AFOS Daily · Síntese do Dia

30 de julho de 2026

Mercado de Previsão × Pesquisas × Notícias

Síntese gerada com base em dados auditáveis. Cada alegação cita sua fonte.

A 66 dias do 1º turno, o preço do favorito subiu 1,00pp e a urna do dia, lida dentro da própria casa, não se mexeu. A PoderData dá Lula 41% x Flávio 35%, exatamente os mesmos 6pp de gap que a casa media em 16 de julho. É a terceira vez em sete dias que o mercado anda um ponto inteiro sem urna correspondente. No caso Master, a Polícia Federal avalia pedir à Interpol o rastreamento no exterior do dinheiro que financiou um filme sobre Jair Bolsonaro. O volume total acumulado no presidencial soma cerca de USD 116,58M.

1. Mercado de previsão

A 66 dias do 1º turno, o volume total acumulado no mercado presidencial soma cerca de USD 116,58M (Polymarket via proxy AFOS, captura de 30 de julho às 17:08 BRT). Lula subiu 1,00pp e voltou a 63,50% (USD 7,74M). Flávio Bolsonaro ficou estável em 23,95% (USD 7,71M), e o gap entre os dois abriu de +38,55pp para +39,55pp.

Os 63,50% pedem uma frase de contexto antes de qualquer leitura: o valor iguala o topo da série do AFOS pela terceira vez, marcado em 26, em 28 e agora em 30 de julho, e não o supera em nenhuma delas. O gap fica 0,25pp abaixo do máximo da série, os +39,80pp de 26 de julho. E a distinção que organiza o dia é sobre quem se moveu: o gap abriu por movimento de um lado só, então não houve reprecificação da candidatura de Flávio. A sequência de quatro fechamentos diários em alta dele foi interrompida sem queda.

No pelotão, Renan Santos caiu 0,25pp, para 8,45% (USD 8,59M), abaixo de todo fechamento diário da última semana. Ronaldo Caiado subiu 0,20pp, para 2,55% (USD 5,20M), acumulando 0,65pp em dois pregões desde os 1,90% de 28 de julho. Jair Bolsonaro ficou em 1,05% (USD 5,26M), Romeu Zema caiu 0,20pp para 0,55% (USD 4,57M), Fernando Haddad caiu 0,10pp para 0,15% (USD 6,38M) e Tarcísio de Freitas segue em 0,15% (USD 13,66M), ainda o volume acumulado mais alto do book, anomalia de legado que mede história negociada e não convicção atual.

O movimento mais forte do dia não está no contrato de vencedor. No 2º lugar do 1º turno, Renan Santos desabou de 11,70% para 6,10%, queda de 5,60pp num contrato de USD 1,09M, enquanto Flávio subiu 0,50pp e chegou a 79,00%. No 3º lugar, num book de USD 484 mil, Renan subiu 0,50pp, para 62,00%, e Caiado ficou parado em 25,50%. Somados, os três movimentos dizem a mesma coisa: o dinheiro não tirou Renan da eleição, reclassificou o lugar dele.

Nos demais mercados, o impeachment de ministro do STF caiu 0,25pp, para 3,10% (USD 83 mil), desfazendo parte da alta de 0,55pp da véspera. No Senado, o PL caiu 5,50pp, para 65,50% (USD 258 mil), e o MDB subiu 0,60pp, para 18,20%. Na inflação, a faixa modal segue em 5,00% a 5,49%, com 38,30%, e a faixa de 4,50% a 4,99% caiu 2,40pp, para 32,50%, num book de USD 81 mil que não é coberto pela trava de dupla leitura. Movimento grande em book pequeno é registro, não sinal.

Uma nota de captura, e desta vez ela é curta: a trava de dupla leitura rodou uma vez e aprovou, sem nenhuma divergência nos cinco books cobertos. Nas duas rodadas anteriores ela havia bloqueado. Todos os preços entram firmes, sem faixa declarada.

2. O que os institutos registraram

A urna do dia é a PoderData/Aya (n=2.400, campo de 26 a 29 de julho, margem de 2pp, registro BR-07845/2026, telefônica em 677 municípios dos 27 estados): Lula 41% x Flávio 35% no 1º turno, com Caiado 5%, Renan Santos 4%, Zema 3% e Augusto Cury 3%, além de 5% de branco ou nulo e 4% que não responderam. No 2º turno, Lula 46% x Flávio 43%, diferença de 3pp que cabe na margem somada e por isso é empate técnico (Gazeta do Povo).

