AFOS Analytics
Pricing político em tempo real
Mercado de previsão × pesquisas × imprensa
sem médias suavizadas
Semana do gap que abriu sem pesquisa de voto nova. Entre 22 e 26/Jun não saiu nenhuma pesquisa nacional de intenção de voto inédita (a última segue a Vox Brasil de 27/Jun, que deu 2º turno em empate técnico, 45.3 × 42.8). Mesmo assim, o mercado presidencial abriu: Lula de 51.50% para 57.50% (↑6.00pp na semana, novo pico do ciclo) e Flávio de 25.05% para 22.25% (↓2.80pp), levando o gap Lula × Flávio de +26.45pp para +35.25pp (↑8.80pp), o mais largo de todo o recorte. O fato negociável é a fonte do movimento: sem print de voto novo, o gap recorde foi precificado sobre fluxo de notícia (Flávio com 43% de ausências no Senado, crise Michelle × Flávio pelo espólio do PL, Lula à frente em coligações 25 × 14) e não sobre dado de pesquisa. Abaixo do topo, o sinal é a normalização de Renan: o contrato de 3º lugar do 1º turno recuou de 62% para 49.5% (↓12.50pp) enquanto o de vencedor cedeu para 11.60% (↓2.65pp), ainda divergindo ~7.60pp dos ~4% das nacionais. O contrato presidencial acumula ~USD 107M, então o gap recorde foi aberto com dinheiro real. A próxima janela traz o primeiro teste de voto desde a Vox: a AtlasIntel nacional (30/Jun e 01/Jul, n=5.000 cada), com questionário que mede o impacto da crise Michelle × Flávio.
1.Executive Summary
A semana 22-26/Jun não trouxe pesquisa nacional de intenção de voto inédita: a última segue a Vox Brasil de 27/Jun, que deu 2º turno em empate técnico (45.3 × 42.8). Mesmo sem print de voto, o mercado levou o gap a um novo recorde: Lula a 57.50% (vol USD 7.0M) e Flávio a 22.25% (vol USD 7.1M), gap +35.25pp (↑8.80pp na semana), o mais largo do ciclo. O movimento foi precificado sobre fluxo de notícia, não sobre pesquisa: 43% de ausências de Flávio no Senado, crise Michelle × Flávio pelo espólio do PL, e Lula à frente em coligações (25 × 14). Um degrau abaixo, o pico de Renan da Edição №5 normalizou: o contrato de 3º lugar recuou de 62% para 49.5% (↓12.50pp) e o de vencedor cedeu para 11.60% (↓2.65pp). Snapshot fechado em 28/Jun 14:30 BRT (os mercados operam 7 dias; o dado de domingo é o mais recente sobre a janela coberta).
2.Por que o AFOS não suaviza
A indústria de agregação reduz 'o mercado versus as pesquisas' a uma leitura única e suavizada. Nesta semana, essa média é exatamente o erro: misturar o gap recorde do mercado com o 2º turno de moeda ao ar da Vox cancela o fato que define a janela, o de que o mercado abriu o gap a um recorde sem nenhum print de voto novo para sustentá-lo.
Por que importa: a última pesquisa de voto da janela, a Vox de 27/Jun, é o 2º turno mais apertado do ciclo (Lula 45.3 × Flávio 42.8, gap +2.5pp). No mesmo intervalo, sem nenhum print nacional novo, o mercado levou a probabilidade de vitória de Lula a um gap recorde (+35.25pp, ↑8.80pp na semana). Uma leitura agregada anularia a informação mais útil: o dinheiro real abriu a vantagem a um recorde apoiado em fluxo de notícia, não em pesquisa, e numa direção oposta à da última pesquisa de voto. O AFOS Tradeoff reporta os dois lado a lado e trata a divergência como variável observada, não como erro a suavizar. Ressalva de método: gap de mercado é probabilidade de vitória, não margem de voto, então a comparação é de direção e de convicção, não pp a pp.
