AFOS Daily · Síntese do Dia

8 de junho de 2026

Mercado de Previsão × Pesquisas × Notícias

Síntese gerada com base em dados auditáveis. Cada alegação cita sua fonte.

Segunda de continuidade no mercado: Lula seguiu estável em 40,50% e Flávio cedeu 0,10pp para 27,15%, com o gap entre os dois no topo do ciclo (+13,35pp). O fato do dia foi institucional: o presidente do TSE, Nunes Marques, suspendeu em liminar a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel que apontava queda de Flávio, atendendo a pedido do próprio senador por suposta indução do eleitor; a campanha de Lula falou em precedente perigoso. Sem pesquisa nacional nova, a Vox de 5 de junho segue como referência e a Quaest é dada como iminente para quarta-feira, 10 de junho. O volume acumulado do mercado presidencial está em torno de USD 97M.

1. Mercado de previsão

O dia 8 de junho foi de continuidade no mercado. No mercado presidencial do Polymarket, Lula ficou estável em 40,50% (vol USD 6,18M acumulado) e Flávio Bolsonaro cedeu 0,10pp, para 27,15% (vol USD 6,51M). Com isso, o gap entre os dois ficou em +13,35pp (↑0,10pp em relação a 7 de junho), no topo do ciclo recente. O movimento marginal veio do lado de Flávio, e não há evento da janela que justifique uma virada de preço: a leitura é de digestão técnica num patamar já elevado para Lula.

Na terceira via e nos secundários, Renan Santos subiu 0,20pp no mercado de vencedor, para 17,55% (vol USD 6,68M), terceiro colocado. Camilo Santana manteve o quarto lugar presidencial, com 3,85% (↑0,10pp), à frente de Fernando Haddad, que cedeu 0,15pp para 2,95% (vol USD 5,60M), e de Romeu Zema, que interrompeu uma sequência de quedas e subiu 0,15pp para 2,20% (vol USD 3,51M). Ronaldo Caiado ficou estável no piso, em 1,75% (vol USD 3,90M). O salto de Camilo dos dias anteriores segue sem leitura clara nas notícias e com volume relativamente baixo, sinal de posição especulativa de baixa convicção que o AFOS registra como ponto a monitorar, não como tendência.

Nos mercados de colocação, Flávio manteve a liderança isolada do segundo lugar no primeiro turno, com 63,50% (vol USD 61k), enquanto Renan aparece em segundo nesse mesmo mercado, com 17,00%. No mercado de terceiro lugar, Renan é o favorito, com 45,50% (↑0,50pp, vol USD 79k), à frente de Zema e Caiado. São três perguntas distintas: quem vence, quem termina em segundo e quem termina em terceiro no primeiro turno.

Nos contratos institucionais e macro, o impeachment de algum ministro do STF antes de 2027 repicou 0,30pp, para 5,45% (vol USD 79k), patamar baixo. No Senado, o PL segue amplamente favorito a fazer a maior bancada, com 72,50% (vol USD 243k). Na inflação de 2026, a banda modal continua a de 5,00% a 5,49%, mas a soma das faixas de 6,00% ou mais responde por cerca de metade do mercado, sinal de que a cauda inflacionária segue precificada. No agregado, o mercado presidencial soma cerca de USD 97M em volume acumulado, o que reforça que se trata de dinheiro real em jogo, e não de simples enquete.

2. O que os institutos registraram

Não houve pesquisa nacional nova em 8 de junho. A referência segue a Vox Brasil de 5 de junho (n=2.100, protocolo BR-08016/2026), que deu no primeiro turno Lula com 42,1% e Flávio com 33,6% (gap de +8,5pp), e no segundo turno Lula 47,8% contra Flávio 41,3%, com Lula empatando tecnicamente com Caiado e Zema. A ingestão do registro do TSE não trouxe novos levantamentos nacionais publicados; o fluxo recente é predominantemente estadual.

O fato do dia, porém, foi sobre as próprias pesquisas. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu em liminar a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel (protocolo BR-06939/2026, originalmente publicada em 19 de maio), atendendo a um pedido do PL e do senador Flávio Bolsonaro. A decisão aponta suposta indução do eleitor: segundo o tribunal, o questionário incluiu, depois das perguntas de intenção de voto, um áudio do diálogo entre Flávio e Daniel Vorcaro, e outras 27 pesquisas da AtlasIntel não traziam perguntas semelhantes nem veicularam áudio. O instituto foi intimado a apresentar documentação técnica sobre a metodologia, e a decisão, liminar, será submetida ao referendo do plenário. A imprensa trata a próxima rodada da Quaest como iminente para quarta-feira, 10 de junho, avaliando também Flávio, Trump e as tarifas, mas o levantamento ainda não foi publicado.

📅 Calendário de pesquisas — próximos 7 dias

Pesquisas registradas no TSE com publicação prevista entre 9 e 12 de junho. Inclusão na tabela não significa publicação confirmada: institutos podem atrasar ou cancelar a divulgação. Filtro aplicado: amostra igual ou superior a 1.000. O registro classifica as 12 como estaduais, mas a marcação de escopo vem genérica no retorno (todas com UF=BR), e a Quaest de 10 de junho, pela amostra (2.004) e pela cobertura de imprensa, é provavelmente a rodada nacional iminente.

