AFOS Daily · Síntese do Dia

29 de julho de 2026

Mercado de Previsão × Pesquisas × Notícias

Síntese gerada com base em dados auditáveis. Cada alegação cita sua fonte.

A 67 dias do 1º turno, a quarta inverteu a terça: saiu a pesquisa nacional de maior amostra do recorte e o preço do favorito CAIU 1,00pp, depois de ter subido 1,00pp na véspera sem nenhuma urna para ancorá-lo. A AtlasIntel dá Lula 44,9% x Flávio 35,8% e vitória nos seis returnos em que Lula aparece, mas com margem de 1pp o movimento contra a rodada anterior do próprio instituto cabe no ruído. O único mercado que acompanhou o acúmulo institucional do dia foi o de impeachment de ministro do STF, que subiu 0,55pp. O volume total acumulado no presidencial soma cerca de USD 116,49M.

1. Mercado de previsão

A 67 dias do 1º turno, o volume total acumulado no mercado presidencial soma cerca de USD 116,49M (Polymarket via proxy AFOS, captura de 29 de julho às 19:50 BRT). Lula caiu 1,00pp e foi a 62,50% (USD 7,73M). Flávio Bolsonaro subiu 0,10pp, para 23,95% (USD 7,70M), e o gap entre os dois recuou para +38,55pp.

O número de Lula precisa de duas frases, e a ordem importa. Não é queda de patamar: 62,50% é o mesmo valor de 25 e de 27 de julho, e o topo da série do AFOS marcou 63,50% em 26 e em 28 de julho. O que houve foi a devolução do ponto tomado na véspera. Pelo fechamento diário da série, o gap de hoje é o mais estreito desde 24 de julho, e o maior gap da série segue sendo +39,80pp, de 26 de julho.

No pelotão, o movimento do dia é de Ronaldo Caiado, que subiu 0,45pp e foi a 2,35% (USD 5,20M), valor acima de todo fechamento diário da série desde 20 de junho. Renan Santos caiu 0,05pp, para 8,70% (USD 8,59M), Jair Bolsonaro ficou em 1,05% (USD 5,26M), Romeu Zema subiu 0,20pp para 0,75% (USD 4,57M), Geraldo Alckmin subiu 0,10pp para 0,35% (USD 4,94M), Fernando Haddad ficou em 0,25% (USD 6,38M) e Tarcísio de Freitas em 0,15% (USD 13,66M), ainda o volume acumulado mais alto do book, anomalia de legado que mede história negociada e não convicção atual. Michelle Bolsonaro entra hoje como faixa de 0,35% a 0,55% (USD 9,34M), e a razão está na nota de captura abaixo.

Nos sub-mercados, o sinal se inverteu em relação à véspera. No 2º lugar do 1º turno, Flávio subiu 0,50pp, para 78,50% (USD 4,34M no book), Renan caiu 0,45pp, para 11,70%, e Haddad subiu 0,30pp, para 1,15%. No 3º lugar, num book de USD 484 mil, Caiado caiu 1,00pp, para 25,50%, e Renan recuperou 1,00pp, para 61,50%. Ontem Caiado subia no book de colocação e caía no de vencedor; hoje fez o contrário. A leitura correta é que o mercado mexeu na disputa pela Presidência, não na disputa pelo terceiro lugar.

Nos demais mercados, o impeachment de ministro do STF antes de 2027 subiu 0,55pp, para 3,35% (USD 83 mil), depois de cair 0,60pp na véspera, e foi o único contrato que acompanhou a direção do acúmulo institucional do dia. A ressalva vem antes da leitura: 0,55pp num book desse tamanho é pouquíssimo dinheiro, então o registrável é a direção e não o tamanho. No Senado por cadeiras, o PL ficou em 71,00% (USD 292 mil no book) e o MDB subiu 0,35pp, para 17,60%. No mercado de inflação de 2026, a faixa modal voltou para 5,00% a 5,49%, com 38,30%, enquanto a de 4,50% a 4,99% caiu para 34,90%, num book de USD 81 mil. Ou seja, a virada que esta síntese registrou em 28 de julho se desfez em um único pregão, e o mercado de inflação segue fora da trava de dupla leitura.

Nota de captura, e ela é de processo. A trava rodou três vezes em 29 de julho. Reprovou a primeira por 1,00pp de divergência no 3º lugar de Renan Santos, aprovou a segunda, e na terceira, feita às 19:50 para conferir o mercado antes do fechamento editorial, reprovou de novo, agora apenas no book de Michelle Bolsonaro, que oscilou entre 0,35% e 0,55%. Todos os demais preços repetiram e entram firmes; o de Michelle entra como faixa, com a divergência declarada.

