AFOS Daily · Síntese do Dia
11 de junho de 2026
Mercado de Previsão × Pesquisas × Notícias
Síntese gerada com base em dados auditáveis. Cada alegação cita sua fonte.
Quinta-feira de digestão no mercado presidencial, que acumula cerca de USD 98 milhões em apostas. Sem pesquisa nacional nova, Lula ficou estável em 44,50% e Flávio Bolsonaro cedeu a 28,00%, abrindo o gap para +16,50pp, enquanto Renan Santos recuou a 15,70% mas manteve o terceiro lugar e Camilo Santana subiu a 3,80%, assumindo o quarto nome. No campo institucional, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro protocolou uma notícia-crime no STF contra Lula por causa de uma fala do presidente de 2 de junho sobre traidores da pátria, sem que o ato movesse as cotações presidenciais. A maior divergência do dashboard segue na terceira via, com Renan a 15,70% no mercado contra 3% na Quaest de ontem. Fora do Brasil, a plataforma deu um salto de credibilidade: estreou os conjuntos de dados de Chile, Alemanha e Canadá, somando seis países com divergência mercado versus pesquisa aberta e auditável.
1. Mercado de previsão
O dia foi de digestão no topo, sem novo gatilho de pesquisa. No Polymarket, onde o mercado presidencial acumula cerca de USD 98 milhões em apostas, Lula ficou estável em 44,50% (USD 6,28M de volume acumulado), enquanto Flávio Bolsonaro cedeu 0,65pp para 28,00% (USD 6,56M). Com Lula parado e Flávio em leve recuo, o gap Lula × Flávio abriu de +15,85pp para +16,50pp em 24 horas, dando sequência à reação à Genial/Quaest divulgada na véspera, agora sem impulso adicional.
Na terceira via, os nomes seguiram baixos e o quarto lugar trocou de dono. Renan Santos recuou 0,95pp e foi a 15,70% (USD 6,82M) no mercado de vencedor, mas manteve o terceiro lugar com folga. Camilo Santana subiu 0,65pp para 3,80% (USD 3,27M) e passou a quarto colocado, à frente de Haddad, estável em 2,85% (USD 5,63M). No piso, Caiado ficou em 1,70% (USD 3,94M) e Zema cedeu 0,25pp para 1,60% (USD 3,55M).
Nos mercados de posição, Flávio reforçou a liderança isolada do segundo lugar a 64,50% (USD 61k), num contrato que o vê confortável na vaga de segundo turno ainda que improvável vencedor. Renan seguiu favorito isolado do terceiro lugar no primeiro turno, mas cedeu 1,50pp para 50,50% (USD 76k), à frente de Zema e Caiado nesse mesmo contrato.
Nos mercados institucionais e macro, o contrato de impeachment de ministro do STF antes de 2027 ficou em 2,30% (USD 81k), no patamar mais baixo recente. No Senado, o PL manteve 72,50% (USD 243k) na probabilidade de ter a maior bancada. E, na inflação anual de 2026, a faixa de 5,50% a 5,99% lidera a precificação implícita, seguida de perto pelas faixas vizinhas de 5,00% a 5,49% e de 6,00% a 6,49%, todas com volume fino, na casa de poucos milhares de dólares.
2. O que os institutos registraram
Não saiu pesquisa nacional de Tier 1 nova nesta quinta. A Genial/Quaest divulgada em 10 de junho, primeiro print nacional desde a Vox Brasil de 5 de junho, seguiu pautando a cobertura, com veículos publicando recapitulações em dez pontos do levantamento que mostrou Lula ampliar a vantagem após o caso Master. No segundo turno, a Quaest fixou Lula em 44% contra 38% de Flávio, segundo o G1.
Um contraponto nacional apareceu na pesquisa Alfa, que deu Lula 40% × Flávio 31% no primeiro turno, segundo a Exame, com Lula 44% × Flávio 41% no segundo, também pela Exame. A Alfa converge com a Quaest na liderança de Lula no primeiro turno, mas aperta a margem do segundo para três pontos, contra os seis da Quaest, e o AFOS registra a dispersão sem tratar nenhum dos dois como tendência isolada. No plano estadual, saíram prints regionais: a RealTime Big Data deu Lula liderando com folga em Pernambuco, segundo a UOL, enquanto a Futura/Apex apontou Flávio, Caiado e Zema à frente de Lula em cenários de segundo turno em Santa Catarina, segundo a UOL. Por serem de escopo estadual, esses números não entram no dashboard nacional.
