AFOS Tradeoff · USA-2026 midterms Political Risk Weekly

AFOS Analytics

Pricing político em tempo real
Mercado de previsão × pesquisas × imprensa
sem médias suavizadas

Estados Unidos·Edição1·Semana de 27-31 julho 2026·Publicada Segunda 07:00 BRT
Sinal da semana

Esta é a edição de abertura da cobertura das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, em 3 de novembro de 2026, e ela não reporta uma semana. Reporta o estado do tabuleiro, de onde vem cada número e o que este brief se recusa a fazer. A numeração semanal começa na Edição №2. O motivo é de método e é melhor dito na primeira linha: a coleta de mercado da casa foi ligada em 28 de julho, então a série própria cobre três dos cinco pregões da semana passada, e reportar 'a semana' com três dias seria vender cobertura que não temos. Some-se a isso que os dois contratos principais não se moveram: no contrato da Câmara os democratas seguem em 85,50% e no do Senado os republicanos em 55,50%, ambos com variação de 0,00pp entre 29 e 31 de julho. O que se moveu foi a pesquisa: a média da casa do generic ballot saiu de D+6,57 em 29/Jul para D+5,57 em 31/Jul. Registramos a diferença de comportamento, não uma causa: três pregões não separam repreço de troca de composição da amostra, e a própria média mudou de base, de 22 para 21 pesquisas na janela de 30 dias. Leitura de mercado de 31/07, 19:49 BRT.

1.Executive Summary

Câmara · controle
85,50%
0,00pp desde 29/Jul
Probabilidade de os democratas controlarem a Câmara. É o contrato mais líquido do conjunto, com USD 8,91M acumulados, e não se moveu em três pregões
Senado · controle
55,50%
0,00pp desde 27/Jul
Probabilidade de os republicanos controlarem o Senado, com USD 3,44M. É o único contrato do conjunto com série anterior a julho, e o único em que a semana inteira está coberta
Generic ballot · média AFOS
D+5,57
↓1,00pp desde 29/Jul
Vantagem democrata na intenção de voto para a Câmara, média simples de 21 pesquisas de 21 institutos na janela de 30 dias. Parte do movimento é troca de composição, não opinião

O tabuleiro que este brief passa a acompanhar tem duas casas em disputa e comportamentos diferentes em cada uma. Na Câmara, o mercado está longe do empate: 85,50% para os democratas contra 13,50% para os republicanos. No Senado, está perto: 55,50% para os republicanos contra 43,50% para os democratas. A distribuição de cadeiras do Senado, um mercado que não tem equivalente no Brasil, mostra por que: a faixa mais provável é republicanos com 47 cadeiras ou menos, a 23,50%, mas as faixas de 49, 50 e 51 cadeiras somam mais de 42%, ou seja, o mercado precifica maioria apertada como o desfecho central. A cadeira 50 é a que decide, porque o empate é resolvido pelo voto de desempate da vice-presidência. Do lado das pesquisas, a média da casa está em D+5,57, e a dispersão entre institutos recentes é o achado que mais importa nesta abertura: a Quinnipiac mediu D+7 e a Reuters/Ipsos D+2 com campo praticamente na mesma janela. Cinco pontos de distância entre duas casas de primeira linha, na mesma semana. Um número único de média esconde exatamente isso, e é por esse motivo que a seção seguinte existe.

2.Por que este brief não subtrai o mercado da pesquisa

A tentação, num painel que mostra os dois lados, é fazer a conta: o mercado dá 85,50% aos democratas na Câmara, a pesquisa dá D+5,57, então bastaria subtrair e anunciar a divergência. Este brief não faz essa conta, e não é modéstia: é que o resultado não significaria nada.

Duas grandezas diferentes, e por que a subtração não existe
Se subtraísse
85,50 − 5,57 = 79,93
O número não tem unidade. **Probabilidade menos pontos de voto** não resulta em probabilidade nem em pontos
Ele mudaria de tamanho se a pesquisa fosse expressa em outra escala, sem que nada tivesse acontecido no mundo
E daria a impressão de precisão onde há duas medições que nem sequer perguntam a mesma coisa
O que cada uma mede
Controle da casa · vantagem em pontos de voto
Mercado: probabilidade de um partido controlar a Câmara. É uma aposta sobre cadeiras, e cadeira depende de geografia
Pesquisa: em quem o eleitor votaria para o Congresso no distrito dele, somado nacionalmente. É voto, não cadeira
Em 2012 os democratas tiveram mais votos e menos cadeiras. A diferença entre as duas grandezas pode ser inteiramente desenho de distrito

O que se cruza aqui, então, é direção e movimento, nunca nível. Serve dizer que a pesquisa andou um ponto e o preço não andou nada, como aconteceu entre 29 e 31 de julho. Não serve dizer que a distância entre eles é de tantos pontos. Existe um mercado que mediria a mesma grandeza da pesquisa, o de margem do voto popular, e ele resolveria o problema de vez. Hoje ele não serve, e isso está medido: as faixas dele somam 146,3% quando uma distribuição coerente soma perto de 100%, com apenas USD 113 mil de volume. Ele é coletado todo dia e fica fora da tela até as contas fecharem. Registramos também o que enfraquece a leitura desta abertura: três pregões são pouco para afirmar que o preço ignorou a pesquisa, e a própria média mudou de base no período.

