AFOS Analytics
Pricing político em tempo real
Mercado de previsão × pesquisas × imprensa
sem médias suavizadas
A semana de 14 a 18 de setembro não desfez a inversão da semana anterior, ela a firmou, e começou fazendo o contrário. Às 12h30 UTC de segunda-feira o vão entre Flávio Bolsonaro e Lula no contrato presidencial estava em 1.60pp, a menor distância desde a troca de liderança, e a inversão precificada na semana anterior tinha quase sumido em uma sessão. Nos quatro pregões seguintes ela andou na direção oposta e fechou a sexta em 14.00pp, um deslocamento de 7.60pp em cinco pregões, o sexto maior das 23 semanas com quatro ou mais pregões da série aberta em 14 de abril.
A mecânica desta semana não é a da anterior. O líder do preço subiu 4.60pp, de 51.90% para 56.50%, e o adversário cedeu 3.00pp, de 45.50% para 42.50%: os dois lados se moveram, mas o de cima moveu mais, e na semana anterior os dois tinham se movido quase meio a meio. O contrato de segundo lugar do primeiro turno confirmou o movimento em espelho pela segunda semana seguida, e é a confirmação interna de que o livro repreçou quem ganha: Flávio Bolsonaro perdeu 5.50pp de probabilidade de terminar em segundo e Lula ganhou exatamente os mesmos 5.50pp.
As dez pesquisas nacionais divulgadas na janela dizem duas coisas diferentes ao mesmo tempo, e essa é a informação da semana. No primeiro turno nove das dez mantêm Lula à frente, e a única exceção é a Gerp. No par de segundo turno a conta se inverte: seis das dez põem Flávio Bolsonaro à frente, e o intervalo entre as pontas é de 14.3 pontos, da CNT/MDA, que mede Lula por 7.3, à Gerp, que mede Flávio Bolsonaro por 7.0. Cinco delas saíram no mesmo dia, 17 de setembro, e sozinhas percorrem 9.0 pontos desse intervalo. O contrato presidencial precifica o segundo turno, e ele andou com as seis.
1.Executive Summary
O tema da semana é a separação entre os dois turnos, e ela ficou mensurável porque a janela teve dez nacionais em vez das duas ou três de uma semana comum. O primeiro turno é quase unânime num sentido, com nove das dez dando o líder anterior à frente. O segundo é majoritário no sentido contrário, com seis das dez dando o par ao segundo colocado do primeiro turno. As duas afirmações são compatíveis, porque medem perguntas diferentes, e a transferência de voto dos eliminados separa uma da outra. O contrato presidencial paga quem vence a eleição, ou seja o segundo turno. O que a semana acrescenta não é a direção, já precificada, é o tamanho da discordância entre casas sobre a mesma pergunta nos mesmos dias.
2.Por que o AFOS não suaviza
As dez nacionais divulgadas entre 14 e 18 de setembro perguntaram o mesmo par de segundo turno, com campo sobreposto e amostras de 2.000 a 5.018 entrevistas. Uma média ponderada delas devolve meio ponto de vantagem para um dos lados, um número que se lê como empate e que apaga o fato central da janela: as casas não discordam sobre a magnitude, elas discordam sobre quem está na frente.
Por que importa: as casas das pontas declaram margens de 2.2 e de 2.0 pontos, cuja soma é 4.2, e o intervalo entre elas é de 14.3 pontos, ou seja 3.4 vezes maior. A diferença não é explicável por erro amostral, e a média de 0.6 ponto descreve um empate que seis das dez casas não mediram.
A edição №17 atribuiu cerca de 55% ao cenário base, no qual o vão se acomodaria entre 2pp e 10pp a favor de quem tinha virado, sem romper os 14.30pp da semana anterior. A direção estava certa e a faixa estava estreita: quatro dos cinco fechamentos ficaram dentro dela, entre 6.40pp e 9.80pp, e o de sexta saiu em 14.00pp, acima do teto declarado e ainda abaixo dos 14.30pp. Cerca de 30% foram para o cenário contrário ao pricing, que previa o vão voltando a cruzar o zero depois dos cinco prints de 17 de setembro. Ele não se realizou, e errou por pouco no primeiro dia: às 12h30 UTC de segunda o vão estava em 1.60pp, e dali em diante só se afastou. Cerca de 15% foram para a cauda, que previa a sessão do Supremo de 15 de setembro recolocando o impeachment acima de 8%. Aqui a distinção importa: o contrato tocou 9.00% às 09h30 UTC daquele dia, acima da faixa, e fechou o dia em 5.00% e a semana em 4.60%. Medida no fechamento, a cauda não aconteceu; medida nas leituras gravadas, ela aconteceu durante parte de uma sessão e não se sustentou.
