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Pricing político em tempo real
Mercado de previsão × pesquisas × imprensa
sem médias suavizadas
A semana de 03 a 07/Ago quebrou a imobilidade que a Edição №2 reportou, e quebrou de um jeito específico que vale mais que o tamanho do movimento. No contrato que paga se os democratas ficarem com a Câmara, o preço saiu de 85.50% na segunda e fechou a sexta em 87.50%, uma alta de 2.00pp. No mesmo contrato, do outro lado, a probabilidade de os republicanos controlarem a Câmara marcou 13.50% nos cinco dias, sem variação nenhuma.
Os dois lados do mesmo contrato deveriam somar perto de 100%. Durante esta semana eles foram de 99.00% para 101.00%, porque um lado andou e o outro não. Não é uma leitura nova sobre quem ganha a Câmara: é uma ponta do book se movendo sozinha, e o efeito é que o preço passou a somar mais que o total possível.
O dinheiro conta a mesma história. Na janela de segunda a sexta, o lado democrata da Câmara recebeu USD 132 mil de volume novo e o lado republicano recebeu USD 20 mil, quase sete vezes menos. Quem operou na semana operou numa ponta só.
No Senado o comportamento foi o oposto, e é o contraste que dá sentido ao achado. Os democratas subiram de 44.50% para 45.50% e os republicanos caíram de 55.50% para 54.50%, movimento simétrico de 1.00pp em cada lado, com a soma dos dois parada em 100.00% do começo ao fim. Mesmo painel, mesma semana, dois contratos se comportando de maneira diferente.
Do lado de quem mede intenção de voto, nada se moveu, e por um motivo que precisa ser dito: a base de pesquisas não recebeu uma leitura nova desde 04/Ago. A média da casa para a Câmara está em D+5.66, sobre 29 pesquisas de 23 institutos numa janela de 30 dias, e a distância entre a leitura mais alta e a mais baixa continua em 9 pontos, de D+11 no Big Data Poll e no Emerson College a D+2 na Reuters/Ipsos, na RMG Research, na McLaughlin e no Harvard/Harris. O conjunto dos oito contratos deste painel acumula USD 17.33M.
1.Executive Summary
A semana de 03 a 07/Ago teve movimento, e o formato do movimento é o achado. Na Câmara, o lado democrata subiu 2.00pp e o lado republicano não se mexeu um centésimo em cinco dias, o que fez os dois lados do mesmo contrato passarem a somar 101.00%. No Senado, os dois lados andaram juntos e a soma ficou intacta em 100.00%. Mesmo painel, mesma semana, dois comportamentos.
A segunda coisa que esta edição reporta é uma perda de instrumento, e ela é declarada aqui porque muda o que dá para escrever. O contrato de cadeiras do Senado, que na Edição №2 sustentou a seção de cenários com as faixas somando 99.20%, hoje soma 126.05%. O de cadeiras da Câmara está pior: entre 17:11 e 18:17 de hoje, uma única faixa dele saiu de 40.55% para 10.50%. Os números de mercado desta edição são de 10/Ago às 18:24 UTC e passaram pela trava de captura, que faz duas leituras separadas por oito minutos e só libera se elas concordarem dentro de 0.20pp.
2.Por que este brief não subtrai o mercado da pesquisa
Este brief publica uma média de pesquisas e nunca a subtrai do preço de mercado. Parece detalhe técnico e não é: é o que separa uma leitura defensável de um número inventado.
Vale declarar o que enfraquece esta edição, e são três coisas.
A primeira é a série curta da Câmara, que começa em 29/Jul e tem doze dias. Qualquer superlativo sobre ela é 'da série', com a data de início declarada, nunca 'do ciclo'. Quando esta edição diz que 88.50% em 09/Ago é o maior valor já registrado, isso vale para doze dias de coleta, e não descreve o ciclo eleitoral.
A segunda é a régua parada das pesquisas. A data de campo mais recente da base é 04/Ago. A média de D+5.66 mudou em relação ao D+5.69 da Edição №2, mas a mudança não veio de pesquisa nova: veio da janela de 30 dias rolar e deixar pesquisas antigas para trás. Quando a composição do conjunto muda e a intenção de voto não é medida de novo, chamar isso de 'movimento das pesquisas' é erro de leitura.