3.Cenários ponderados para a semana

Cenários ancorados na distribuição de cadeiras que o próprio mercado precifica, e não em narrativa. Esse é um ponto em que a cobertura dos Estados Unidos difere da do Brasil: aqui existe um contrato que dá a probabilidade de cada faixa de cadeiras, então o cenário não precisa ser inventado, basta ser lido. As faixas do Senado somam 100,3%, dentro do portão de coerência da casa.

Cenário base · o mercado precifica maioria apertada no Senado

As faixas de 49, 50 e 51 cadeiras republicanas concentram mais de 42% da probabilidade, e a de 47 ou menos sozinha marca 23,50%. Somadas, as faixas que dão o Senado aos republicanos batem com os 55,50% do contrato de controle, o que é uma checagem de coerência entre dois mercados independentes e não uma previsão da casa. Na Câmara o quadro é outro: a faixa mais provável é republicanos abaixo de 190 cadeiras, a 22,00%, consistente com os 85,50% de probabilidade democrata no contrato de controle. O que vigiar é se essas duas leituras continuam concordando entre si.

Cenário contrário ao pricing · a pesquisa continua andando e o preço não

Entre 29 e 31 de julho a média do generic ballot cedeu 1,00pp e os dois contratos principais ficaram parados. Se esse padrão persistir por duas ou três semanas, com a média caindo e o contrato da Câmara ancorado acima de 85%, a leitura passa a ser que o mercado está precificando geografia, e não voto: maioria democrata em votos que não se converte em cadeiras na mesma proporção. A assinatura seria a distribuição de cadeiras da Câmara se deslocar sem que o contrato de controle se mova. É o teste mais direto da tese de que as duas grandezas não se subtraem.

Cauda · o mercado de margem amadurece e o cruzamento fica direto

O contrato de margem do voto popular mede a mesma grandeza do generic ballot. No dia em que as faixas dele somarem entre 95% e 105% e o volume sair do patamar atual de USD 113 mil, o cruzamento passa a ser ponto contra ponto, sem modelo e sem ressalva. Hoje ele soma 146,3%, com quase metade da probabilidade parada numa única linha de escape. É um mercado com volume duas ordens de grandeza abaixo do contrato da Câmara, então basta pouco dinheiro para reprecificá-lo, para melhor ou para pior.

5.Liquidez e estrutura de mercado

Volume acumulado no conjunto das midterms · vol. acumulado desde aberturaUSD 16,43M
1Câmara · controle85,50% DemUSD 8,91M
2Senado · controle55,50% RepUSD 3,44M
3Cadeiras no Senadosoma 100,3%USD 2,73M
4Governos estaduaissoma 101,7%USD 684 mil
5Cadeiras na Câmarasoma 103,7%USD 279 mil
6Margem do voto popularsoma 146,3% · fora da telaUSD 113 mil
7Comparecimentosoma 99,3%USD 11,8 mil
Anomalia de leitura.

A distância de liquidez entre o primeiro e o último é de três ordens de grandeza. Num mercado de USD 11,8 mil, um único participante desloca o preço, e a leitura vale menos do que o número sugere. Por isso este brief não trata movimento de faixa fina como sinal.

⚠️ O volume é do Polymarket, uma casa entre outras, e não do mercado americano inteiro. A Kalshi está fora da cobertura por decisão declarada, e isso é uma limitação real deste painel, não um detalhe de implementação.