Errata da edição №17. Aquele calendário listou doze nacionais previstas na janela e dez foram publicadas. As duas ausentes merecem registro pelo motivo. A American Analytics, prevista para 16 de setembro, teve o registro retirado do arquivo público do TSE no próprio dia em que divulgaria. A Veritá, prevista para 18 de setembro, entrou com a linha n=40.500 e a leitura de que era uma amostra vinte vezes maior que a mediana da janela. Essa amostra não é de uma pesquisa nacional: o registro de 40.500 entrevistas é a consolidação de vinte e sete registros estaduais da mesma casa, um por unidade da federação, e a soma dos vinte e sete dá exatamente aquele número. As duas nacionais próprias da Veritá que estão no quadro comparativo do painel, de 21 de agosto e de 6 de setembro, têm 3.840 e 3.804 entrevistas. O número que deveria ter levantado a dúvida estava na nossa própria tabela, dez vezes menor.
3.Cenários ponderados para a semana
A semana de 21 a 25 de setembro repete a forma da anterior com um dia de concentração ainda maior. Três nacionais divulgam na segunda-feira 21, entre elas a Quaest e a NEXUS, que abriram a janela passada, e o registro traz seis nacionais previstas para 24 de setembro. As três casas que abriram a janela anterior voltam a ter leitura comparável dentro da própria série.
As nacionais de 21 e de 24 de setembro mantêm a divisão da janela anterior, com maioria simples dando o par de segundo turno ao líder atual do preço e uma minoria consistente dando ao adversário, e a dispersão entre casas continua acima de 10 pontos. Nesse caso o vão se acomoda entre 12pp e 20pp, que é a faixa em que ele entrou a semana, e o livro deixa de repreçar a cada print isolado. O primeiro turno continua dando o líder anterior à frente na maioria das casas, porque a transferência de voto dos eliminados é o que separa as duas perguntas.
As seis nacionais de 24 de setembro repetem em bloco o que a Datafolha, a CNT/MDA, a BTG/Nexus e a Indexa mediram na janela anterior, e o par de segundo turno volta a ficar do outro lado na maioria. A Datafolha entrou três rodadas seguidas com os mesmos 46 a 44 e é a casa da janela com maior confiabilidade declarada no painel; a CNT/MDA mediu 7.3 pontos do lado dela, com margem de 2.2. Se duas das três maiores amostras do dia 24 confirmarem o padrão, o contrato de vencedor passa a ter de escolher entre a inversão que consolidou em duas semanas e o bloco que não a acompanha, e o vão já atravessou de 1.60pp a 14.00pp dentro da mesma semana.
O contrato de impeachment volta acima de 8% e desta vez fecha o dia lá. A distinção importa porque em 15 de setembro ele já tocou 9.00% e devolveu tudo na mesma sessão. O livro tem USD 92 mil acumulados e recebeu USD 894 na semana inteira, então ele é fino o bastante para que ordens isoladas produzam deslocamentos de dois dígitos, e a amplitude de 5.40pp entre 3.60% e 9.00% aconteceu com esse volume. O que separa esta cauda da anterior é que ela exige permanência e não toque.