A terceira é a mais séria e está detalhada na seção de cenários: três dos cinco mercados de distribuição que este painel acompanha pioraram de qualidade na semana, e um deles é justamente o que sustentou os cenários da edição anterior.
3.Cenários ponderados para a semana
Os cenários abaixo não são narrativa nossa: saem de um contrato que já precifica cada faixa de cadeiras republicanas no Senado. Onde no Brasil seria preciso construir a hipótese, aqui basta ler o que o mercado paga.
🔴 Mas esta semana a leitura vem com uma condição, e ela precisa vir antes dos números. As onze faixas somam 126.05%, fora do portão de coerência de 95% a 105% que este painel exige. Na Edição №2, sete dias atrás, as mesmas faixas somavam 99.20% e passavam. Faixas que somam mais de 100% não podem ser lidas como probabilidade, porque o excesso é margem de quem opera o livro. O que se preserva é a forma da distribuição, não o nível de cada faixa.
Por isso os números abaixo aparecem normalizados, divididos pela soma bruta de 126.05%, e a etiqueta muda junto: o que segue é participação no livro, nunca probabilidade. O contrato acumula USD 2.80M.
📌 Uma regra do sistema americano muda a conta: num Senado empatado em 50 a 50, o voto de desempate é do vice-presidente. Por isso a faixa de 50 cadeiras entra do lado republicano.
Somando as faixas de 51 cadeiras ou mais com o empate em 50, que o desempate do vice resolve, o contrato de cadeiras dá 51.61% normalizado, sobre 65.05% brutos. As faixas isoladas mais pesadas desse lado são a de exatamente 50, com 12.69%, e a de exatamente 51, com 12.30%, seguidas pela de 52, com 10.59%. Segue sendo maioria apertada, não folgada.
As faixas em que os republicanos ficam com 49 cadeiras ou menos somam 48.39% normalizado, sobre 61.00% brutos, e a mais pesada delas continua sendo a de 47 ou menos, com 27.37%, mais de um quarto de todo o livro concentrado num único desfecho. Quando este mercado imagina os democratas vencendo, ele não imagina por pouco. 🔴 E a discordância contra o contrato de controle, que dá 54.50% aos republicanos, está em 2.89pp, contra 4.80 pontos na Edição №2.
As faixas de 53 cadeiras ou mais somam 16.03% normalizado, sobre 20.20% brutos. É a cauda que praticamente nenhuma pesquisa nacional descreveria hoje, com a média em D+5.66, e mesmo assim tem dinheiro atrás: a faixa de 54 cadeiras acumula USD 771 mil, o maior volume individual de todo o contrato de cadeiras, apesar de aparecer com 4.64% de participação. Volume alto numa faixa de baixa participação é posição antiga que ficou aberta, não convicção de agora.
4.Indicator Grid
| Contrato | Atual | Δ semana | Vol USD acum. | Leitura implícita |
|---|---|---|---|---|
| Câmara · democratas controlam | 86.50% | +1.00pp desde 03/Ago | USD 5.22M | Subiu de 85.50% para 87.50% ao longo da semana e chegou a 88.50% em 09/Ago, o maior valor da série que começa em 29/Jul. Recuou para 86.50% hoje |
| Câmara · republicanos controlam | 12.50% | -1.00pp desde 03/Ago | USD 4.11M | Marcou 13.50% nos cinco dias da semana, sem exceção, e só se moveu em 09/Ago, dois dias depois da janela. Enquanto ficou parado, os dois lados do contrato somaram 101.00% |
| Senado · republicanos controlam | 54.50% | -1.00pp na semana | USD 1.55M | Caiu de 55.50% para 54.50% em 05/Ago e ficou. A série deste contrato começa em 12/Mai e já andou entre 51.50% e 58.50%, então isto é movimento pequeno numa faixa conhecida |
| Senado · democratas controlam | 46.50% | +1.00pp na semana | USD 2.22M | Subiu de 44.50% para 45.50% em 07/Ago e está em 46.50% hoje. Ao contrário da Câmara, aqui o outro lado cedeu na mesma medida e a soma do contrato ficou em 100.00% a semana inteira |
| Eleição acontece no prazo | 95.95% | 0.00pp | USD 0.31M | Contrato de calendário, não de resultado. Serve de piso: enquanto ele estiver perto de 100%, os outros sete estão precificando uma eleição que acontece |