Diferente da Edição №5, em que o gap recorde resistiu a uma bateria nacional inteira, esta semana o sinal é que o gap abriu ainda mais sem nenhum teste de pesquisa novo, movido por fluxo de notícia. Isso eleva a aposta do próximo print: a AtlasIntel nacional (30/Jun e 01/Jul, n=5.000 cada) é o primeiro retrato de voto a confrontar o gap recorde e a medir o impacto da crise Michelle × Flávio. O AFOS Tradeoff registra a divergência de direção entre mercado e pesquisa e mantém o resultado das urnas como árbitro final.
O mesmo arcabouço que aplicamos ao Brasil, medir a distância entre o mercado de previsão e as pesquisas e conferir o sinal com o resultado real das urnas, já foi checado contra nove eleições em quatro continentes: Coreia do Sul (2025, primeiro caso da Ásia), Peru e Colômbia (2026), Chile, Alemanha e Canadá (2025) e Reino Unido, México e Estados Unidos (2024). Em alguns casos o sinal foi de divergência alta; em outros, de convergência quase nula (Colômbia, Alemanha); e nos Estados Unidos em 2024 dois mercados discordaram entre si (o colégio eleitoral acertou, o voto popular errou), registrado com honestidade radical. O que valida o método é o resultado real, não a direção do sinal, por isso não falamos em 'divergências validadas', e sim em casos checados contra o que as urnas entregaram. É track record auditável e aberto, não alegação de superioridade preditiva. Os casos estão no hub global da AFOS.
3.Cenários ponderados para a semana
Três caminhos para a janela de prints 29/Jun-03/Jul, com a AtlasIntel nacional (30/Jun e 01/Jul, n=5.000 cada) como o primeiro teste de voto desde a Vox de 27/Jun:
A AtlasIntel (30/Jun e 01/Jul, n=5.000) confirma a vantagem de Lula em linha com as nacionais recentes (1º turno ~+10pp; 2º turno na faixa +4 a +7pp), e o mercado mantém o gap na faixa +32 a +36pp. Renan segue ~4% nas pesquisas, preservando a divergência de ~7.60pp no contrato de vencedor (11.60%). Mercado e pesquisa convergem na direção do líder; o mercado segue precificando vantagem maior que o 1º turno. Net-neutral para BRL.
A AtlasIntel, que mede o impacto da crise Michelle × Flávio, mostra reconcentração da direita acima do precificado (Flávio acima de 33% no 1º turno) ou confirma um 2º turno apertado na faixa da Vox (45.3 × 42.8), e o gap de mercado comprime para +25 a +30pp. Implícito: o mercado abriu o gap a um recorde sobre fluxo de notícia e começa a convergir para o sinal das pesquisas quando o print de voto chega.
Evento institucional de alto impacto desloca o quadro fora da dinâmica eleitoral: desdobramento agudo do caso Master/Vorcaro no STF, com o pedido de Mendonça à PGR sobre o financiamento do filme Dark Horse, ou um print nacional muito fora do consenso. O contrato de impeachment a 2.65% sinaliza que o mercado não precifica ruptura institucional iminente; reprecificação aqui exigiria gatilho novo.
