AFOS Tradeoff · Brazil Political Risk Weekly

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Mercado de previsão × pesquisas × imprensa
sem médias suavizadas

Brasil·Edição №20·Semana de 28 setembro - 4 outubro 2026·Publicada Segunda 07:00 BRT
Sinal da semana

Esta edição cobre sete dias e não cinco: de segunda, 28 de setembro, até o fechamento da apuração do primeiro turno, na noite de domingo, 4 de outubro. Fechar na sexta deixaria de fora o dia em que o contrato presidencial andou mais do que em qualquer semana inteira da série.

O vão entre Flávio Bolsonaro e Lula abriu de 16.50pp no fechamento de segunda para 72.60pp às 23h30 UTC de domingo, com Flávio Bolsonaro em 86.10% e Lula em 13.50%. São 56.10pp em sete dias. O topo de domingo supera em 48.80pp qualquer instante da série pareada gravada desde 14 de abril, cujo recorde anterior era de 23.80pp, em 21 de setembro. De segunda a sexta o movimento foi pequeno, de 16.50pp para 13.40pp, com piso de 8.30pp às 07h00 UTC de sexta, horas depois do cancelamento do debate da TV Globo. Quase todo o deslocamento ficou para o fim de semana: 16.00pp no sábado, dia em que nove nacionais foram divulgadas, e 43.20pp no domingo, dia da votação e da contagem.

O Tribunal Superior Eleitoral fechou a totalização em 5 de outubro com Flávio Bolsonaro 47.03% e Lula 45.16% dos votos válidos, e os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro. Na véspera, cinco das nove nacionais punham Lula à frente no primeiro turno. A distância final, 1.87 ponto para Flávio Bolsonaro, ficou dentro do intervalo das nove, que ia de 5.1 pontos para Lula a 4 pontos para Flávio Bolsonaro.

Os livros laterais chegaram à resolução no mesmo domingo. O de segundo lugar do primeiro turno fechou com 99.30% para Lula e o de terceiro com 99.40% para Augusto Cury, a mesma ordem da urna. O de partido com mais cadeiras no Senado fechou com 97.70% para o PL, que somou 19 das 54 vagas em disputa. O livro presidencial recebeu USD 13.41M de dinheiro novo na janela e chegou a USD 169.90M acumulados.

1.Executive Summary

Vão presidencial, Flávio × Lula
72.60pp
+56.10pp em sete dias
De 16.50pp no fechamento de segunda a 72.60pp às 23h30 UTC de domingo, o maior instante da série pareada desde 14 de abril. Piso de 8.30pp na sexta, 2 de outubro.
Lula em 2º no 1º turno, livro de 2º lugar
99.30%
+74.80pp na janela
Abriu a semana em 24.50%, quando o livro pagava 76.50% por Flávio Bolsonaro em segundo. O TSE pôs Lula em segundo, 1.87 ponto atrás.
PL com mais cadeiras no Senado
97.70%
+4.20pp na janela
O PL fez 19 das 54 vagas, entre os dois mais votados de cada estado, contra 7 do MDB e 6 do PT. Livro de USD 0.32M acumulados.

O tema da semana é a passagem da medição para o resultado. Durante cinco dias o contrato se moveu dentro da faixa das semanas anteriores, enquanto mais de vinte nacionais se dividiam sobre quem liderava cada turno. No sábado as nove últimas nacionais saíram com a mesma divisão, cinco a quatro para Lula no primeiro turno, e o vão abriu 16.00pp. No domingo a contagem oficial respondeu à pergunta que as pesquisas não fechavam: Flávio Bolsonaro terminou à frente por 1.87 ponto, e o contrato foi a 86.10%. Esta edição mede o que cada instrumento mostrava antes do resultado, e o que mudou quando a urna passou a ser a referência.

2.Por que o AFOS não suaviza

As nove nacionais divulgadas em 3 de outubro, véspera da votação, mediram o primeiro turno com amostras de 2.000 a 5.000 entrevistas. Uma média simples da vantagem de cada uma devolve 0.3 ponto para Lula, número que se lê como empate com leve inclinação para ele. A urna deu 1.87 ponto para Flávio Bolsonaro.

