AFOS Daily · Síntese do Dia

13 de julho de 2026

Mercado de Previsão × Pesquisas × Notícias

Síntese gerada com base em dados auditáveis. Cada alegação cita sua fonte.

O dia teve pesquisa nova e decisão do STF, e o mercado se moveu pela segunda. A BTG/Nexus, primeira das quatro nacionais da semana, deu empate técnico no 2º turno (Lula 47% × Flávio 44%) e tirou 2pp de Lula no 1º. Alexandre de Moraes suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio a Jair Bolsonaro. No Polymarket, Lula ficou parado em 60,50% e o movimento forte foi na sucessão familiar: Michelle dobrou e Jair caiu. Volume total acumulado no presidencial em USD 112,5M.

1. Mercado de previsão

A 83 dias do 1º turno, o topo do Polymarket não se mexeu. Lula fechou o quarto dia consecutivo em 60,50% (USD 7,3M de volume acumulado) e Flávio Bolsonaro subiu para 23,85% (↑0,60pp, USD 7,4M), com o gap presidencial estreitando a +36,65pp (↓0,60pp). O volume total acumulado no mercado presidencial soma USD 112,5M. O contraste é o dado: o dia trouxe a pesquisa mais adversa do ciclo a Lula, e o contrato de vencedor dele não se moveu um ponto-base.

O movimento do dia aconteceu na cauda, e ele é de sucessão, não de corrida. No mercado presidencial, Michelle Bolsonaro dobrou, de 1,05% para 2,25% (↑1,20pp, USD 8,9M), a maior variação relativa do painel. Na direção oposta, Jair Bolsonaro caiu de 1,65% para 1,05% (↓0,60pp, USD 5,0M). Os dois movimentos ocorreram no mesmo dia em que o STF cortou o contato entre pai e filho (Seção 3). Não há como estabelecer causa a partir do preço, e o Daily não a afirma: registra-se a coincidência temporal e o fato de que o mercado reprecificou a disputa interna do campo bolsonarista sem tocar no topo.

Flávio deu o maior salto individual do dia no sub-mercado de 2º lugar do 1º turno, para 83,50% (↑5,0pp, USD 175 mil): a condição de adversário certo de Lula está mais precificada do que nunca, num dia em que ele acumulou desgaste institucional.

Na terceira via, Renan Santos ficou praticamente parado no vencedor, em 10,05% (↓0,20pp, USD 8,1M, o maior volume individual entre os contendores vivos), e ampliou o favoritismo ao 3º lugar do 1º turno para 70,50% (↑4,0pp, USD 138 mil). Ronaldo Caiado recuou no vencedor, a 1,45% (↓0,15pp, USD 4,9M), mas subiu no mesmo sub-mercado, a 16,50% (USD 33 mil). Zema segue no piso (0,85%, USD 4,3M) e Haddad em 0,75% (USD 6,2M).

Nos sub-mercados institucionais, nada. O impeachment de ministro do STF antes de 2027 segue cravado no piso, em 2,75% (USD 82 mil), sem reagir a um dia de decisão monocrática e de avanço da investigação sobre emendas. No Senado por número de cadeiras, o PL mantém 87,50% (USD 251 mil), contra 12,00% do MDB (USD 6 mil, volume baixo demais para leitura firme). Na inflação de 2026, a banda de 5,00% a 5,49% lidera com 33,60% (USD 8 mil).

2. O que os institutos registraram

A BTG/Nexus publicou em 13 de julho a primeira das quatro nacionais da semana, e ela é o dado mais relevante do ciclo até aqui. Amostra de 2.003 eleitores, campo de 10 a 12 de julho, margem de 2 pontos, entrevistas telefônicas em todas as regiões, protocolo BR-07981/2026. No 1º turno, Lula 40% e Flávio 34%, com Caiado em 5%, Renan Santos em 4% e Zema em 4%. No 2º turno, Lula 47% × Flávio 44%: três pontos de diferença, dentro da margem, ou seja, empate técnico (site do instituto, Folha, Poder360).