| Senado · quantas cadeiras republicanas | soma 126.05% | era 99.20% em 03/Ago | USD 2.80M | 🔴 Reprovou o portão de coerência de 95% a 105%. Passava sete dias atrás. Entra nesta edição normalizado e com etiqueta de participação no livro, nunca de probabilidade |
| Câmara · quantas cadeiras republicanas | soma 127.90% | era 110.90% em 03/Ago | USD 0.28M | 🔴 Reprovado e instável: entre 17:11 e 18:17 de hoje, a faixa de 210 a 214 cadeiras saiu de 40.55% para 10.50%. Não entra nesta edição em nenhuma forma |
| Comparecimento | soma 96.40% | era 91.40% em 03/Ago | USD 0.02M | Passou no portão, e é o único que passa nesta rodada. Estava reprovado por baixo na edição anterior. A faixa mais pesada é a de 120 a 125 milhões de votos, com 24.00% |
5.Liquidez e estrutura de mercado
6.Calendário eleitoral até novembro
| Data | Amostra | Por que importa | |
|---|---|---|---|
| 11/Ago | Primárias estaduais, incluindo Minnesota | primária, não eleição geral | A disputa democrata ao Senado em Minnesota, entre Angie Craig e Peggy Flanagan, aparece na cobertura desta segunda. O painel não precifica primária estadual |
| Ao longo de agosto | Outras primárias estaduais | calendário próprio de cada estado | Não entram neste painel por estimativa: cada estado tem calendário e regra própria, e não estão na nossa base. Quando entrarem, entram com fonte |
| Set e Out | Trackers nacionais | sem registro obrigatório | Ao contrário do Brasil, não existe registro prévio de pesquisa nos Estados Unidos. Não há data de print para antecipar, só a cadência de quem publica |
| 03/Nov | Eleição | Câmara inteira, um terço do Senado | A data em que todos os contratos deste painel liquidam |
Não existe equivalente ao registro do TSE nos Estados Unidos, então este calendário é o da eleição, não o de publicação de pesquisa. As pesquisas usadas por este brief vêm de um índice que diz quais existem, e cada número segue atribuído ao instituto que o produziu, com link para a fonte primária. Nesta rodada, duas das 363 leituras da base ficaram sem fonte primária, as duas do John Zogby Strategies e as duas fora da janela de 30 dias, então nenhuma delas entra na média.
7.Watch list, gatilhos da semana
- A Câmara subiu de um lado só, e foi para lá que o dinheiro foi. O lado democrata ganhou 2.00pp e USD 132 mil de volume novo na semana. O lado republicano ganhou 0.00pp e USD 20 mil. Os dois lados do mesmo contrato passaram a somar 101.00%. Vigiar se o lado republicano volta a acompanhar: ele se mexeu em 09/Ago, fora da janela, e a soma voltou para 99.00%.
- O book de cadeiras do Senado deixou de fechar em uma semana. Somava 99.20% em 03/Ago e passava no portão de coerência. Hoje soma **126.05%**. O contrato não ficou menor, ele continua com USD 2.80M, então isto não é abandono: é spread se abrindo nas pontas. Enquanto durar, a distribuição só pode ser lida como participação no livro, e o cruzamento contra o contrato de controle perde precisão.
- O book de cadeiras da Câmara ficou ilegível dentro de uma hora. Entre 17:11 e 18:17 de hoje, a faixa de 210 a 214 cadeiras saiu de 40.55% para 10.50%, uma amplitude de 30 pontos, e a de 225 a 229 saiu de 27.15% para 7.15%. Um livro cujas faixas andam 30 pontos em uma hora não descreve desfecho eleitoral nenhum. Ele fica fora desta edição e segue sendo coletado todos os dias.
- O portão de coerência trocou de lado em uma semana. Na Edição №2 passavam as cadeiras do Senado e os governos estaduais, e o comparecimento estava reprovado por baixo, com 91.40%. Hoje o **comparecimento é o único que passa**, com 96.40%, e os outros três reprovaram por cima. Nenhuma eleição mudou nesse intervalo. O que mudou foi a qualidade dos livros, e é isso que o portão está medindo.
- A régua das pesquisas está parada há seis dias. A data de campo mais recente da base é 04/Ago. A média foi de D+5.69 para **D+5.66**, e a variação é de composição: a janela de 30 dias rolou e deixou pesquisas antigas para trás, sem que nenhuma pesquisa nova entrasse. Enquanto a base não receber leitura nova, comparar o preço com a pesquisa compara um número de hoje com um número da semana passada.