Nove pesquisas na véspera, uma urna no dia seguinte
Se fosse média
0.3ponto para Lula no 1º turno
Um número só, que aponta o candidato que terminou em segundo
Soma a CNT/MDA, com 5.1 pontos para Lula, e a Palver, com 4 para Flávio Bolsonaro
Apaga a divisão de cinco a quatro entre as casas
AFOS reporta
-5.1 a +4.0
Intervalo de 9.1 pontos entre as nove casas, sobre o mesmo dia de divulgação
Palver +4.0 · Gerp +2.0 nas duas rodadas · Futura +2.0
PoderData -1.0 · Datafolha -2.0 · Quaest -2.0 · AtlasIntel -2.9 · CNT/MDA -5.1
Urna: +1.87 nos votos válidos, dentro do intervalo
As quatro que punham Flávio Bolsonaro à frente tinham a ordem da urna

Por que importa: a média de 0.3 ponto para Lula era um número que nenhuma casa mediu e que apontava o candidato errado para a liderança. O intervalo, de 5.1 pontos para Lula a 4 pontos para Flávio Bolsonaro, continha o resultado. O que a véspera oferecia ao leitor não era um ponto, era a faixa e a divisão entre as casas, e a faixa é o que se conferiu na urna.

🌐 Track record · casos validados globalmente

A edição №19 atribuiu cerca de 55% ao cenário base, no qual a última onda repetiria a divisão das semanas anteriores, maioria simples dando o segundo turno a Flávio Bolsonaro e maioria dando o primeiro a Lula, com o vão dentro da faixa de 10pp a 24pp. Até sexta foi o que aconteceu: os cinco fechamentos ficaram entre 13.40pp e 22.30pp, e o piso intradiário de 8.30pp ficou 1.70pp abaixo do limite da faixa. Cerca de 30% foram para o cenário contrário ao pricing, no qual AtlasIntel, Quaest e Datafolha poriam Lula à frente no segundo turno ao mesmo tempo. Não se realizou por inteiro: na véspera a Datafolha deu Lula por 47% a 46% e a AtlasIntel por 47.6% a 47.4% nos votos totais, e a Quaest deu Flávio Bolsonaro por 44% a 42%. Cerca de 15% foram para a cauda, uma das casas medindo maioria de votos válidos no primeiro turno fora da margem. Nenhuma mediu, e a urna também não deu: Flávio Bolsonaro terminou com 47.03%, abaixo de 50%.

3.Cenários ponderados para a semana

A partir de 5 de outubro o contrato de vencedor passa a ser, na prática, um par entre Flávio Bolsonaro e Lula, e os livros de segundo e terceiro lugar e do Senado saem do quadro com a resolução. O calendário registra quatro nacionais de segundo turno para 8 e 9 de outubro: Datafolha e PoderData na quinta, AtlasIntel e Vox Brasil na sexta. Os eliminados somam 7.81% dos votos válidos, com Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado entre 2.18% e 2.89% cada.

Base · ~55%

As primeiras nacionais de segundo turno repetem a forma da véspera, com as casas divididas e distância dentro de 4 pontos para qualquer lado. O contrato fica numa faixa alta para Flávio Bolsonaro, entre 75% e 90%, porque a referência deixou de ser a pesquisa e passou a ser o resultado do primeiro turno. A amplitude intradiária cai em relação à semana da votação, com quatro prints em dois dias em vez de nove num sábado.

Contrário ao pricing · ~30%

As quatro primeiras nacionais de segundo turno põem Lula à frente fora da margem, puxadas pela transferência dos 7.81% dos válidos que foram para os eliminados e pelos 21.08% de abstenção. Nesse caso o contrato, que paga hoje mais de quatro vezes por Flávio Bolsonaro o que paga por Lula, fica contra a maioria das casas logo na primeira semana, e o vão devolve uma parte do que abriu no domingo.

Cauda · ~15%

Um ato institucional muda a disputa antes de 25 de outubro, como uma decisão judicial sobre candidatura, uma questão sobre a totalização ou um fato novo do caso Master que alcance um dos dois. O contrato de impeachment no Supremo subiu 0.80pp no domingo, para 3.40%, e é o termômetro mais próximo desse tipo de risco no painel.