2. O que os institutos registraram

Saiu a pesquisa nacional de maior amostra do recorte. A AtlasIntel/Bloomberg (n=5.021, campo de 22 a 27 de julho, margem de 1pp, 95% de confiança, protocolo BR-08602/2026, custo de R$ 80 mil com financiamento próprio) dá Lula 44,9% e Flávio Bolsonaro 35,8% no 1º turno, com Renan Santos 7,8%, Ronaldo Caiado 3,1%, Romeu Zema 2,8%, Samara Martins 2,1% e Augusto Cury 1,6% (CNN Brasil, JOTA, CartaCapital). Num cenário reduzido a cinco nomes, Lula vai a 47,4% e Flávio a 37,0%.

No 2º turno, Lula vence os seis cenários em que aparece, e aqui está o dado que esta síntese tem obrigação de destacar: a vantagem mais apertada dele não é contra Flávio, é contra Jair Bolsonaro, 49,2% a 43,9%, uma diferença de 5,3pp contra os 6,3pp do cenário com o filho. Como os dois cenários distam 1,0pp, no limite da margem, isso não desfaz empate nenhum, e sim sugere que, pelo mesmo instituto e no mesmo campo, o nome do pai mede igual ou melhor. Nos dois cenários sem Lula, Haddad 44,3% x Flávio 43,7%, empate técnico, e Alckmin 45,8% x Flávio 42,7%. A rejeição é o número mais duro da rodada: Flávio 52,9%, Lula 49,4% e Jair 42,6%. Na aprovação, Lula tem 47,6% contra 51,2% de desaprovação, com a aprovação subindo 1,7pp e a desaprovação caindo 1,1pp contra a rodada de 1º de julho do próprio instituto (Poder360, JOTA).

O que a comparação com 1º de julho mostra é estabilidade, não avanço. Os dois primeiros colocados caem, Lula de 46,3% para 44,9% e Flávio de 36,6% para 35,8%, e o gap do 1º turno estreita de 9,7pp para 9,1pp. No returno direto, o gap sai de 6,5pp para 6,3pp. Com margem de 1pp, cada um desses movimentos cabe no ruído. O que se move fora da margem é a avaliação do governo, e é justamente ali que a pesquisa autoriza afirmação.

Nas estaduais, a Genial/Quaest publicou rodadas em sete estados, e o recorte que atravessa o país é São Paulo: Flávio 34% x Lula 30% no 1º turno e 40% x 35% no returno, no maior colégio eleitoral (n=1.650, campo de 23 a 27 de julho, BR-09998/2026), com Tarcísio à frente de Haddad por 41% a 26% na disputa estadual (G1). No Nordeste o retrato é o inverso: Lula tem 52% contra 18% na Bahia (G1) e 54% contra 23% no Ceará, pela Ipsos-Ipec (n=800, campo de 23 a 26 de julho, BR-07235/2026) (Poder360). Nenhuma dessas entra no recorte nacional desta síntese, e todas juntas dizem a mesma coisa: a média nacional esconde um país partido (G1).

📅 Calendário de pesquisas — próximos 7 dias

Pesquisas registradas no TSE com publicação prevista entre 30 de julho e 5 de agosto. Inclusão na tabela não significa publicação confirmada, porque institutos podem atrasar ou cancelar divulgação. Filtro aplicado: amostra ≥ 1.000. Cada protocolo linkado à consulta pública TSE.

DataInstitutoAmostraEscopoProtocolo TSEConf.
30/JulPoderData2.400nacionalBR-07845/20260,7
30/JulReal Time Big Data2.000estadualBR-00968/20260,9
31/JulAlfa Inteligência2.700não declaradoBR-04488/20260,7
31/JulVox Brasil2.100nacionalBR-01084/20260,7
02/AgoVeritá2.010estadualBR-02249/20260,7
03/AgoNexus2.000nacionalBR-02874/20260,7

Fonte: registro público TSE via API AFOS. 🔥 destaca amostras ≥ 3.000, e a janela não tem nenhuma. A janela tem 25 registros com amostra ≥ 1.000; a tabela exibe os 3 de escopo nacional, em negrito, mais as 3 maiores entre as demais, e os outros 19, quase todos estaduais, ficaram de fora por legibilidade e não por ausência de registro. Status "registrada ≠ publicada": confirmação de divulgação efetiva exige verificação de duas fontes primárias antes da citação de números.