6.Calendário eleitoral até novembro

DataPrintAmostraPor que importa
3 Nov 2026Dia da eleiçãoCâmara inteira + parte do SenadoData de resolução de todos os contratos acompanhados aqui. É a única data certa deste calendário
Ao longo do anoPrimárias estaduaiscalendário próprio de cada estadoNão estão na base da casa. Quando entrarem, entram com fonte, e não por estimativa
SemanalTrackers nacionais do generic ballot21 institutos na janela de 30 diasA média da casa roda uma vez por dia sobre o índice; a publicação de cada instituto é que é semanal
DiárioCaptura de mercado da casa8 mercados, a cada 30 minutosCom garantia de ponto diário mesmo quando o preço não se move, para a série não virar registro de mudanças

3 de novembro de 2026: dia da eleição, com toda a Câmara e parte do Senado em disputa. É a data de resolução de todos os contratos acompanhados aqui. Primárias estaduais: ocorrem ao longo do ano, com calendário próprio de cada estado, e não estão na base da casa; quando entrarem, entram com fonte. Cadência das pesquisas: os trackers nacionais publicam em ritmo semanal, e a média da casa roda uma vez por dia. ⚠️ Como não há registro prévio, este brief nunca anuncia pesquisa que ainda não saiu, ao contrário da edição brasileira.

7.Watch list, gatilhos da semana

  1. As duas leituras do Senado continuam concordando? O contrato de controle dá 55,50% aos republicanos e a soma das faixas de cadeiras que lhes dão maioria bate com isso. São dois mercados independentes medindo a mesma coisa por caminhos diferentes. Se descolarem, um dos dois está errado, e o suspeito natural é o de menor volume.
  2. A dispersão entre institutos é maior que o movimento da média. Quinnipiac mediu D+7 e Reuters/Ipsos D+2 com campo praticamente na mesma janela. Cinco pontos entre duas casas de primeira linha, contra 1,00pp de variação da média em três dias. Enquanto o spread entre casas dominar o movimento da média, o número agregado diz menos do que parece.
  3. A soma das faixas da margem do voto popular. É o número que decide se o cruzamento direto passa a existir, porque esse mercado mede a mesma grandeza da pesquisa. Hoje soma 146,3%, com quase metade da probabilidade parada numa única linha de escape. O portão para ir à tela é somar entre 95% e 105%.
  4. O comparecimento é o contrato mais fino do conjunto. Com USD 11,8 mil acumulados, é o primeiro que distorce quando entra dinheiro, e o primeiro lugar onde um movimento vai parecer sinal sem ser. Ele está na tela porque a soma das faixas fecha, não porque o volume o recomende.

8.Metodologia

Mercado: Polymarket, via proxy próprio, com captura a cada 30 minutos e garantia de ponto diário mesmo quando o preço não se move. Mercado de faixa só é exibido se as faixas somarem entre 95% e 105%; fora disso é coletado e não exibido, com a soma medida à vista. Pesquisas: a Wikipédia é usada como ÍNDICE de quais pesquisas existem e quem publicou, e cada número é atribuído ao instituto com link para a fonte primária. O AFOS não redistribui tabela de terceiro. A média é aritmética simples, sem ponderação e sem excluir instituto, porque ponderar exigiria uma régua pública de qualidade, e não existe uma desde que o FiveThirtyEight fechou, em março de 2025. Quando o mesmo instituto publica mais de um recorte da mesma rodada, entra um só, pela hierarquia provável votante > eleitor registrado > adultos: nesta leitura, a Reuters/Ipsos entrou com o recorte de eleitores registrados, em D+2, e o de adultos, em D+4, ficou de fora. Da leitura de 31/Jul, 278 linhas foram publicadas de 279 lidas, uma descartada por forma ilegível na origem, e nenhuma ficou sem link para a fonte primária. Os agregadores americanos não entram: aquilo é modelo de terceiro. O AFOS relata o cruzamento. Não faz previsão, não recomenda posição e não diz quem vai ganhar.

9.Leitura adicional · cobertura macro

Matérias da janela em veículos da lista fixa do AFOS. O Tradeoff é fonte primária (Polymarket + índice de pesquisas); as referências abaixo são leitura complementar de contexto e a leitura é de quem publicou, não da casa. Os endereços apontam para o veículo, não para agregador. Atenção: parte opera com paywall.

Aviso obrigatório. Este brief é pesquisa observacional sobre infraestrutura de mercados de previsão, pesquisas eleitorais e fluxo de notícias. Não constitui recomendação de investimento. Nenhuma posição é recomendada ou implícita. Polymarket é mercado USD-denominado operando fora da jurisdição brasileira; volumes mencionados são informativos, não orientativos. Decisões de portfólio são responsabilidade exclusiva do leitor e devem considerar análise independente, perfil de risco e regulamentação aplicável.
AFOS
AFOS Analytics
Global Political Risk Intelligence · GLOBAL POR DESIGN

Receba por e-mail

O AFOS Tradeoff é a leitura semanal de risco político do Brasil, para quem decide com base em dado, não em manchete.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Depois do cadastro você escolhe se quer receber em português, inglês ou espanhol.

AFOS Tradeoff · EUA · Edição №1 · Abertura da cobertura | AFOS Analytics