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Pricing político em tempo real
Mercado de previsão × pesquisas × imprensa
sem médias suavizadas
Esta é a edição de abertura da cobertura das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, em 3 de novembro de 2026, e ela não reporta uma semana. Reporta o estado do tabuleiro, de onde vem cada número e o que este brief se recusa a fazer. A numeração semanal começa na Edição №2. O motivo é de método e é melhor dito na primeira linha: a coleta de mercado da casa foi ligada em 28 de julho, então a série própria cobre três dos cinco pregões da semana passada, e reportar 'a semana' com três dias seria vender cobertura que não temos. Some-se a isso que os dois contratos principais não se moveram: no contrato da Câmara os democratas seguem em 85,50% e no do Senado os republicanos em 55,50%, ambos com variação de 0,00pp entre 29 e 31 de julho. O que se moveu foi a pesquisa: a média da casa do generic ballot saiu de D+6,57 em 29/Jul para D+5,57 em 31/Jul. Registramos a diferença de comportamento, não uma causa: três pregões não separam repreço de troca de composição da amostra, e a própria média mudou de base, de 22 para 21 pesquisas na janela de 30 dias. Leitura de mercado de 31/07, 19:49 BRT.
1.Executive Summary
O tabuleiro que este brief passa a acompanhar tem duas casas em disputa e comportamentos diferentes em cada uma. Na Câmara, o mercado está longe do empate: 85,50% para os democratas contra 13,50% para os republicanos. No Senado, está perto: 55,50% para os republicanos contra 43,50% para os democratas. A distribuição de cadeiras do Senado, um mercado que não tem equivalente no Brasil, mostra por que: a faixa mais provável é republicanos com 47 cadeiras ou menos, a 23,50%, mas as faixas de 49, 50 e 51 cadeiras somam mais de 42%, ou seja, o mercado precifica maioria apertada como o desfecho central. A cadeira 50 é a que decide, porque o empate é resolvido pelo voto de desempate da vice-presidência. Do lado das pesquisas, a média da casa está em D+5,57, e a dispersão entre institutos recentes é o achado que mais importa nesta abertura: a Quinnipiac mediu D+7 e a Reuters/Ipsos D+2 com campo praticamente na mesma janela. Cinco pontos de distância entre duas casas de primeira linha, na mesma semana. Um número único de média esconde exatamente isso, e é por esse motivo que a seção seguinte existe.
2.Por que este brief não subtrai o mercado da pesquisa
A tentação, num painel que mostra os dois lados, é fazer a conta: o mercado dá 85,50% aos democratas na Câmara, a pesquisa dá D+5,57, então bastaria subtrair e anunciar a divergência. Este brief não faz essa conta, e não é modéstia: é que o resultado não significaria nada.
O que se cruza aqui, então, é direção e movimento, nunca nível. Serve dizer que a pesquisa andou um ponto e o preço não andou nada, como aconteceu entre 29 e 31 de julho. Não serve dizer que a distância entre eles é de tantos pontos. Existe um mercado que mediria a mesma grandeza da pesquisa, o de margem do voto popular, e ele resolveria o problema de vez. Hoje ele não serve, e isso está medido: as faixas dele somam 146,3% quando uma distribuição coerente soma perto de 100%, com apenas USD 113 mil de volume. Ele é coletado todo dia e fica fora da tela até as contas fecharem. Registramos também o que enfraquece a leitura desta abertura: três pregões são pouco para afirmar que o preço ignorou a pesquisa, e a própria média mudou de base no período.
3.Cenários ponderados para a semana
Cenários ancorados na distribuição de cadeiras que o próprio mercado precifica, e não em narrativa. Esse é um ponto em que a cobertura dos Estados Unidos difere da do Brasil: aqui existe um contrato que dá a probabilidade de cada faixa de cadeiras, então o cenário não precisa ser inventado, basta ser lido. As faixas do Senado somam 100,3%, dentro do portão de coerência da casa.
