD 10.40M | Assumiu a liderança do livro em 10 de setembro às 13h00 UTC, primeira troca em 120 dias. Máxima intra-semana de 55.10% na quinta. Recebeu USD 562 mil de dinheiro novo na janela. |
| Lula, presidencial | 45.50% | -13.00pp | USD 10.74M | Maior queda semanal dele na série. Saiu de 58.50% e registrou mínima de 43.50% na quinta. Recebeu USD 811 mil, o maior aporte individual do livro na semana. |
| Vão presidencial, Flávio menos Lula | +6.70pp | +25.30pp | USD 148.54M | Maior deslocamento semanal das 576 capturas pareadas desde 14 de abril. Caminho: -18.60, -7.40, -5.90, +11.60, +6.70. A máxima de 14.30pp foi registrada às 06h30 UTC de sexta. |
| Flávio Bolsonaro, 2º lugar do 1º turno | 75.50% | -13.00pp | USD 731 mil | Espelho do contrato de vencedor, e a simetria é a confirmação interna: quem sobe na probabilidade de ganhar desce na de terminar em segundo. |
| Lula, 2º lugar do 1º turno | 23.40% | +15.00pp | USD 602 mil | Quase triplicou em cinco pregões, de 8.40% para 23.40%. Recebeu USD 127 mil, o maior aporte do livro de segundo lugar na semana. |
| Renan Santos, 3º lugar do 1º turno | 38.50% | +11.00pp | USD 297 mil | Máxima de 44.00% na quarta. Movimento grande num livro que recebeu USD 17 mil na semana, e book desse tamanho move dois dígitos com ordem pequena. |
| Ronaldo Caiado, 3º lugar do 1º turno | 4.50% | -6.00pp | USD 118 mil | Segunda semana seguida de queda naquele contrato, depois dos 21.50pp perdidos na janela anterior. Saiu de 10.50% e fechou abaixo de 5%. |
| Impeachment no Supremo antes de 2027 | 7.30% | -1.00pp | USD 90 mil | O delta semanal esconde o caminho: 8.30, 4.40, 4.90, 4.60, 7.30. Contra o fechamento de 15.10% em 4 de setembro, são 7.80pp devolvidos em duas semanas. |
| PL, maioria no Senado | 83.50% | +1.00pp | USD 261 mil | O contrato mais quieto do painel numa das semanas mais móveis da série. Não recebeu dinheiro novo na janela, e a faixa de fechamento foi de 82.50% a 83.50%. |
5.Liquidez e estrutura de mercado
O livro recebeu USD 3.76M de dinheiro novo na semana, e o segundo maior aporte individual não foi para nenhum dos dois nomes que se moveram. Romeu Zema recebeu USD 638 mil e fechou os cinco pregões em 0.20%, com faixa registrada de 0.20% a 0.20%, ou seja sem variação nenhuma. No outro extremo, Tarcisio de Freitas tem o maior volume acumulado do livro, USD 14.07M, e recebeu exatamente zero na janela, com preço parado em 0.10%. Os dois casos são de natureza oposta e a mesma leitura vale para ambos: volume acumulado é histórico de negociação e não é convicção corrente. Quem lê o ranking de volume como ranking de probabilidade lê o livro ao contrário, e os dois primeiros colocados por volume pagam 0.10% e 1.80%.
Volume é acumulado desde a abertura de cada contrato. Os valores da semana são medidos nos fechamentos gravados de 7 e de 11 de setembro; os preços da tabela são os fechamentos de 11 de setembro. O AFOS não cita profundidade de book em texto editorial, porque liquidez baixa num mercado arbitrado continuamente não significa preço errado.
6.Calendário de prints price-relevant
| Data | Amostra | Por que importa | |
|---|---|---|---|
| 14/Set | Quaest/Genial e NEXUS | n=2.004 e n=2.000 | Tier 1 na Quaest. Ela mediu 41 a 41 no segundo turno em 7 de setembro, o empate que abriu a sequência, e é a primeira das duas a ter leitura comparável dentro da própria série. |
| 15/Set | MDA e Indexa | n=2.002 e n=2.000 | Duas casas sem leitura na janela anterior. Entram sem série própria recente, o que as torna teste de patamar e não de tendência. |
| 16/Set | Datatrends e American Analytics | n=2.000 cada | Mesmo caso do dia anterior. O valor delas está em alargar ou estreitar o intervalo de 10 pontos que a semana de 7 a 11 produziu. |
| 17/Set | AtlasIntel, PoderData, Gerp, Datafolha e 100 Cidades | de n=2.000 a n=5.000 | CINCO nacionais no mesmo dia, três delas Tier 1. É a maior concentração de prints já registrada nesta série, e as três com série própria mediram leituras incompatíveis entre si na semana anterior. |
| 18/Set | Veritá | n=40.500 | Amostra vinte vezes maior que a mediana da janela. Campo de 13 a 18 de setembro, ou seja atravessa a sessão do Supremo de 15 de setembro, o que a torna a única da semana com campo dos dois lados daquele evento. |
Registro no TSE não é divulgação confirmada: institutos podem atrasar ou cancelar. A tabela lista as doze nacionais da janela com amostra igual ou superior a 1.000; 56 registros estaduais do mesmo período ficam de fora por escopo. Cada protocolo é consultável no registro público do TSE.