4.Indicator Grid

ContratoAtualΔ semanaVol USD acum.Leitura implícita
Vão presidencial, Flávio menos Lula+72.60pp+56.10ppUSD 169.90MCaminho: +16.50, +18.00, +22.30, +22.00, +13.40, +29.40, +72.60. Piso de 8.30pp às 07h00 UTC de sexta e topo de 72.60pp às 23h30 UTC de domingo, o maior da série pareada.
Flávio Bolsonaro, presidencial86.10%+28.10ppUSD 15.94MPiso de 53.80% às 07h00 UTC de sexta e topo no fechamento de domingo. Recebeu USD 3.78M na janela, e o normalizado pela soma do par dá 28.15pp.
Lula, presidencial13.50%-28.00ppUSD 16.31MTopo de 45.50% às 07h00 UTC de sexta e piso no fechamento de domingo. Recebeu USD 3.78M, o mesmo aporte de Flávio Bolsonaro, e o contrato dele segue acima do do adversário em volume acumulado.
Lula, 2º lugar do 1º turno99.30%+74.80ppUSD 2.05MDe 24.50% para 99.30%, quase todo o deslocamento no domingo. Recebeu USD 980 mil na janela, quase metade do acumulado do contrato.
Flávio Bolsonaro, 2º lugar do 1º turno0.80%-75.70ppUSD 2.51MO espelho do contrato de Lula: o livro deixou de pagar Flávio Bolsonaro em segundo quando a contagem o pôs em primeiro.
Augusto Cury, 3º lugar do 1º turno99.40%+55.00ppUSD 0.53MPiso de 21.00% às 04h30 UTC de domingo, horas antes da votação. A urna lhe deu 2.89% dos válidos, à frente de Renan Santos, com 2.24%, e de Ronaldo Caiado, com 2.18%.
Renan Santos, 3º lugar do 1º turno1.10%-42.40ppUSD 0.97MTopo de 62.50% às 14h00 UTC de sexta. Recebeu USD 520 mil na janela, o maior aporte do livro de terceiro lugar, e terminou em quarto na urna.
PL, mais cadeiras no Senado97.70%+4.20ppUSD 0.32MPiso de 90.50% à 01h00 UTC de segunda. O MDB, segundo na urna com 7 vagas, cedeu de 3.80% para 1.40%.
Impeachment no Supremo antes de 20273.40%+0.40ppUSD 0.09MAmplitude de 0.80pp, com piso de 2.60% na quinta e o topo no fechamento de domingo, e USD 37 de dinheiro novo na semana inteira.

5.Liquidez e estrutura de mercado

Volume acumulado no livro presidencial · vol. acumulado desde aberturaUSD 169.90M
1Renan Santos0.10%USD 17.10M
2Lula13.50%USD 16.31M
3Flávio Bolsonaro86.10%USD 15.94M
4Tarcisio de Freitas0.10%USD 14.89M
5Ratinho Jr.0.10%USD 10.50M
Anomalia de leitura.

O livro presidencial recebeu USD 13.41M de dinheiro novo na janela. Lula e Flávio Bolsonaro levaram USD 3.78M cada. Logo atrás vêm três contratos que pagaram menos de 1% durante toda a semana: Renan Santos, com USD 2.49M, Geraldo Alckmin, com USD 1.77M a 0.20%, e Tarcisio de Freitas, com USD 0.79M a 0.10%. Os três somam USD 5.04M, mais de um terço do dinheiro novo, em nomes que não terminaram entre os dois primeiros e, no caso de Alckmin e de Tarcisio, não estavam na cédula presidencial. Volume acumulado é histórico de negociação desde a abertura de cada contrato e não é convicção corrente, e quem lê o ranking de volume como ranking de probabilidade lê o livro ao contrário.

Volume é acumulado desde a abertura de cada contrato. O dinheiro novo da semana é a diferença entre os volumes gravados no fechamento de 28 de setembro e no de 4 de outubro, às 23h30 UTC, e os preços da tabela são os desse último fechamento. O AFOS não cita profundidade de book em texto editorial, porque liquidez baixa num mercado arbitrado continuamente não significa preço errado.