📅 Calendário de pesquisas — próximos 7 dias
Pesquisas registradas no TSE com publicação prevista entre 12/Jun e 18/Jun. Inclusão na tabela não significa publicação confirmada, institutos podem atrasar ou cancelar divulgação. Filtro aplicado: amostra ≥ 1.000. Todas de escopo estadual; nenhuma nacional na janela. Cada protocolo linkado à consulta pública TSE.
| Data | Instituto | Amostra | Escopo | Protocolo TSE | Conf. |
|---|---|---|---|---|---|
| 12/Jun | Numen Data | 2.400 | estadual | BR-01992/2026 | 0.7 |
| 14/Jun | Perfil | 1.800 | estadual | BR-05760/2026 | 0.6 |
| 15/Jun | AtlasIntel | 1.200 | estadual | BR-01326/2026 | 0.8 |
| 15/Jun | Nexus | 2.000 | estadual | BR-06645/2026 | 0.7 |
| 15/Jun | Doxa | 2.000 | estadual | BR-03857/2026 | 0.7 |
| 16/Jun | MDA | 2.002 | estadual | BR-04256/2026 | 0.7 |
| 16/Jun | Real Time Big Data | 2.000 | estadual | BR-04419/2026 | 0.8 |
Fonte: registro público TSE via API AFOS. 🔥 destaca amostras ≥ 3.000 (nenhuma na janela). Status "registrada ≠ publicada", confirmação de divulgação efetiva exige verificação de duas fontes primárias antes da citação de números.
3. O que a imprensa cobriu
O ato institucional do dia veio da oposição. A pré-campanha de Flávio Bolsonaro protocolou uma notícia-crime no STF contra Lula por ameaça e incitação ao crime, segundo a UOL. O alvo da peça é uma declaração anterior do presidente: numa fala de 2 de junho, na inauguração de um campus do Instituto Federal Goiano em Catalão, Lula chamou o senador de vendilhão e traidor da pátria e mencionou o enforcamento de Joaquim Silvério dos Reis, o delator de Tiradentes. A VEJA registrou que Flávio foi ao STF por incitação ao crime e ameaça de enforcamento, e a CartaCapital detalhou que a peça trata a fala de Lula como ameaça. Vale a desambiguação: trata-se de uma notícia-crime protocolada em 11 de junho, não de uma ação penal aceita, e a fala que a motivou é de 2 de junho, não do dia de hoje.
Do lado do governo, a cobertura seguiu no caso Master e na articulação política. Reportagem mostrou que o governo liberou três vezes mais emendas no Senado aos partidos da aliança da reeleição de Lula do que ao PL, segundo material que circulou na imprensa, leitura que a imprensa associou ao esforço do Planalto de organizar a base de olho em 2026.
No desdobramento processual, a VEJA observou a ironia e os pedidos formulados por Flávio Bolsonaro na ação que mira Lula no STF, num episódio que mantém a disputa entre Planalto e oposição no terreno judicial sem, até aqui, repercussão nas cotações presidenciais.
4. Divergências do dia
Mercado × pesquisa (terceira via): a maior distância do dashboard segue de pé. Renan Santos tem 15,70% no mercado de vencedor, mas a Quaest de 10 de junho o cravou em 3% no primeiro turno, embolado com Caiado, Aécio e Zema na disputa anti-Lula, segundo recapitulação do G1. A distância entre o mercado e a pesquisa fica em cerca de 12,70pp, ainda a maior aferida por um print nacional de Tier 1. O sinal a acompanhar é se as próximas Tier 1 confirmam o patamar de 3%.
Mercado × pesquisa (margem do favoritismo): o gap precificado de Lula sobre Flávio, em +16,50pp, é mais largo que a vantagem que as pesquisas medem em voto. A própria Quaest deu +10pp no primeiro turno e +6pp no segundo, e a Alfa apertou o segundo turno para +3pp, com Lula 44% × Flávio 41%, segundo a Exame. O Polymarket precifica um favoritismo de Lula mais forte do que a margem de intenção de voto, movimento na mesma direção, mas de intensidade maior.
Narrativa × mercado (judicialização): o protocolo da notícia-crime de Flávio contra Lula no STF, ato institucional de maior visibilidade do dia, noticiado pela UOL, não moveu as cotações presidenciais. O mercado tratou a disputa judicial como ruído frente à dinâmica que vinha precificando, ancorada no caso Master e na sequência de pesquisas, e a fala que motivou a peça é de 2 de junho, o que afasta qualquer leitura de gatilho do dia.
Em síntese
- Dia de digestão no mercado: sem pesquisa nacional nova, Lula ficou estável em 44,50% e Flávio cedeu a 28,00%, com o gap abrindo para +16,50pp. Renan recuou a 15,70% mas manteve o terceiro lugar, e Camilo Santana subiu a 3,80%, assumindo o quarto nome à frente de Haddad.
- A Genial/Quaest de 10 de junho seguiu pautando a cobertura, e a Alfa trouxe um print nacional convergente na liderança de Lula (40% × 31% no primeiro turno), segundo a Exame, embora com segundo turno mais apertado (44% × 41%). Prints estaduais saíram em Pernambuco e Santa Catarina, fora do escopo do dashboard nacional.
