AFOS Daily · Síntese do Dia

14 de julho de 2026

Mercado de Previsão × Pesquisas × Notícias

Síntese gerada com base em dados auditáveis. Cada alegação cita sua fonte.

A terceira pesquisa nacional seguida pôs o 2º turno em empate e o mercado não se moveu um centavo. A Futura/Apex deu Lula 46,3% × Flávio 46,1%, diferença de 0,2 ponto, e o Polymarket segue dando a Lula 60,50%, o mesmo número de cinco dias atrás. Quem se mexeu foi Flávio, que subiu a 24,85%. No TSE, Nunes Marques propôs um selo de acurácia para institutos, e os especialistas responderam que pesquisa não é previsão. Volume total acumulado no presidencial em USD 112,8M.

1. Mercado de previsão

O mercado presidencial fechou o quinto dia consecutivo com Lula em 60,50% (USD 7,34M), exatamente o mesmo número de 09 de julho. Ele não se moveu com a Gerp de 08 de julho, não se moveu com a BTG/Nexus de 13 de julho e não se moveu com a Futura/Apex de 14 de julho. São três pesquisas nacionais consecutivas apontando estreitamento no 2º turno, e zero centavo de reação no preço.

Flávio Bolsonaro foi quem se mexeu: subiu a 24,85% (↑1,00pp, USD 7,38M), a única variação relevante do presidencial no dia. Com isso o gap sobre ele caiu a +35,65pp (↓1,00pp), o mais estreito em duas semanas. A distinção importa: o gap encolheu porque Flávio subiu, não porque Lula cedeu. Ele também ampliou o favoritismo no sub-mercado de 2º lugar do 1º turno, para 84,50% (↑1,00pp, USD 180 mil).

Na terceira via, Renan Santos subiu de leve a 10,15% (↑0,10pp, USD 8,09M, o maior volume individual entre os contendores vivos) e ampliou o 3º lugar do 1º turno a 71,00% (↑0,50pp, USD 140 mil). Ronaldo Caiado recuou a 1,35% (↓0,10pp, USD 4,86M) e Romeu Zema ficou em 0,85% (USD 4,35M).

O movimento mais curioso foi o da sucessão familiar, e ele andou para trás. No mesmo mercado de vencedor, Michelle Bolsonaro devolveu o salto de 13 de julho e caiu a 1,85% (↓0,40pp, USD 8,96M), enquanto Jair Bolsonaro caiu pela metade, de 1,05% para 0,55%. O mercado reprecificou a hipótese em 13 de julho, depois da decisão de Moraes, e desfez a aposta em 24 horas. Foi reação, não tendência. O volume total acumulado no presidencial soma USD 112,8M.

Nos institucionais, nada. O contrato de impeachment de ministro do STF segue cravado no piso, em 2,75% (USD 82 mil), pelo segundo dia, mesmo com Flávio ampliando os ataques à Corte. No Senado por cadeiras, o PL segue líder com 86,50% (USD 251 mil). No mercado de inflação de 2026, as bandas de 4,50% a 5,49% somam 62,40% (5,00-5,49% em 35,75%; 4,50-4,99% em 26,65%), com a cauda de 7% ou mais no piso, em 3,60%.

2. O que os institutos registraram

A Futura/Apex (Futura Inteligência) publicou em 14 de julho a segunda nacional da semana, e ela é o dado mais duro do ciclo até aqui. Amostra de 2.000 eleitores, campo de 07 a 11 de julho, margem de 2,2 pontos, entrevistas telefônicas, universo do eleitorado brasileiro de 16 anos ou mais, protocolo BR-07294/2026. No 2º turno, Lula 46,3% × Flávio 46,1%: dois décimos de ponto, o empate mais apertado já medido nesta eleição (Exame, Gazeta do Povo, Jovem Pan). No 1º turno estimulado, Lula 40,1% × Flávio 36,8%, com os intervalos de confiança se sobrepondo. Na terceira via, Caiado 5,0%, Zema 3,7% e Renan Santos 2,6%.