4.Indicator Grid
| Contrato | Atual | Δ semana | Vol USD acum. | Leitura implícita |
|---|---|---|---|---|
| Lula · vencedor | 57.50% | ↑6.00pp semana | 7.0M | Novo pico do ciclo; gap recorde aberto sem pesquisa de voto nova |
| Flávio · vencedor | 22.25% | ↓2.80pp semana | 7.1M | Recuou na semana sob fluxo adverso (43% de ausências no Senado, crise familiar) |
| Gap Lula × Flávio | +35.25pp | ↑8.80pp semana | - | Mais largo de todo o recorte; movido por notícia, não por pesquisa de voto |
| Renan · 3º lugar 1º turno | 49.50% | ↓12.50pp semana | 93k | Normalização forte após o pico de 62%; ainda favorito, à frente de Caiado (16%) e Zema (13%) |
| Renan · vencedor | 11.60% | ↓2.65pp semana | 7.5M | Maior volume entre os vivos; diverge ~7.60pp do 1º turno das pesquisas (~4%) |
| Flávio · 2º lugar 1º turno | 75.50% | ↑7.00pp semana | 84k | Líder isolado do 2º lugar; consolidou mesmo com Lula disparando no vencedor |
| STF impeach <2027 | 2.65% | ↓0.95pp semana | 82k | De volta ao piso após o pico de 26/Jun; volume fino, sinal frágil |
| PL plurality Senado | 76.50% | ↓1.00pp semana | 244k | Favoritismo amplo mantido; sem contendor próximo (MDB 11.15%) |
| Inflação 2026 banda modal 5.0-5.49% | 38.65% | ↑8.70pp semana | - | Banda modal subiu para perto de 39%; consenso 4.50-5.49% soma 69.60%, cauda alta segue precificada |
5.Liquidez e estrutura de mercado
Os cinco maiores volumes do book inteiro seguem em contratos de probabilidade ≤2.95%: Tarcísio (USD 13.10M), Carlos Massa (10.17M), Eduardo Bolsonaro (9.91M), Michelle (8.39M) e Eduardo Leite (7.58M), todos posições antigas nunca desmontadas. É volume legado, não tração corrente; nenhum é contendor ativo na faixa. Ler 'preço baixo + volume alto' como convicção concentrada já precificada e resolvida, não como interesse vivo. O dado relevante da semana está logo abaixo do top-5: os contendores com probabilidade material, Renan (7.5M), Flávio (7.1M) e Lula (7.0M), seguem agrupados em torno de USD 7M, e Renan ainda lidera o volume acumulado entre os vivos, sustentando 11.60% no vencedor (diverge ~7.60pp do 1º turno das pesquisas) ao mesmo tempo em que seu contrato de 3º lugar normalizou de 62% para 49.5% na semana.
Os 5 maiores volumes acumulados respondem por ~USD 49M (~46%) do mercado presidencial (total ~USD 107M). A leitura cruzada de preço × volume da semana está no topo: a abertura do gap a um recorde (+35.25pp) foi feita sobre fluxo real (Lula USD 7.0M, Flávio USD 7.1M), não em book raso, e sem nenhuma pesquisa de voto nova na janela. Spike de volume baixo (USD <500k) em contrato individual deve ser tratado como ruído até confirmação de fluxo recorrente.
6.Calendário de prints price-relevant
| Data | Amostra | Por que importa | |
|---|---|---|---|
| Seg 29/Jun | Nexus (nacional) | n=2.000 | Abre a semana; nacional de reforço, cross-check da vantagem de Lula |
| Ter 30/Jun | AtlasIntel (nacional) | n=5.000 | Tier 1, primeiro print de voto desde a Vox; teste central do gap recorde +35.25pp |
| Qua 01/Jul | AtlasIntel (nacional) | n=5.000 | Segundo print AtlasIntel; questionário mede o impacto da crise Michelle × Flávio |
| Qua 01/Jul | Real Time Big Data | n=1.600 | Registro estadual; escopo a confirmar |
| Qui 02/Jul | Instituto Gazeta | n=3.000 | Amostra grande, escopo estadual; reforço de contexto regional |
Fonte: registro TSE via API AFOS. A janela 29/Jun-03/Jul traz a dupla AtlasIntel nacional (n=5.000 cada, Tier 1), o primeiro teste de voto desde a Vox de 27/Jun, com questionário que mede a crise Michelle × Flávio. Registrada ≠ publicada: inclusão não garante divulgação nem números. Filtro aplicado: amostra ≥ 1.000.