Dois números da BTG/Nexus merecem atenção além do topline. Lula caiu 2pp no 1º turno ante a própria rodada de 29 de junho, quando marcava 42%, enquanto Flávio ficou estável em 34%. E o voto decidido recuou de 74% para 70%: há mais eleitorado disponível para mudar de lado do que havia três semanas atrás.

O peso desta pesquisa não está no número, está na procedência. Em 12 de julho, ao incorporar a Gerp/AESP de 08/Jul (empate no 1º turno, Flávio vencendo o 2º), a ressalva obrigatória era tratar-se de instituto de menor porte e outlier conhecido. A BTG/Nexus é de primeiro escalão e aponta na mesma direção. A Gerp deixou de estar isolada. O leque do 2º turno hoje vai de derrota por 3pp (Gerp) a vitória por 6,5pp (AtlasIntel de 01/Jul), passando por empate técnico (BTG/Nexus) e vitória por 5pp (Meio/Ideia de 08/Jul). É a maior dispersão entre institutos registrada neste ciclo, e ela é informação, não ruído.

📅 Calendário de pesquisas - próximos 7 dias

Pesquisas registradas no TSE com publicação prevista entre 14/Jul e 20/Jul. Inclusão na tabela não significa publicação confirmada, institutos podem atrasar ou cancelar divulgação. Filtro aplicado: amostra ≥ 1.000. Cada protocolo linkado à consulta pública TSE.

DataInstitutoAmostraEscopoProtocolo TSEConf.
14/Jul100 Cidades2.000nacionalBR-07294/20260,70
14/JulDoxa2.000estadualBR-00892/20260,70
14/JulReal Time Big Data1.600estadualBR-00773/20260,80
14/JulDatavero1.500estadualBR-05121/20260,60
15/JulGenial/Quaest2.004nacionalBR-07181/20260,90
15/JulDoxa2.000estadualBR-06345/20260,70
16/JulPoderData2.400nacionalBR-00059/20260,70
16/JulInstituto Perfil1.800estadualBR-04803/20260,60
17/JulVeritá1.525estadualBR-07834/20260,60
18/JulInstituto Perfil1.800estadualBR-03819/20260,60

Fonte: registro público TSE via API AFOS. Nenhuma pesquisa da janela tem amostra ≥ 3.000. Status "registrada ≠ publicada": confirmação de divulgação efetiva exige verificação de duas fontes primárias antes da citação de números. Restam três nacionais, e a Genial/Quaest de 15/Jul é a de maior confiabilidade metodológica das quatro.

3. O que a imprensa cobriu

O fato institucional do dia é uma decisão, não um pedido. Em 13 de julho, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro a Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária prorrogada em 3 de julho. Para o ministro, o senador usou o direito de visita para produzir e divulgar a carta política lida em 11 de julho, o que viola a proibição de o ex-presidente se manifestar em redes sociais por intermédio de terceiros. A suspensão vai até meados de outubro, prazo que cobre a reta final da campanha, e a defesa tem 48 horas para se explicar. Moraes também mandou apurar possível propaganda eleitoral antecipada (O Globo, G1, BBC). A prisão domiciliar não foi revogada. Segundo advogados ouvidos por O Globo, o benefício pode ser perdido se ficar comprovado que o ex-presidente sabia da divulgação.

O gesto que pretendia consagrar a sucessão terminou cortando o acesso ao consagrador. E dentro do partido a cerca se fecha: Valdemar Costa Neto e Michelle Bolsonaro cercam a candidatura de Flávio, enquanto Damares Alves defende Michelle, pede o fim dos ataques e diz que Flávio "ainda" é sua pré-candidata, com o advérbio fazendo o trabalho pesado. Do lado da mobilização, Javier Milei confirmou agenda com Flávio no Brasil para 25 de julho.