O peso desta pesquisa está na sequência, não no número isolado. Em 12 de julho, ao incorporar a Gerp de 08 de julho, a ressalva obrigatória era tratar-se de instituto de menor porte e outlier conhecido. Em 13 de julho a BTG/Nexus apontou na mesma direção, vindo do primeiro escalão. Agora a Futura/Apex leva o returno ao empate quase perfeito. A ressalva acabou: são três institutos, três metodologias, uma direção. O leque do 2º turno hoje vai de derrota por 3pp (Gerp) a vitória por 6,5pp (AtlasIntel de 01 de julho), passando por dois empates.

Um número menos citado merece atenção. A Futura/Apex inverte a ordem da terceira via em relação ao mercado: Zema (3,7%) aparece à frente de Renan Santos (2,6%). No Polymarket, Zema vale 0,85% e Renan vale 10,15%.

📅 Calendário de pesquisas — próximos 7 dias

Pesquisas registradas no TSE com publicação prevista entre 15/Jul e 21/Jul. Inclusão na tabela não significa publicação confirmada, porque institutos podem atrasar ou cancelar a divulgação. Filtro aplicado: amostra ≥ 1.000. Cada protocolo linkado à consulta pública TSE.

DataInstitutoAmostraEscopoProtocolo TSEConf.
15/JulQuaest2.004nacionalBR-07181/20260.9
15/JulDoxa2.000estadualBR-06345/20260.7
15/JulReal Time Big Data1.600estadualBR-03148/20260.8
16/JulPoderData2.400nacionalBR-00059/20260.7
16/JulInstituto de Pesquisas Perfil1.800estadualBR-04803/20260.6
16/JulReal Time Big Data1.600estadualBR-05880/20260.8
16/JulECM Edição, Comunicação e Marketing1.500estadualBR-06236/20260.6
16/JulJ J Coelho1.011estadualBR-05408/20260.6
17/JulVeritá1.525estadualBR-07834/20260.6
17/JulF. Façanha de Almeida1.006estadualBR-06994/20260.6
18/JulInstituto de Pesquisas Perfil1.800estadualBR-03819/20260.6
19/JulInstituto Piauiense de Opinião Pública1.137estadualBR-09330/20260.6

Fonte: registro público TSE via API AFOS. 🔥 destaca amostras ≥ 3.000, e nenhuma na janela atinge esse porte. Status "registrada ≠ publicada": a confirmação de divulgação efetiva exige verificação de duas fontes primárias antes da citação de números.

3. O que a imprensa cobriu

O TSE entrou na pauta como protagonista, e o assunto é o próprio instrumento. Em 14 de julho, o ministro Kássio Nunes Marques apresentou, em reunião com diretores de 19 institutos, uma proposta de selo de acurácia para empresas de pesquisa: a distinção seria entregue após o 2º turno e avaliaria apenas as pesquisas dos sete dias anteriores ao pleito e os exit polls efetivamente divulgados, excluindo empresas condenadas por irregularidade grave. A reunião foi convocada depois de ele ter suspendido, em junho, uma pesquisa da AtlasIntel por suspeita de indução de eleitor. Os institutos têm até 17 de julho para enviar contribuições, e o setor reagiu: especialistas apontaram que pesquisa mede intenção de voto num momento e não funciona como previsão da urna (JOTA).

No campo da oposição, o desdobramento da decisão de 13 de julho dominou. Após a suspensão por 90 dias de suas visitas a Jair Bolsonaro, Flávio mudou de estratégia e ampliou os ataques ao STF, buscando reforçar o enquadramento de perseguição a três meses da eleição (O Globo). Romeu Zema classificou a decisão como perseguição política (O Globo). Em entrevista ao O Globo, o vice-presidente Hamilton Mourão disse que a campanha de Flávio está turbulenta e que ele precisa prestar contas sobre a Dark Horse, além de criticar a ala ligada a Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo. A declaração é de fonte única e é reproduzida aqui como tal.