4.Indicator Grid
| Contrato | Atual | Δ semana | Vol USD acum. | Leitura implícita |
|---|---|---|---|---|
| Vão presidencial, Flávio menos Lula | +14.00pp | +7.60pp | USD 151.46M | Sexto maior deslocamento das 23 semanas com quatro ou mais pregões. Caminho: +6.40, +6.40, +9.80, +9.70, +14.00, com piso intra-semana de 1.60pp às 12h30 UTC de segunda. |
| Flávio Bolsonaro, presidencial | 56.50% | +4.60pp | USD 11.02M | Piso intra-semana de 50.10% na segunda e topo de 56.50% no próprio fechamento de sexta. Recebeu USD 339 mil na janela. |
| Lula, presidencial | 42.50% | -3.00pp | USD 11.36M | Topo intra-semana de 48.50% na segunda e piso de 42.50% às 03h30 UTC de sexta. Recebeu USD 347 mil, o maior aporte individual do livro. |
| Flávio Bolsonaro, 2º lugar do 1º turno | 70.00% | -5.50pp | USD 0.95M | Segunda semana seguida em espelho com o contrato de vencedor. Topo de 79.00% às 10h00 UTC de quinta, antes de ceder 9.00pp em dois pregões. |
| Lula, 2º lugar do 1º turno | 29.30% | +5.50pp | USD 0.81M | Ganhou exatamente o que o adversário perdeu, e a simetria de 5.50pp é a confirmação interna de que o repreçamento foi de posição. |
| Renan Santos, 3º lugar do 1º turno | 49.00% | +11.50pp | USD 0.35M | Salto de 39.00% para 49.50% num único pregão, entre quarta e quinta. Topo de 53.50% às 04h00 UTC de sexta, amplitude de 18.50pp. |
| Ronaldo Caiado, 3º lugar do 1º turno | 12.00% | -3.50pp | USD 0.14M | Terceira semana seguida de queda. O livro inteiro tem USD 852 mil acumulados, então movimento de dois dígitos aqui não exige fluxo grande. |
| Impeachment no Supremo antes de 2027 | 4.60% | -0.70pp | USD 0.09M | Tocou 9.00% às 09h30 UTC de 15 de setembro, dia da sessão do Supremo, e devolveu tudo no mesmo dia. Amplitude de 5.40pp com USD 894 de dinheiro novo. |
5.Liquidez e estrutura de mercado
Três dos cinco maiores volumes acumulados do livro pertencem a contratos que fecharam a semana pagando 1.00% ou menos, e o maior de todos, Tarcisio de Freitas com USD 14.08M, recebeu USD 4 mil na janela, ou 0.3% do dinheiro novo. O fluxo conta outra história: o livro recebeu USD 1.63M, e depois dos dois nomes que se moveram vêm Romeu Zema, com USD 278 mil, e Jair Bolsonaro, com USD 137 mil, os dois fechando em 0.20% sem sair desse nível em cinco pregões. Somados, levaram um quarto do dinheiro novo da semana sem produzir variação de preço. A leitura vale para os dois extremos: volume acumulado é histórico de negociação desde a abertura do contrato e não é convicção corrente, e quem lê o ranking de volume como ranking de probabilidade lê o livro ao contrário.
Volume é acumulado desde a abertura de cada contrato. O dinheiro novo da semana é a diferença entre os volumes gravados nos fechamentos de 14 e de 18 de setembro, e os preços da tabela são os de 18 de setembro. O AFOS não cita profundidade de book em texto editorial, porque liquidez baixa num mercado arbitrado continuamente não significa preço errado.
6.Calendário de prints price-relevant
| Data | Amostra | Por que importa | |
|---|---|---|---|
| 21/Set | Quaest, NEXUS e American Analytics | n=2.004, n=2.000 e n=2.000 | As duas primeiras abriram a janela anterior e voltam com campo de 17 a 20 e de 18 a 20 de setembro, o que dá leitura comparável dentro da própria série. A terceira é a casa cujo registro anterior saiu do arquivo do TSE em 16 de setembro. |
| 23/Set | AtlasIntel | n=5.000 | Maior amostra da semana, campo de 17 a 22. Na janela anterior mediu a menor distância do par de segundo turno entre as dez, 0.4 ponto, com a menor margem declarada, 1.0. |
| 24/Set | Datafolha | n=2.002 | Campo de 22 a 24, o mais curto e o mais recente do dia. Mediu três rodadas seguidas com o mesmo 46 a 44 e sustenta sozinha o lado minoritário entre as Tier 1. |
| 24/Set | PoderData e PALVER | n=3.000 e n=5.000 | A PoderData mediu 2 pontos de distância em duas rodadas seguidas. A PALVER entra sem leitura na janela anterior, então é teste de patamar e não de tendência. |
| 24/Set | 100 Cidades e ALFA | n=2.000 e n=2.700 | A primeira mediu 4.4 pontos a favor do líder do preço na janela anterior, e foi a leitura que inverteu a Datafolha do mesmo dia. |
| 24/Set | Real Time Big Data | n=2.000 | Entra com o rótulo em conferência: o escopo nacional vem do campo de plano amostral, e o plano desta casa declara nacional em 18 de 18 registros que a metodologia resolveu como estaduais. |
Registro no TSE não é divulgação confirmada, e a janela anterior mostrou as duas formas de a promessa não virar publicação: de doze nacionais previstas, dez saíram, uma teve o registro retirado no dia em que divulgaria e outra tinha como número de capa a soma de vinte e sete registros estaduais. A tabela lista as nacionais com amostra igual ou superior a 1.000 e exclui um registro já retirado do arquivo do TSE com divulgação prevista para 23 de setembro.