7.Watch list, gatilhos da semana
- O vão cruzando o zero de volta A inversão tem quatro pregões de idade e a borda já foi atravessada duas vezes em 12 de setembro, de manhã e antes do meio-dia. Um vão que oscila em torno do zero não é o mesmo que um vão que se firmou de um lado, e a distinção só aparece na contagem de capturas, não no fechamento.
- A segunda casa Tier 1 a repetir a Datafolha A Datafolha de 11 de setembro foi a única das oito a dar o par de segundo turno ao líder do primeiro, por 46 a 44. Se AtlasIntel ou Quaest repetirem esse padrão em 17 de setembro, o preço passa a ter de escolher entre a inversão recém-precificada e as duas casas de maior confiabilidade da janela.
- A dispersão de 10 pontos no primeiro turno O intervalo entre a Gerp, que mede o segundo colocado 3.0 pontos à frente, e a Quaest, que mede o líder 7.0 pontos à frente, é maior que a soma das margens declaradas por qualquer par de casas. Doze prints em cinco dias vão estreitar esse intervalo ou confirmá-lo, e as duas respostas são informativas.
- O livro de terceiro lugar depois de dois deslocamentos Renan Santos subiu 11.00pp nesta semana depois de subir 5.00pp na anterior, e Ronaldo Caiado perdeu 6.00pp depois de perder 21.50pp. A ordem do pelotão mudou duas vezes em duas semanas num livro de USD 760 mil, e movimento dessa amplitude em book desse tamanho não exige fluxo grande.
- O contrato de impeachment na véspera da sessão de 15 de setembro Ele passou a semana entre 4.40% e 8.30% depois de ter fechado 4 de setembro em 15.10%. A sessão está marcada e será pública, o que remove a incerteza de calendário. Um livro de USD 90 mil que já produziu 11.50pp numa semana tem espaço para repetir em qualquer direção.
8.Metodologia
O AFOS não produz média ponderada e não arbitra entre fontes. Ele publica os três sinais lado a lado, preço de contrato, pesquisa registrada e fluxo de imprensa, e reporta a distância entre eles quando ela existe. Preço de mercado só vai ao ar depois de duas leituras independentes separadas por oito minutos que confirmem dentro de 0.20pp, contrato a contrato, e as séries de referência são medidas no backup diário da base e não na interface pública, que trava a janela em noventa dias. Toda afirmação de extremo declara a janela em que foi conferida.
As pesquisas citadas são as registradas no Tribunal Superior Eleitoral, com protocolo, amostra, margem e datas de campo declarados, e o escopo nacional é condição de entrada no quadro comparativo. O código e o método são abertos sob licença Apache 2.0, e os conjuntos de dados são publicados com identificador permanente. Cada alegação factual desta edição liga à fonte primária.
9.Leitura adicional · cobertura macro
Leitura complementar de contexto macro. O AFOS é fonte primária sobre divergência entre mercado e pesquisa; os links abaixo cobrem o pano de fundo econômico e institucional da janela.
- Valor Econômico · Cobertura diária da eleição de 2026 e do impacto fiscal do calendário eleitoral.(paywall), valor.globo.com/politica/eleicoes-2026/
- Reuters Brazil · Fluxo em inglês sobre política e câmbio, útil para leitura de investidor não residente., www.reuters.com/world/americas/
- Bloomberg Línea Brasil · Análise de mercado com foco em ativos brasileiros e prêmio de risco político.(paywall), www.bloomberglinea.com.br/
- Poder360 · Acompanhamento de pesquisas registradas e de agenda institucional do Supremo., www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/
- Registro público do TSE · Consulta oficial de pesquisas eleitorais registradas, fonte primária dos protocolos citados., divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/
Receba por e-mail
O AFOS Tradeoff é a leitura semanal de risco político do Brasil, para quem decide com base em dado, não em manchete.
Sem spam. Cancele quando quiser.
Depois do cadastro você escolhe se quer receber em português, inglês ou espanhol.