7.Watch list, gatilhos da semana
- AtlasIntel dupla (30/Jun e 01/Jul, n=5.000). O primeiro teste de voto desde a Vox. Um 1º turno abaixo de +10pp, ou um 2º turno na faixa da Vox (45.3 × 42.8) confirmado, tensiona o gap recorde de +35.25pp aberto sem pesquisa.
- Impacto da crise Michelle × Flávio. O questionário da AtlasIntel mede o conflito pelo espólio do PL e o caso Wagner; é o primeiro dado de voto a quantificar o que o mercado já precificou via notícia.
- Convergência ou divergência do gap. Vigiar se o mercado mantém o gap acima de +32pp ou começa a convergir para o 1º turno das pesquisas (~+10pp) quando o print de voto chega.
- Normalização de Renan. O contrato de 3º lugar recuou de 62% para 49.5%; vigiar se estabiliza ou se Caiado (16%) e Zema (13%) seguem encostando, e se algum print registra Renan acima de 4% no 1º turno.
- Caso Master / Dark Horse no STF. O pedido de Mendonça à PGR sobre o financiamento de Vorcaro ao filme Dark Horse; qualquer ato que mova o contrato de impeachment para fora de 2.65%.
8.Metodologia
AFOS Tradeoff agrega três sinais sem mediá-los em composto: Polymarket (denominado em USD, latência ~30min), pesquisas registradas no TSE (intenção declarada, periodicidade variável) e 400+ fontes de imprensa (event flow). Quando os três divergem, a divergência é o sinal, não o consenso. Volume USD é reportado junto da probabilidade implícita para separar convicção de spike artificial. Liquidez (profundidade de book) não é citada inline pois liquidez baixa em Polymarket não significa preço errado (arbitragem ativa em minutos), e expor o número técnico gera misread em audiência leiga.
Séries de Δ semana derivam de snapshots persistidos diariamente no Neon (21-28/Jun), em base consistente com o pipeline do dashboard. Código fonte, dados brutos e síntese editorial diária (PT/EN/ES) sob licença Apache 2.0: afos-analytics.com · github.com/AFOS-Analytics.
9.Leitura adicional · cobertura macro
Matérias e seções relevantes da semana em veículos de referência. AFOS Tradeoff é fonte primária (Polymarket + TSE + pesquisas); as referências abaixo são leitura complementar para alinhamento de contexto macro. Atenção: parte opera com paywall.
- Valor Econômico · Flávio Bolsonaro se ausentou em 43% das votações nominais do Senado em 2026 (28/Jun)(paywall), valor.globo.com/politica/noticia/2026/06/28/flavio-bolsonaro-se-ausentou-em-43percent-das-votacoes-nominais-do-senado-em-2026.ghtml
- O Globo · Em conflito com Flávio, Michelle usa estrutura do PL na disputa por espólio de Bolsonaro (28/Jun)(paywall), oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/28/em-conflito-com-flavio-michelle-usa-estrutura-do-pl-na-disputa-por-espolio-de-bolsonaro.ghtml
- Reuters · seção Americas/Brazil, fluxo político e risco-país, www.reuters.com/world/americas/
- Estadão · Renan aposta em vaquinha, base do MBL e Faria Lima para disputar 2026 sem máquina partidária (28/Jun), www.estadao.com.br/politica/renan-aposta-em-vaquinha-base-do-mbl-e-faria-lima-para-disputar-2026-sem-maquina-partidaria/
- Bloomberg Línea · cobertura Brasil/mercados emergentes e BRL(paywall), www.bloomberglinea.com.br/
- InfoMoney · política e mercado (acesso aberto), www.infomoney.com.br/politica/
Referências de contexto macro. O sinal primário desta edição (gap recorde Lula × Flávio aberto sem pesquisa de voto nova, e a normalização de Renan no 3º lugar) é observação direta do pricing Polymarket cruzado com o registro TSE, não derivado das matérias acima.
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