As faixas de 49, 50 e 51 cadeiras republicanas concentram mais de 42% da probabilidade, e a de 47 ou menos sozinha marca 23,50%. Somadas, as faixas que dão o Senado aos republicanos batem com os 55,50% do contrato de controle, o que é uma checagem de coerência entre dois mercados independentes e não uma previsão da casa. Na Câmara o quadro é outro: a faixa mais provável é republicanos abaixo de 190 cadeiras, a 22,00%, consistente com os 85,50% de probabilidade democrata no contrato de controle. O que vigiar é se essas duas leituras continuam concordando entre si.
Entre 29 e 31 de julho a média do generic ballot cedeu 1,00pp e os dois contratos principais ficaram parados. Se esse padrão persistir por duas ou três semanas, com a média caindo e o contrato da Câmara ancorado acima de 85%, a leitura passa a ser que o mercado está precificando geografia, e não voto: maioria democrata em votos que não se converte em cadeiras na mesma proporção. A assinatura seria a distribuição de cadeiras da Câmara se deslocar sem que o contrato de controle se mova. É o teste mais direto da tese de que as duas grandezas não se subtraem.
O contrato de margem do voto popular mede a mesma grandeza do generic ballot. No dia em que as faixas dele somarem entre 95% e 105% e o volume sair do patamar atual de USD 113 mil, o cruzamento passa a ser ponto contra ponto, sem modelo e sem ressalva. Hoje ele soma 146,3%, com quase metade da probabilidade parada numa única linha de escape. É um mercado com volume duas ordens de grandeza abaixo do contrato da Câmara, então basta pouco dinheiro para reprecificá-lo, para melhor ou para pior.
5.Liquidez e estrutura de mercado
A distância de liquidez entre o primeiro e o último é de três ordens de grandeza. Num mercado de USD 11,8 mil, um único participante desloca o preço, e a leitura vale menos do que o número sugere. Por isso este brief não trata movimento de faixa fina como sinal.
⚠️ O volume é do Polymarket, uma casa entre outras, e não do mercado americano inteiro. A Kalshi está fora da cobertura por decisão declarada, e isso é uma limitação real deste painel, não um detalhe de implementação.
6.Calendário eleitoral até novembro
| Data | Amostra | Por que importa | |
|---|---|---|---|
| 3 Nov 2026 | Dia da eleição | Câmara inteira + parte do Senado | Data de resolução de todos os contratos acompanhados aqui. É a única data certa deste calendário |
| Ao longo do ano | Primárias estaduais | calendário próprio de cada estado | Não estão na base da casa. Quando entrarem, entram com fonte, e não por estimativa |
| Semanal | Trackers nacionais do generic ballot | 21 institutos na janela de 30 dias | A média da casa roda uma vez por dia sobre o índice; a publicação de cada instituto é que é semanal |
| Diário | Captura de mercado da casa | 8 mercados, a cada 30 minutos | Com garantia de ponto diário mesmo quando o preço não se move, para a série não virar registro de mudanças |
3 de novembro de 2026: dia da eleição, com toda a Câmara e parte do Senado em disputa. É a data de resolução de todos os contratos acompanhados aqui. Primárias estaduais: ocorrem ao longo do ano, com calendário próprio de cada estado, e não estão na base da casa; quando entrarem, entram com fonte. Cadência das pesquisas: os trackers nacionais publicam em ritmo semanal, e a média da casa roda uma vez por dia. ⚠️ Como não há registro prévio, este brief nunca anuncia pesquisa que ainda não saiu, ao contrário da edição brasileira.
7.Watch list, gatilhos da semana
- As duas leituras do Senado continuam concordando? O contrato de controle dá 55,50% aos republicanos e a soma das faixas de cadeiras que lhes dão maioria bate com isso. São dois mercados independentes medindo a mesma coisa por caminhos diferentes. Se descolarem, um dos dois está errado, e o suspeito natural é o de menor volume.