3. O que a imprensa cobriu

O fato institucional do dia nasceu dentro da própria convenção do PL, e a estrutura dele é o que importa. Em 28 de julho, Alexandre de Moraes deu 48 horas para a defesa de Jair Bolsonaro explicar o vídeo gerado por inteligência artificial com a imagem e a voz do ex-presidente, e montou duas hipóteses excludentes: se houve autorização, a divulgação pode caracterizar novo descumprimento das medidas cautelares que sustentam a prisão domiciliar, com risco de volta ao regime fechado; se não houve, a peça pode configurar deep fake vedado pela legislação eleitoral, com responsabilização de Flávio Bolsonaro e do partido (Metrópoles, Terra).

Em 29 de julho a defesa respondeu que ele não autorizou o uso da própria imagem e voz, e acrescentou que não se opõe a familiares produzirem esse tipo de conteúdo, prática que a petição descreve como notória e contínua, sustentando ainda que não poderia ter autorizado porque está com visitas suspensas por trinta dias e Flávio está proibido de visitá-lo por noventa (CNN Brasil, Metrópoles, Folha de S.Paulo). Vale precisar o que essa resposta é e o que não é: ela não é o pai desmentindo o filho, é defesa contra a acusação de descumprimento de cautelar, e o efeito é mover a exposição da primeira hipótese para a segunda. No mesmo dia, a campanha de Flávio disse ao TSE que o vídeo é legal e não engana o eleitorado, enquanto ministros do TSE passaram a ver abuso no uso de IA em campanha e o STF se preparou para agir caso o TSE não puna.

No caso Master, a novidade é de qualidade da informação e traz uma correção de data. A autorização para rastrear no exterior bens de Daniel Vorcaro, que esta síntese registrou em 28 de julho como apuração exclusiva de uma redação, apareceu em várias, e a decisão em si foi assinada em maio, tornando-se pública apenas em 28 de julho. A via é a de cooperação internacional por acordo de assistência jurídica mútua, conduzida pelo Departamento de Recuperação de Ativos do Ministério da Justiça, e entre os alvos citados está um iate avaliado em R$ 500 milhões (Gazeta do Povo, Imirante, Diario de Pernambuco). Em 28 de julho esta síntese tratou o ato como se fosse da véspera, e a data correta entra aqui.

No eixo externo, cabe uma correção do que esta síntese publicou em 28 de julho. Escrevemos que a emergência nacional americana é a base jurídica das sobretaxas. Não é: a tarifa de 40% baseada na IEEPA deixou de vigorar em fevereiro de 2026, depois de a Suprema Corte americana decidir que aquela lei não autoriza tarifa, e o que vigora hoje são 25% pela Seção 301 mais 12,5% anunciados em julho por investigação de trabalho forçado (InfoMoney, Estado de Minas). A prorrogação por um ano, com documento datado de 29 de julho, não cria sanção nova. O que mudou é a leitura: o governo brasileiro passou a avaliar a prorrogação como possível preparação de novas sanções, e a cúpula da campanha do PL espera medidas americanas contra Moraes. Isso é avaliação de governo, não fato consumado, e entra como tal.

Na disputa eleitoral, o dia rendeu três registros. A Justiça Eleitoral de São Paulo multou Lula em R$ 15 mil por propaganda antecipada e mandou retirar o vídeo do ar. Ronaldo Caiado adotou como estratégia atacar Lula e Flávio na mesma medida, e em 28 de julho Tarcísio de Freitas liberou aliados e prefeitos da base para apoiarem a candidatura dele, sem deixar de dizer que o candidato do próprio Tarcísio segue sendo Flávio (CNN Brasil). Em Minas Gerais, o Republicanos anunciou que Cleitinho não disputará o governo, e o senador nega a desistência. No orçamento, Flávio Dino determinou que governo e Congresso especifiquem a responsabilidade de parlamentares sobre emendas, com prazo de 10 dias. E Lula reclamou de corporativismo de juízes e procuradores e pregou reforma de instituições.

4. Divergências do dia

Preço × urna, e o inverso da véspera: em 28 de julho não houve pesquisa nacional e o preço do favorito subiu 1,00pp. Em 29 de julho saiu a pesquisa de maior amostra do recorte e o preço caiu 1,00pp. A direção do mercado coincide com a da urna, que também estreitou o gap, mas os tamanhos diferem: 0,6pp na pesquisa contra 1,10pp no mercado. E o mesmo pregão teve o caso do vídeo de IA no STF e a mudança de leitura sobre a emergência americana. Esta síntese registra a coincidência de direção e não afirma que a pesquisa moveu o preço.