- No campo institucional, a pré-campanha de Flávio protocolou notícia-crime no STF contra Lula por uma fala de 2 de junho, sem efeito nas cotações. A maior divergência do dashboard segue na terceira via, com Renan a 15,70% no mercado contra 3% na Quaest, e o gap de mercado de Lula segue mais largo que a margem das pesquisas.
🌐 Divergência sem fronteiras
Esta edição marca uma virada de cobertura. Hoje, 11 de junho, o AFOS publicou, em seu perfil aberto no Hugging Face, três novos conjuntos de dados de divergência mercado × pesquisa de eleições já realizadas, elevando para seis os países abertos e navegáveis na plataforma. Aos já existentes Brasil, Peru e Colômbia somam-se agora Chile, Alemanha e Canadá, todos de 2025. Global por design deixa de ser intenção e passa a ter lastro: seis eleições reais, da América à Europa, sob um único método.
Os três casos novos mostram o mesmo princípio em contextos distintos. No Chile, José Antonio Kast venceu o segundo turno com 58%, mas por meses as pesquisas davam Jeannette Jara à frente no primeiro turno (cerca de 26%), enquanto o mercado já precificava Kast em torno de 66% para vencer, antecipando a união da direita no segundo turno. Na Alemanha, a CDU/CSU de Friedrich Merz venceu com cerca de 29% e a leitura reveladora ficou na AfD: segundo partido mais votado (cerca de 21%), mas com só cerca de 3% no mercado de quem conquista mais cadeiras, um lembrete de que voto não é vitória num parlamento. No Canadá, os Liberais de Mark Carney conquistaram a maioria das cadeiras (169 a 144) numa virada que o mercado capturou cedo: de cerca de 85% para os Conservadores em janeiro a cerca de 80% para os Liberais em abril.
A América Latina segue como o contraponto honesto entre acerto e erro do mercado. No Peru, o mercado fez de Rafael López Aliaga o favorito a vencer por meses, mas ele terminou em terceiro e ficou fora do segundo turno: um caso em que o mercado errou. Na Colômbia, o oposto: o mercado precificava Abelardo de la Espriella bem acima dos 31,6% que as pesquisas lhe davam, e ele venceu o primeiro turno com 43,7%, um caso em que o mercado viu o que a pesquisa subestimou. É o mesmo princípio que move o dashboard brasileiro: onde houver eleição, existe sinal. Os seis conjuntos estão abertos, sob licença CC BY 4.0, no Hugging Face (Brasil, Peru, Colômbia, Chile, Alemanha e Canadá).
Fontes consultadas
Matérias com link direto para a notícia
Matérias secundárias (URL Google News redirect — clique resolve à matéria)
- UOL Notícias — Flávio Bolsonaro protocola notícia-crime no STF contra Lula por ameaça e incitação ao crime
- VEJA — Flávio Bolsonaro vai ao STF contra Lula por incitação ao crime e ameaça de enforcamento
- VEJA — A ironia e os pedidos de Flávio Bolsonaro contra Lula em ação no STF
- G1 — 10 pontos da Quaest de junho: Lula amplia vantagem sobre Flávio Bolsonaro após caso Master
- G1 — Quaest 2º turno: Lula tem 44% das intenções de voto; Flávio Bolsonaro, 38%
- Exame — Pesquisa Alfa: Lula tem 40% e Flávio Bolsonaro, 31%, no 1º turno
- Exame — Pesquisa Alfa: Lula tem 44% e Flávio Bolsonaro, 41%, no 2º turno
- UOL Notícias — RealTime Big Data: Lula lidera com folga contra Flávio em Pernambuco
- UOL Notícias — Futura/Apex: Flávio, Caiado e Zema lideram contra Lula em 2º turno em SC
- Poder360 — Governo libera três vezes mais emendas no Senado aos partidos da aliança de Lula do que ao PL
Fontes técnicas: Polymarket (cotações ao vivo via proxy AFOS, fetched 11/Jun 17:35 BRT), registro TSE (pesquisas eleitorais oficiais).
Fontes citadas neste texto: Polymarket, TSE (registro público), CartaCapital, UOL Notícias, VEJA, G1, Exame, Poder360, Genial/Quaest, Alfa, RealTime Big Data, Futura/Apex
Método: esta síntese é gerada automaticamente a partir dos dados auditáveis da plataforma AFOS Analytics, sob regras em código versionadas em git. Todas as alegações podem ser verificadas na plataforma ou nas fontes linkadas. Entenda a governança automatizada.
Integração: para ver os dados ao vivo e as análises dos candidatos em detalhe, acesse o dashboard completo. Para entender o método em profundidade, leia O Método.
Glossário: termos políticos brasileiros usados nas sínteses (TSE, STF, BolsoMaster, lideranças envelhecidas, etc.), definições nos 3 idiomas. Ver glossário completo →