- A dispersão entre institutos é maior que o movimento da média. Quinnipiac mediu D+7 e Reuters/Ipsos D+2 com campo praticamente na mesma janela. Cinco pontos entre duas casas de primeira linha, contra 1,00pp de variação da média em três dias. Enquanto o spread entre casas dominar o movimento da média, o número agregado diz menos do que parece.
- A soma das faixas da margem do voto popular. É o número que decide se o cruzamento direto passa a existir, porque esse mercado mede a mesma grandeza da pesquisa. Hoje soma 146,3%, com quase metade da probabilidade parada numa única linha de escape. O portão para ir à tela é somar entre 95% e 105%.
- O comparecimento é o contrato mais fino do conjunto. Com USD 11,8 mil acumulados, é o primeiro que distorce quando entra dinheiro, e o primeiro lugar onde um movimento vai parecer sinal sem ser. Ele está na tela porque a soma das faixas fecha, não porque o volume o recomende.
8.Metodologia
Mercado: Polymarket, via proxy próprio, com captura a cada 30 minutos e garantia de ponto diário mesmo quando o preço não se move. Mercado de faixa só é exibido se as faixas somarem entre 95% e 105%; fora disso é coletado e não exibido, com a soma medida à vista. Pesquisas: a Wikipédia é usada como ÍNDICE de quais pesquisas existem e quem publicou, e cada número é atribuído ao instituto com link para a fonte primária. O AFOS não redistribui tabela de terceiro. A média é aritmética simples, sem ponderação e sem excluir instituto, porque ponderar exigiria uma régua pública de qualidade, e não existe uma desde que o FiveThirtyEight fechou, em março de 2025. Quando o mesmo instituto publica mais de um recorte da mesma rodada, entra um só, pela hierarquia provável votante > eleitor registrado > adultos: nesta leitura, a Reuters/Ipsos entrou com o recorte de eleitores registrados, em D+2, e o de adultos, em D+4, ficou de fora. Da leitura de 31/Jul, 278 linhas foram publicadas de 279 lidas, uma descartada por forma ilegível na origem, e nenhuma ficou sem link para a fonte primária. Os agregadores americanos não entram: aquilo é modelo de terceiro. O AFOS relata o cruzamento. Não faz previsão, não recomenda posição e não diz quem vai ganhar.
9.Leitura adicional · cobertura macro
Matérias da janela em veículos da lista fixa do AFOS. O Tradeoff é fonte primária (Polymarket + índice de pesquisas); as referências abaixo são leitura complementar de contexto e a leitura é de quem publicou, não da casa. Os endereços apontam para o veículo, não para agregador. Atenção: parte opera com paywall.
- NBC News · Mandela Barnes desiste da disputa ao governo de Wisconsin (31/Jul), www.nbcnews.com/politics/2026-election/democrat-mandela-barnes-drops-wisconsin-governors-race-rcna590096
- NBC News · Candidatos democratas ao Senado adotam nova estratégia em estados rurais: desistir (30/Jul), www.nbcnews.com/politics/2026-election/democratic-senate-candidates-pursue-new-strategy-rural-states-dropping-rcna589868
- Axios · Democratas divididos diante da primária do Senado em Michigan (31/Jul), www.axios.com/2026/07/31/democrats-michigan-el-sayed-stevens-senate-primary
- Fox News · Pesquisa Fox News: divisões republicanas moldam a disputa ao Senado no Texas (30/Jul), www.foxnews.com/politics/fox-news-poll-gop-divisions-shape-texas-senate-race
- The New York Times · Elon Musk planeja ao menos USD 100 milhões nas midterms para ajudar os republicanos (30/Jul)(paywall), www.nytimes.com/2026/07/30/us/politics/elon-musk-midterms-republicans.html
- CBS News · Quatro grandes organizações latinas se unem pela primeira vez para mobilizar eleitores (30/Jul), www.cbsnews.com/news/latino-organizations-voters-2026-midterm-elections/
- CNN · Bakari Sellers: "nunca fique otimista com os democratas" (30/Jul), edition.cnn.com/2026/07/30/politics/video/bakari-sellers-dont-ever-get-optimistic-about-democrats
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