Convergência que estreitou pelo lado certo: com 7,8% na urna e 8,70% de preço, a distância de Renan Santos caiu para 0,90pp. O que muda não é o nível, é a mecânica: nas semanas anteriores essa distância encurtava porque o preço cedia, enquanto a urna ficava em 3%; nesta rodada ela encurtou porque a urna subiu, e subiu na pesquisa de maior amostra do recorte. Continuam sendo grandezas diferentes, que não se subtraem uma da outra, e convergência não é prova de acerto de ninguém. A dispersão entre institutos, aliás, não se resolveu: seguem de pé 9% na Real Time de 21 de julho, 7,8% na AtlasIntel, 6% na PoderData/Aya de 16 de julho, 5% na BTG/Nexus de 27 de julho e 3% em Datafolha, Gerp e Indexa.

Preço subindo, urna piorando: Caiado subiu 0,45pp no contrato de vencedor no mesmo dia em que a AtlasIntel o cortou pela metade, de 6% na BTG/Nexus de 27 de julho para 3,1%, e o colocou perdendo o returno por 48,2% a 38,9%. A divergência que esta síntese registrou em 27 de julho entre Nexus (45% a 43%) e Datafolha (47% a 40%) ganhou a terceira medição que faltava, e ela ficou do lado da Datafolha. Preço e urna andaram em direções opostas, e as duas ficam registradas sem escolha de lado.

Acúmulo institucional × preço, com o sinal invertido em relação a ontem: em 28 de julho o eixo institucional foi denso e o mercado de impeachment caiu 0,60pp. Em 29 de julho o eixo foi mais denso ainda, com a resposta da defesa ao STF, ministros do TSE vendo abuso, o STF se preparando para agir e o presidente da República criticando o corporativismo do Judiciário, e o mercado subiu 0,55pp, para 3,35%. Registrar a direção é obrigatório; construir narrativa sobre ela, não, porque o book inteiro soma USD 83 mil e se move com pouquíssimo dinheiro.

Em síntese

  1. A pesquisa de maior amostra do recorte confirmou a liderança e não confirmou avanço: contra a rodada anterior do próprio instituto, os dois primeiros colocados caem e o gap estreita 0,6pp, tudo dentro da margem de 1pp. O que se move fora da margem é a avaliação do governo.
  2. O achado de método do dia é a mecânica da convergência em Renan Santos, não o nível. A distância caiu para 0,90pp porque a urna subiu, e isso é diferente de todas as semanas anteriores, em que ela caía porque o preço cedia.
  3. O eixo institucional inverteu o sinal do dia anterior: mais fato, e o preço subiu 0,55pp em vez de cair. Num book de USD 83 mil, isso é direção registrável e nada além disso. Nesta edição entram ainda duas correções de registro desta própria série: a base jurídica das sobretaxas americanas e a data da decisão sobre o rastreamento de bens de Vorcaro.

Fontes consultadas

matérias com link direto para a notícia (veículos âncora):

matérias secundárias (URL Google News redirect — clique resolve à matéria):

Fontes técnicas: Polymarket (cotações ao vivo via proxy AFOS, fetched 29/Jul 19:50 BRT), registro TSE (pesquisas eleitorais oficiais).

Fontes citadas neste texto: Polymarket, TSE (registro público), AtlasIntel/Bloomberg, Genial/Quaest, Ipsos-Ipec, BTG/Nexus, Datafolha, CNN Brasil, JOTA, CartaCapital, Poder360, Metrópoles, Terra, InfoMoney, Estado de Minas, Gazeta do Povo, Imirante, Diario de Pernambuco, Folha de S.Paulo, O Globo, Estadão, G1

Método: esta síntese é gerada automaticamente a partir dos dados auditáveis da plataforma AFOS Analytics, sob regras em código versionadas em git. Todas as alegações podem ser verificadas na plataforma ou nas fontes linkadas. Entenda a governança automatizada.

Integração: para ver os dados ao vivo e as análises dos candidatos em detalhe, acesse o dashboard completo. Para entender o método em profundidade, leia O Método.

Glossário: termos políticos brasileiros usados nas sínteses (TSE, STF, BolsoMaster, lideranças envelhecidas, etc.), definições nos 3 idiomas. Ver glossário completo

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