Na frente das emendas, a Polícia Federal afirma que a assessora da Câmara tinha aval da presidência da Casa para direcionar recursos a Eduardo Cunha (Folha). É uma afirmação da PF em investigação em curso, não fato provado. Cunha respondeu que a operação é política e que não há prova de desvios.

4. Divergências do dia

Mercado × pesquisa: o Polymarket dá Lula em 60,50% de probabilidade implícita. A pesquisa mais recente, publicada no mesmo dia por instituto de primeiro escalão, o põe em empate técnico no 2º turno (47% × 44%, dentro da margem de 2pp) e ainda o vê cair 2pp no 1º. Probabilidade de vitória e margem de voto medem coisas diferentes, e a comparação é de direção e convicção, não ponto a ponto. Mas a distância de nível é a mais aguda do ciclo, e ela não se estreitou com o dado novo: o contrato de Lula não se moveu.

Pesquisa × pesquisa: o 2º turno hoje admite quatro leituras vindas de quatro institutos registrados no TSE: derrota de Lula por 3pp (Gerp 08/Jul), empate técnico (BTG/Nexus 13/Jul), vitória por 5pp (Meio/Ideia 08/Jul) e vitória por 6,5pp (AtlasIntel 01/Jul). Uma média produziria um número que nenhum instituto mediu. O AFOS reporta os quatro, com amostra, campo e protocolo, e deixa a contradição visível.

Notícia × mercado: o dia teve decisão monocrática do STF cortando o contato entre o candidato e seu principal cabo eleitoral, ordem de apuração de propaganda antecipada e a PF apontando aval da presidência da Câmara num esquema de emendas. O contrato de impeachment de ministro do STF não se moveu (2,75%), e o contrato de Flávio subiu (↑0,60pp). O dinheiro real precifica atrito institucional como custo, não como ruptura.

Em síntese

  1. A Gerp deixou de estar sozinha. O estreitamento no 2º turno que um instituto pequeno e outlier sinalizou em 08/Jul apareceu em 13/Jul num instituto de primeiro escalão. A BTG/Nexus dá empate técnico (47% × 44%) e tira 2pp de Lula no 1º turno.

  2. O mercado ignorou a pesquisa e precificou a família. Lula ficou parado em 60,50% no dia do dado mais adverso do ciclo, enquanto Michelle dobrava (2,25%) e Jair caía (1,05%), no mesmo dia em que Moraes cortou o contato entre pai e filho.

  3. A Quaest de 15/Jul é o teste. Das quatro nacionais da semana, é a de maior confiabilidade metodológica. Se confirmar o estreitamento, a divergência de +36,65pp passa a ser o número frágil do painel, não o robusto.


Fontes consultadas

matérias com link direto para a notícia (veículos âncora):

matérias secundárias (URL Google News redirect - clique resolve à matéria):

Fontes técnicas: Polymarket (cotações ao vivo via proxy AFOS, fetched 13/Jul 21:45 BRT), registro TSE (pesquisas eleitorais oficiais).

Fontes citadas neste texto: Polymarket, TSE (registro público), Nexus/FSB, O Globo, Folha de S.Paulo, G1, BBC News Brasil, Poder360, Gazeta do Povo, VEJA

Método: esta síntese é gerada automaticamente a partir dos dados auditáveis da plataforma AFOS Analytics, sob regras em código versionadas em git. Todas as alegações podem ser verificadas na plataforma ou nas fontes linkadas. Entenda a governança automatizada.

Integração: para ver os dados ao vivo e as análises dos candidatos em detalhe, acesse o dashboard completo. Para entender o método em profundidade, leia O Método.

Glossário: termos políticos brasileiros usados nas sínteses (TSE, STF, BolsoMaster, lideranças envelhecidas, etc.), definições nos 3 idiomas. Ver glossário completo

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