8.Metodologia
Mercado: Polymarket, lido pelo proxy da própria plataforma, capturado a cada 30 minutos e com ponto diário garantido mesmo quando o preço não anda, para a série registrar tempo e não só mudança. Todo preço citado passou pela trava de captura: duas leituras independentes separadas por oito minutos, liberadas só se concordarem dentro de 0.20pp. Nesta edição as duas leituras são de 18:16 e 18:24 UTC de 10/Ago. ⚠️ Leitura de preço para publicação sempre fura o cache do proxy. Sem isso a rota devolve a captura anterior com carimbo de tempo antigo, e a conferência passa a comparar uma leitura com ela mesma. Pesquisas: média aritmética simples numa janela de 30 dias, sem ponderação e sem excluir instituto, montada a partir de um índice que diz quais pesquisas existem, enquanto cada número segue atribuído a quem o produziu. Quando o mesmo instituto publica mais de um recorte da mesma rodada, entra um só, pela hierarquia provável votante, eleitor registrado, adultos. Rodadas diferentes do mesmo instituto entram cada uma, e por isso a janela tem 29 pesquisas de 23 institutos, selecionadas a partir de 43 recortes. ⚠️ A dispersão de 9 pontos é medida sobre as 29 linhas selecionadas, não sobre os 43 recortes brutos. Sobre os recortes ela pareceria 11 pontos, porque incluiria recortes de adultos que a seleção descarta. Distribuições: uma distribuição só é lida como probabilidade quando as faixas dela somam entre 95% e 105%. Nesta rodada passa apenas a de comparecimento, com 96.40%. Reprovaram a de cadeiras do Senado (126.05%), a de cadeiras da Câmara (127.90%), a de governos estaduais (165.95%) e a de margem do voto popular (152.25%). A do Senado entra normalizada e com a etiqueta trocada para participação no livro, porque as faixas dela são exclusivas e cobrem todos os desfechos; a soma bruta fica impressa ao lado, para a conta continuar conferível. A de margem do voto popular fica fora mesmo normalizada, porque as faixas dela se sobrepõem e uma delas é 'qualquer outro resultado'. Profundidade de book não é citada: liquidez baixa no Polymarket não significa preço errado, porque o mercado é arbitrado continuamente, e expor esse número gera leitura torta. O que este brief não faz: não prevê resultado, não diz qual medição está certa e não emite recomendação de investimento.
9.Leitura adicional · cobertura macro
Matérias da semana em veículos da lista fixa do AFOS. Este brief é fonte primária de mercado e pesquisa; o que segue é leitura de contexto. Só entram links que resolvem para o site do próprio veículo: dos 10 itens coletados em 10/Ago, 7 tinham endereço canônico e 3 só existiam via agregador, com endereço que não resolve sem navegador. Os 3 ficaram de fora, e o descarte está declarado aqui.
- The Washington Post · Reviravoltas de última hora em primárias embaralham a disputa pelo controle do Congresso (10/Ago), www.washingtonpost.com/politics/2026/08/10/primary-upsets-scramble-fight-control-congress/
- The New York Times · A primária democrata ao Senado em Minnesota opõe Angie Craig a Peggy Flanagan (10/Ago), www.nytimes.com/2026/08/10/us/politics/minnesota-senate-primary-flanagan-craig.html
- NPR · Na disputa competitiva pelo Senado no Maine, as eleitoras podem decidir (10/Ago), www.npr.org/2026/08/10/nx-s1-5925349/maine-senate-race-susan-collins-troy-jackson-women-voters
- Fox News · Johnson transforma a disputa interna entre democratas em arma para as midterms (10/Ago), www.foxnews.com/politics/johnson-turns-democrats-socialist-civil-war-new-weapon-midterms
- The Guardian · Francesca Hong e a corrida embolada pelo governo de Wisconsin (10/Ago), www.theguardian.com/us-news/2026/aug/10/francesca-hong-democratic-socialist-wisconsin-governor-race
- NPR · Mike Lindell aposta na proximidade com Trump na disputa pelo governo de Minnesota (10/Ago), www.npr.org/2026/08/10/nx-s1-5925152/lindell-minnesota-primary-elections-trump
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