A comparação que vale é a da PoderData contra ela mesma, e nela o gap do 1º turno não se mexeu: eram 6pp em 16 de julho (40% x 34%) e são 6pp agora (41% x 35%), com os dois primeiros subindo 1pp, dentro da margem. Contra a AtlasIntel de 29 de julho, que deu 9,1pp, a diferença é de 3,1pp, mas comparar duas casas publicadas com um dia de intervalo e chamar isso de aperto é trocar de régua no meio da medição. O que mudou na rodada foi a avaliação: aprovação pessoal em 43% x 49% de desaprovação, avaliação do governo em 44% x 50%, e a gestão com 34% de ótimo ou bom, 16% regular e 47% de ruim ou péssimo, alta de 10pp contra a rodada de 22 de julho do instituto. A rejeição empatou em 49% para Lula e para Flávio, quando a AtlasIntel dava 49,4% x 52,9%. O instituto também reportou empates técnicos de 2º turno contra Zema e contra Caiado, mas os números exatos não foram confirmados em fonte primária e por isso não entram aqui (Poder360 via agregador).

Fora do recorte nacional, a Genial/Quaest publicou dez estados. No Rio Grande do Sul, Flávio 32% x Lula 30% no 1º turno e 40% x 35% no 2º (O Globo). No Ceará, Lula 55% x 22% (O Globo). E em Goiás, Caiado 33%, Flávio 27% e Lula 23%, no mesmo levantamento em que a desaprovação do governo estadual de Caiado é de 59% (O Globo). Governar mal avaliado e liderar ali a corrida presidencial são fatos compatíveis, e esta síntese registra os dois sem transformar um no outro.

📅 Calendário de pesquisas — próximos 7 dias

Pesquisas registradas no TSE com publicação prevista entre 31 de julho e 6 de agosto. Inclusão na tabela não significa publicação confirmada, porque institutos podem atrasar ou cancelar divulgação. Filtro aplicado: amostra ≥ 1.000. Cada protocolo linkado à consulta pública TSE.

DataInstitutoAmostraEscopoProtocolo TSEConf.
31/JulAlfa Inteligência2.700não declaradoBR-04488/20260,7
31/JulVox Brasil2.100nacionalBR-01084/20260,7
31/JulReal Time Big Data1.600estadualBR-08354/20260,9
02/AgoVeritá2.010estadualBR-02249/20260,7
03/AgoNexus2.000nacionalBR-02874/20260,7
04/AgoNexus1.200nacionalBR-05573/20260,7

Fonte: registro público TSE via API AFOS. 🔥 destaca amostras ≥ 3.000, e nesta janela não há nenhuma. Status "registrada ≠ publicada" — confirmação de divulgação efetiva exige verificação de duas fontes primárias antes da citação de números.

3. O que a imprensa cobriu

O eixo institucional do dia mudou de autor. Depois de dois dias em que a disputa sobre inteligência artificial em campanha corria entre o STF e uma defesa, nesta quinta um partido virou o autor: a Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB e PV, protocolou no TSE uma representação de mais de 200 páginas contra uma rede de perfis que, segundo alega a federação, usa IA para atacar Lula. Os números da petição, todos atribuídos à federação, são 1.464.245 seguidores somados e 23.828 publicações, e o alcance de mais de 10 milhões citado nas reportagens é o total somado aos seguidores dos políticos nomeados, não o da rede sozinha. A contagem de perfis é de 31 na maior parte da cobertura e de "ao menos 32" em uma delas. São nomeados como amplificadores o senador Flávio Bolsonaro, os deputados Gustavo Gayer, Mario Frias e Gilvan Costa, o pré-candidato André Marinho e Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio. Os pedidos são de remoção de conteúdo, identificação dos responsáveis e suspensão da monetização (Folha de S.Paulo, O Globo, O Tempo). O relator sorteado foi Kassio Nunes Marques (Metrópoles), o mesmo ministro em cujo gabinete o mandado de segurança da CPI do Banco Master está parado há mais de quatro meses.

E o enquadramento da véspera precisa de correção. Em 29 de julho esta síntese registrou que ministros do TSE viam abuso no vídeo de IA e queriam frear o uso da tecnologia. A apuração desta quinta mostra outra coisa: os ministros do TSE veem interferência de Moraes, entendem que a discussão cabe ao próprio tribunal e não ao STF, e, segundo a reportagem, nenhum dos grupos internos pretende aplicar sanção severa a Flávio (Folha de S.Paulo, CNN Brasil). Deixou de ser um caso sobre IA e virou um atrito entre duas cortes.

No caso Master, a quinta-feira trouxe o fato de maior alcance desde a abertura do inquérito. A Polícia Federal avalia pedir à Interpol a inclusão de Flávio Bolsonaro e de Daniel Vorcaro na chamada difusão prateada, instrumento que localiza bens e recursos no exterior e que não é ordem de prisão, ao contrário da difusão vermelha. O alvo é rastrear os R$ 61 milhões do Banco Master que teriam financiado o filme "Dark Horse", sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. O verbo aqui é decisivo e esta síntese não o força: a PF avalia, não pediu, e a Interpol não decidiu nada (O Globo, InfoMoney, Gazeta do Povo). No mesmo dia, deputados do PT acionaram a PF para investigar suposto favorecimento de Flávio ao banco de Vorcaro (O Globo).