7.Watch list, gatilhos da semana
- O vão em 17.55pp na abertura da semana A leitura certificada de 21 de setembro às 03h06 UTC traz Flávio Bolsonaro em 59.05% e Lula em 41.50%, ou 17.55pp. O valor supera o topo de 17.50pp gravado às 01h30 do mesmo dia, que já era o maior das 641 capturas pareadas desde 14 de abril.
- As três casas que se medem contra elas mesmas Quaest, NEXUS e AtlasIntel têm rodada nesta semana e na anterior, com cerca de uma semana entre os campos. É a primeira janela em que a dispersão pode ser medida casa contra ela mesma, e essa conta isola movimento de eleitorado.
- A casa que saiu do registro e volta hoje A American Analytics teve o registro de 16 de setembro retirado do arquivo do TSE no próprio dia da divulgação prevista, e a mesma casa tem registro marcado para hoje, com a mesma assinatura de amostra, custo e metodologia. O registro não declara motivo de retirada, e assinatura igual não prova re-registro.
- O terceiro lugar depois de duas semanas de dois dígitos Renan Santos subiu 11.50pp depois de 11.00pp na semana anterior, e chegou a 53.50% na madrugada de sexta. O livro tem USD 852 mil acumulados e recebeu USD 88 mil. Duas semanas assim num book desse tamanho estabelecem patamar ou antecedem devolução.
- O impeachment e a diferença entre tocar e fechar O contrato tocou 9.00% na manhã de 15 de setembro e fechou o dia em 5.00%. Enquanto o livro receber menos de mil dólares por semana, excursões dessa amplitude vão aparecer nas leituras gravadas e sumir nos fechamentos.
8.Metodologia
O AFOS não produz média ponderada e não arbitra entre fontes. Ele publica os três sinais lado a lado, preço de contrato, pesquisa registrada e fluxo de imprensa, e reporta a distância entre eles quando ela existe. Preço de mercado só vai ao ar depois de duas leituras independentes separadas por oito minutos que confirmem dentro de 0.20pp, contrato a contrato, e as séries de referência são medidas no backup diário da base e não na interface pública, que trava a janela em noventa dias. Toda afirmação de extremo declara a janela em que foi conferida, e todo valor posterior ao fechamento da semana coberta sai com a hora da leitura.
As pesquisas citadas são as registradas no Tribunal Superior Eleitoral, com protocolo, amostra, margem e datas de campo declarados, e o escopo nacional é condição de entrada no quadro comparativo. Quando o rótulo de escopo depende de um campo de texto que a casa repete sem distinguir, a edição diz isso na linha em vez de publicar o rótulo como fato. O código e o método são abertos sob licença Apache 2.0. Cada alegação factual desta edição liga à fonte primária.
9.Leitura adicional · cobertura macro
Leitura complementar de contexto macro. O AFOS é fonte primária sobre divergência entre mercado e pesquisa; os links abaixo cobrem o pano de fundo econômico e institucional da janela.
- Valor Econômico · Cobertura diária da eleição de 2026 e do impacto fiscal do calendário eleitoral.(paywall), valor.globo.com/politica/eleicoes-2026/
- Reuters Brazil · Fluxo em inglês sobre política e câmbio, útil para leitura de investidor não residente., www.reuters.com/world/americas/
- Poder360 · Registro de pesquisas eleitorais com protocolo e histórico por instituto., www.poder360.com.br/pesquisas/
- Gazeta do Povo · Cobertura de divulgações de pesquisa com checagem do registro no TSE., www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/
Receba por e-mail
O AFOS Tradeoff é a leitura semanal de risco político do Brasil, para quem decide com base em dado, não em manchete.
Sem spam. Cancele quando quiser.
Depois do cadastro você escolhe se quer receber em português, inglês ou espanhol.