DataInstitutoAmostraEscopoProtocolo TSEConf.
09/JunGerp2.000estadualBR-01792/20260.7
09/JunReal Time Big Data1.600estadualBR-03811/20260.8
09/JunVeritá1.220estadualBR-01524/20260.6
09/JunECM Comunicação1.200estadualBR-00879/20260.6
10/JunQuaest2.004nacional (provável)BR-07661/20260.9
10/JunParaná Pesquisas1.300estadualBR-05929/20260.8
11/JunReal Time Big Data1.600estadualBR-02795/20260.8
11/JunAlfa Inteligência1.400estadualBR-03496/20260.6
11/JunDatatrends1.200estadualBR-02897/20260.6
11/JunDatatrends1.200estadualBR-03327/20260.6
12/JunNumen Data2.400estadualBR-01992/20260.7
12/JunVox Brasil1.200estadualBR-03879/20260.6

Fonte: registro público TSE via API AFOS. A de maior peso na janela é a Quaest de 10 de junho (amostra 2.004, confiança 0.9), provável rodada nacional. Status "registrada ≠ publicada": a confirmação de divulgação efetiva e dos números exige verificação de duas fontes primárias antes da citação. Caso a Quaest de 10/Jun se confirme nacional, será a primeira rodada nacional desde a Vox de 5 de junho e poderá entrar no dashboard.

3. O que a imprensa cobriu

A suspensão da pesquisa dominou o noticiário político. O O Globo e a Folha registraram que a campanha de Lula classificou a decisão como um precedente perigoso, enquanto o G1 e o Valor detalharam o teor da liminar. Pelo lado do instituto, a VEJA ouviu o diretor da AtlasIntel, que defendeu a metodologia do levantamento. O Estadão situou a decisão no contexto dos diálogos de Flávio com Vorcaro, ponte direta com o caso Master.

Do lado do governo, o motor de fundo segue o tarifaço e o Pix, enquadramento que o O POVO sintetizou como a dupla "BolsoMaster e TariFlávio" na estratégia de Lula. O Planalto espera reunião com o representante de Comércio dos EUA nesta semana para discutir o tarifaço.

Do lado da oposição, o caso Master segue como passivo estrutural: investigadores avaliam que a segunda versão da proposta de delação de Vorcaro não traz fatos novos e devem se reunir com a defesa, enquanto permanece o pedido de Flávio para que o STF declare Moraes suspeito no caso. A imprensa especializada em pesquisas, como a VEJA, mapeou o duelo Lula x Flávio às vésperas da Quaest, com a vantagem do petista variando, conforme o instituto, entre 5 e 8,5 pontos no fim de semana.

4. Divergências do dia

Mercado × pesquisa (terceira via): a inversão persiste nos dois sentidos. Caiado faz 6,9% no primeiro turno da Vox de 5 de junho e empata com Lula no segundo, mas o mercado o mantém em 1,75%. Renan Santos é o oposto: favorito a terminar em terceiro lugar (45,50%) e terceiro no mercado de vencedor (17,55%), contra cerca de 6% nas pesquisas. É a maior distância entre os dois sinais no dashboard, e a Quaest de quarta-feira pode ser o primeiro teste nacional dessa leitura.

Pesquisa × transparência (suspensão da AtlasIntel): o AFOS registra a decisão do TSE como fato institucional, não como aval ou crítica ao mérito. A liminar suspende a divulgação de um levantamento de 19 de maio e ainda será referendada pelo plenário; até lá, o episódio adiciona uma camada de disputa sobre a própria transparência das pesquisas justamente na semana em que a Quaest deve trazer a primeira rodada nacional desde a Vox.

Mercado × narrativa (gap no topo): o mercado mantém o gap em +13,35pp, mais largo que o primeiro turno da pesquisa de referência (+8,5pp na Vox). A continuidade do preço, sem evento da janela que a explique, é em si um dado: o mercado não reprecificou Flávio para cima apesar da decisão favorável a ele no TSE.

Em síntese

  1. O gap entre Lula e Flávio ficou em +13,35pp, no topo do ciclo, com Lula estável em 40,50% e Flávio cedendo 0,10pp para 27,15%; Renan subiu a 17,55% e Zema interrompeu uma sequência de quedas, em movimento de baixa convicção na terceira via.
  2. Não saiu pesquisa nacional nova: a Vox de 5 de junho segue como referência (+8,5pp no primeiro turno) e a Quaest é tratada como iminente para quarta-feira, 10 de junho. O fato do dia foi a suspensão, pelo TSE, de uma pesquisa da AtlasIntel a pedido de Flávio, com a campanha de Lula falando em precedente perigoso.
  3. A divergência da terceira via segue a maior do dashboard: Renan é favorito ao terceiro lugar (45,50%) contra cerca de 6% nas pesquisas, enquanto Caiado faz 6,9% na Vox contra 1,75% no mercado. A Quaest de quarta pode ser o primeiro teste nacional dessa distância.

Fontes consultadas

Matérias com link direto para a notícia

Matérias secundárias (URL Google News redirect — clique resolve à matéria)

Fontes técnicas: Polymarket (cotações ao vivo via proxy AFOS, fetched 08/Jun 15:00 BRT), registro TSE (pesquisas eleitorais oficiais).

Fontes citadas neste texto: Polymarket, TSE (registro público), O Globo, G1, Valor Econômico, Estadão, VEJA, Folha de S.Paulo, InfoMoney, Diário de Pernambuco, O POVO, Vox Brasil, AtlasIntel

Método: esta síntese é gerada automaticamente a partir dos dados auditáveis da plataforma AFOS Analytics, sob regras em código versionadas em git. Todas as alegações podem ser verificadas na plataforma ou nas fontes linkadas. Entenda a governança automatizada.

Integração: para ver os dados ao vivo e as análises dos candidatos em detalhe, acesse o dashboard completo. Para entender o método em profundidade, leia O Método.

Glossário: termos políticos brasileiros usados nas sínteses (TSE, STF, BolsoMaster, lideranças envelhecidas, etc.), definições nos 3 idiomas. Ver glossário completo

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