6.Calendário de prints price-relevant

DataPrintAmostraPor que importa
08/OutDatafolhan=2.520Primeira nacional da casa depois do primeiro turno. Na véspera a Datafolha mediu Lula 47% a 46% no segundo turno, com n=4.006.
08/OutPoderDatan=3.000A casa mediu empate em 46% no segundo turno na véspera, a única das nove nacionais de 3 de outubro sem vantagem para nenhum dos dois.
09/OutAtlasInteln=5.000A maior amostra do calendário. Na véspera mediu 47.6% a 47.4% para Lula nos votos totais do segundo turno, a menor distância entre as casas.
09/OutVox Brasiln=2.100Em 2 de outubro mediu Flávio Bolsonaro 48.2% a 45.2% no segundo turno, a segunda maior distância a favor dele naquela semana.

Registro no TSE não é divulgação confirmada. São as quatro nacionais de segundo turno com amostra igual ou superior a 1.000 e divulgação prevista até 11 de outubro, todas registradas antes do primeiro turno.

7.Watch list, gatilhos da semana

  1. As primeiras nacionais de segundo turno, em 8 e 9 de outubro Datafolha, PoderData, AtlasIntel e Vox Brasil publicam em dois dias. Três delas mediram o segundo turno na véspera, com distâncias de 1 ponto para Lula, empate e 0.2 ponto para Lula, contra a de 1.87 ponto para Flávio Bolsonaro no primeiro turno da urna.
  2. Para onde vão os 7.81% dos eliminados Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado somaram 7.31% dos válidos, e os demais nomes 0.50%. Apoios declarados no segundo turno, com data e fonte, são o primeiro dado novo que nenhuma das casas tinha na véspera.
  3. A resolução dos livros laterais Os livros de segundo e terceiro lugar e o de mais cadeiras no Senado resolvem com o resultado oficial. Fecharam em 99.30% para Lula em segundo, 99.40% para Augusto Cury em terceiro e 97.70% para o PL, a mesma ordem da totalização.
  4. O contrato de vencedor como par Com os demais nomes no piso de 0.10%, a soma de Flávio Bolsonaro e Lula foi a 99.60%, e o movimento de um lado passa a ser quase todo o movimento do outro. O normalizado e o cru tendem a coincidir, o que não acontecia com o terceiro lugar ainda em disputa.
  5. O Supremo depois da votação O contrato de impeachment subiu 0.80pp no domingo, para 3.40%, depois de passar a semana entre 2.60% e 3.00%. É um livro de USD 0.09M acumulados e recebeu USD 37 de dinheiro novo na semana, então o movimento é de preço, não de fluxo.

8.Metodologia

O AFOS não produz média ponderada e não arbitra entre fontes. Ele publica os três sinais lado a lado, preço de contrato, pesquisa registrada e fluxo de imprensa, e reporta a distância entre eles quando ela existe. Preço de mercado só vai ao ar depois de duas leituras independentes separadas por oito minutos que confirmem dentro de 0.20pp, contrato a contrato, e as séries de referência são medidas no backup diário da base e não na interface pública. Esta edição cobre sete dias, de segunda até o fechamento da apuração no domingo, por decisão editorial: a convenção das edições do Brasil é segunda a sexta, e a semana da votação concentra no fim de semana o deslocamento que define a série. O Δ da janela é o fechamento de domingo menos o de segunda, e o vão é medido em instantes pareados, os dois lados com o mesmo carimbo.

As pesquisas citadas são as registradas no Tribunal Superior Eleitoral, com protocolo, amostra, margem e datas de campo declarados, e o resultado é o da totalização oficial do TSE, lida dos arquivos públicos do tribunal. Na noite da apuração o AFOS publicou edições horárias de painel e síntese, arquivadas com a totalização e o preço de cada hora e abertas no Hugging Face e no Harvard Dataverse. O código e o método são abertos sob licença Apache 2.0. Cada alegação factual desta edição liga à fonte primária.

9.Leitura adicional · cobertura macro

Leitura complementar de contexto macro. O AFOS é fonte primária sobre divergência entre mercado e pesquisa; os links abaixo cobrem o pano de fundo econômico e institucional da janela.

Aviso obrigatório. Este brief é pesquisa observacional sobre infraestrutura de mercados de previsão, pesquisas eleitorais e fluxo de notícias. Não constitui recomendação de investimento. Nenhuma posição é recomendada ou implícita. Polymarket é mercado USD-denominado operando fora da jurisdição brasileira; volumes mencionados são informativos, não orientativos. Decisões de portfólio são responsabilidade exclusiva do leitor e devem considerar análise independente, perfil de risco e regulamentação aplicável.
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