Ronaldo Caiado subiu o tom para se firmar como alternativa a Flávio (CNN Brasil, e o timing é coerente com o que a Futura/Apex mede: ele é o melhor da terceira via na urna pela segunda pesquisa seguida. Do lado do governo, Lula fechou palanques em 25 estados e no Distrito Federal, com sacrifícios locais, enquanto Flávio enfrenta resistências no mesmo movimento (JOTA.

Um veículo de mercado registrou, no mesmo dia, a pergunta que este Daily faz há uma semana: por que o mercado não se abala mais por pesquisas eleitorais (Money Times).

4. Divergências do dia

Mercado × pesquisa: o Polymarket dá a Lula 60,50% de probabilidade implícita. A pesquisa mais recente, publicada no mesmo dia, põe o 2º turno em 46,3% × 46,1%, uma diferença de dois décimos de ponto. Probabilidade de vitória e margem de voto medem coisas diferentes, e um candidato pode ter 60% de chance de vencer uma eleição apertada. Mas a distância de nível é a mais aguda do ciclo e, o que importa mais, ela não se estreitou com três dados novos consecutivos que a contradizem. O preço não se moveu com a Gerp, nem com a BTG/Nexus, nem com a Futura/Apex.

Pesquisa × pesquisa, e a inversão que ninguém precifica: a Futura/Apex (BR-07294/2026) põe Zema (3,7%) à frente de Renan Santos (2,6%) no 1º turno. No mercado de vencedor, Renan vale 10,15% e Zema vale 0,85%: doze vezes o preço, com menos intenção de voto declarada. Não é o caso de mercado contra pesquisa em geral. São dois candidatos cuja medição de urna se inverteu, e cujos preços não se mexeram.

Instituição × método: o TSE propôs premiar institutos pela acurácia, isto é, pela proximidade com o resultado da urna. Os próprios institutos responderam que pesquisa mede intenção num momento, não prevê o pleito. É a mesma confusão de categorias que este Daily separa todos os dias: pesquisa e mercado não são dois palpites concorrentes sobre o mesmo número. Medem coisas diferentes, e é por isso que a discordância entre eles carrega informação.

Em síntese

  1. A ressalva acabou. O estreitamento do 2º turno saiu de um instituto pequeno e outlier (Gerp, 08 de julho) para um de primeiro escalão (BTG/Nexus, 13 de julho) e agora para o empate quase perfeito (Futura/Apex, 46,3% × 46,1%). Três institutos, três metodologias, uma direção.
  2. O mercado não reagiu a nenhuma das três. No Polymarket, Lula segue em 60,50%, o mesmo número de 09 de julho. O gap caiu a +35,65pp, mas por alta de Flávio, não por perda de Lula. Sustentar essa convicção contra três dados consecutivos é, em si, uma posição.
  3. O próximo teste é imediato. A Quaest (n=2.004) sai em 15 de julho e a PoderData (n=2.400) em 16 de julho. Se confirmarem, o mercado estará precificando 60,50% contra cinco institutos.

Fontes consultadas

matérias com link direto para a notícia (veículos âncora):

matérias secundárias (URL Google News redirect — clique resolve à matéria):

Fontes técnicas: Polymarket (cotações ao vivo via proxy AFOS, fetched 14/Jul 14:36 BRT), registro TSE (pesquisas eleitorais oficiais).

Fontes citadas neste texto: Polymarket, TSE (registro público), Futura Inteligência, O Globo, Exame, Gazeta do Povo, Jovem Pan, JOTA, CNN Brasil, Money Times

Método: esta síntese é gerada automaticamente a partir dos dados auditáveis da plataforma AFOS Analytics, sob regras em código versionadas em git. Todas as alegações podem ser verificadas na plataforma ou nas fontes linkadas. Entenda a governança automatizada.

Integração: para ver os dados ao vivo e as análises dos candidatos em detalhe, acesse o dashboard completo. Para entender o método em profundidade, leia O Método.

Glossário: termos políticos brasileiros usados nas sínteses (TSE, STF, BolsoMaster, lideranças envelhecidas, etc.), definições nos 3 idiomas. Ver glossário completo

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