Do lado do governo, o PSB oficializou Geraldo Alckmin como vice na chapa de Lula em 29 de julho, em Brasília, com coligação de PT, PCdoB, PV, PDT, PSol e Rede (G1), e a convenção nacional do PT que formaliza Lula está marcada para 2 de agosto, em São Paulo. Lula disse que "ninguém vai meter o bedelho nas eleições" brasileiras, em crítica a Estados Unidos e Argentina (Folha de S.Paulo). Do lado da oposição, Eduardo Bolsonaro desistiu, em 29 de julho, de disputar o Senado como suplente em São Paulo (O Globo). E o Estadão registrou que Renan Santos é o candidato que mais impulsiona anúncios contra Lula e contra Flávio ao mesmo tempo (Estadão), o que é coerente com uma candidatura que disputa a terceira posição e não a polarização.

4. Divergências do dia

Mercado × pesquisa: o preço do favorito subiu 1,00pp e a urna do dia, lida dentro da própria casa, está parada. Na PoderData o gap do 1º turno é de 6pp, exatamente o mesmo de 16 de julho. É a terceira vez em sete dias que o mercado anda um ponto inteiro num dia sem urna correspondente, e esta síntese registra o padrão sem afirmar causa, porque não há evento triggador claro para atribuir.

A convergência de ontem se desfez: em 29 de julho esta síntese registrou a distância entre o preço de Renan Santos e a urna caindo para 0,90pp, com base nos 7,8% da AtlasIntel. A PoderData dá 4%, e a distância reabre para 4,45pp. Dentro da própria PoderData ele cai de 6% para 4%. Convergência medida contra um único levantamento não é tendência, e o mercado foi na mesma direção: cortou pela metade a chance dele de chegar ao 2º turno e o consolidou em terceiro.

Acúmulo institucional × preço: foi o dia mais denso da semana em fato institucional, com um partido acionando o TSE, a PF avaliando um pedido à Interpol e um atrito aberto entre STF e TSE. E o único mercado que toca esse eixo, o de impeachment de ministro do STF, andou para o lado contrário, caindo 0,25pp. Num book de USD 83 mil, isso é ruído, não sinal, e a leitura honesta é que o contrato não tem tamanho para responder ao noticiário.

Em síntese

  1. O preço subiu e a urna não mexeu. Lula voltou a 63,50%, igualou pela terceira vez o topo da série sem superá-lo, e o gap abriu para +39,55pp por movimento de um lado só. A PoderData mantém o gap da própria casa em 6pp desde 16 de julho.
  2. A rejeição empatou. Lula e Flávio aparecem ambos em 49% na PoderData, quando a AtlasIntel de 29 de julho dava 49,4% x 52,9%. Uma leitura não desfaz a série, mas a assimetria que o painel vinha registrando não apareceu nesta.
  3. O caso Master alcançou a campanha. A PF avalia pedir à Interpol o rastreamento no exterior dos R$ 61 milhões do Banco Master que teriam financiado um filme sobre Jair Bolsonaro, com Flávio Bolsonaro entre os nomes cogitados. A PF avalia, não pediu.

Fontes consultadas

matérias com link direto para a notícia (veículos âncora):

matérias secundárias (URL Google News redirect — clique resolve à matéria):

Fontes técnicas: Polymarket (cotações ao vivo via proxy AFOS, fetched 30/Jul 17:08 BRT), registro TSE (pesquisas eleitorais oficiais).

Fontes citadas neste texto: Polymarket, TSE (registro público), PoderData/Aya, Genial/Quaest, AtlasIntel, Folha de S.Paulo, O Globo, Estadão, G1, CNN Brasil, CartaCapital, Gazeta do Povo, Poder360, Metrópoles, O Tempo, InfoMoney, Revista Fórum, Brasil 247, Jornal de Brasília

Método: esta síntese é gerada automaticamente a partir dos dados auditáveis da plataforma AFOS Analytics, sob regras em código versionadas em git. Todas as alegações podem ser verificadas na plataforma ou nas fontes linkadas. Entenda a governança automatizada.

Integração: para ver os dados ao vivo e as análises dos candidatos em detalhe, acesse o dashboard completo. Para entender o método em profundidade, leia O Método.

Glossário: termos políticos brasileiros usados nas sínteses (TSE, STF, BolsoMaster, lideranças envelhecidas, etc.), definições nos 3 idiomas. Ver glossário completo

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