AFOS Daily · Síntese do Dia

21 de julho de 2026

Mercado de Previsão × Pesquisas × Notícias

Síntese gerada com base em dados auditáveis. Cada alegação cita sua fonte.

Duas nacionais quebraram o jejum de pesquisa e concordaram no essencial: Lula lidera o 1º turno com 40-41% e Flávio fica em 30-33%. Divergiram no returno, e a Real Time trouxe dois abalos ao consenso, Renan Santos a 9% (quase o preço que o mercado já lhe dava) e Caiado empatando com Lula no 2º turno, à frente de Flávio. O dinheiro real quase não reagiu: Lula ficou em 60,50%, o gap em +34,35pp e o volume acumulado do presidencial soma USD 114,2M.

1. Mercado de previsão

No mercado presidencial, o dia foi de quase imobilidade apesar de duas pesquisas nacionais publicadas. Lula ficou estável em 60,50% (USD 7,5M), e Flávio Bolsonaro recuou 0,10pp, para 26,15% (USD 7,5M). A distância entre os dois abriu para +34,35pp, movimento de arredondamento vindo da queda do adversário, não de passo de Lula, e segue bem abaixo do pico do ciclo, os +39,5pp de 3 de julho. O volume total acumulado no mercado presidencial soma cerca de USD 114,2M, a assinatura de dinheiro real que separa o AFOS de um agregador de pesquisas.

Na terceira via, Renan Santos ficou praticamente parado no vencedor, em 8,85% (USD 8,2M), mantendo-se como o terceiro maior preço do book, atrás apenas de Lula e Flávio, no dia em que uma pesquisa lhe deu desempenho surpreendente. Caiado subiu 0,50pp, para 1,85% (USD 5,0M), e Zema ficou em 0,85% (USD 4,4M). O contraste que define o pelotão persiste: os três medem juntos, em intenção de voto declarada, muito mais do que o mercado lhes atribui no contrato de vencedor.

Nos sub-mercados de colocação, Flávio lidera o 2º lugar do 1º turno com 78,00%, cedendo 1,00pp no dia, e Renan lidera o 3º lugar do 1º turno com 63,50%, com Caiado em segundo a 16,50%. São os dois contratos onde a aposta em Renan e Caiado tem lastro, colocação e não vitória, e onde o preço deles faz mais sentido do que no mercado de vencedor.

Nos mercados institucionais e econômicos, o impeachment de ministro do STF antes de 2027 ficou estável em 2,95% (USD 0,08M), perto do piso, num book de volume ordens de grandeza abaixo do presidencial, onde variação nenhuma sustenta narrativa. No Senado por cadeiras, o PL subiu para 86,00% (USD 0,25M), o ativo mais sólido do campo da direita em todo o painel. E o mercado de inflação de 2026 manteve a faixa modal de 5,00 a 5,49% precificada em 37,50%, com o centro da distribuição acima do teto da meta.

2. O que os institutos registraram

O jejum de pesquisa nacional acabou com duas rodadas publicadas no mesmo dia, e elas concordaram no essencial e divergiram no returno. A Indexa (n=2.000, campo 16 a 19 de julho, registro BR-02904/2026) deu 1º turno Lula 41% x Flávio 30%, com Caiado 6%, Zema e Renan Santos 3%; no 2º turno, Lula 46% x Flávio 39%, e Lula vencendo também Zema, Caiado e Renan. A Real Time Big Data (n=2.000, campo 18 a 20 de julho, registro BR-09247/2026) deu 1º turno Lula 40% x Flávio 33%, com Renan Santos a 9% e Caiado a 7%; no 2º turno, Lula 45% x Flávio 42% (empate técnico), Lula 43% x Caiado 44% e Lula 44% x Renan 35%. Dois números da Real Time desafiam o consenso: Renan Santos saltou a 9%, o maior valor dele numa nacional do recorte, e Caiado aparece numericamente à frente de Lula num 2º turno direto.

No campo da aprovação, as quatro leituras da semana ficaram entre 42% e 49%. A Indexa deu aprova 49% x desaprova 48%, a menos negativa do recorte, com 51% dizendo que Lula não merece mais quatro anos; a Real Time deu aprova 46% x desaprova 50%. A rejeição dos candidatos ficou estável e alta: Flávio 50% e Lula 48% na Real Time, com a de Flávio sendo a maior do páreo nas duas casas. A VEJA destacou ainda um dado de transferência de voto: dois em cada três eleitores de Flávio poderiam mudar o voto para derrotar Lula, leitura que ajuda a entender por que o pelotão da 3ª via ganha corpo nas simulações de returno.

As próximas nacionais chegam em sequência: Gerp em 22 de julho e Datafolha em 24 de julho, ambas registradas no TSE. São elas que dirão se o 9% de Renan e o 2º turno competitivo de Caiado eram sinal ou ruído de uma casa só.

📅 Calendário de pesquisas — próximos 7 dias

Pesquisas registradas no TSE com publicação prevista entre 22/Jul e 28/Jul. Inclusão na tabela não significa publicação confirmada — institutos podem atrasar ou cancelar divulgação. Filtro aplicado: amostra ≥ 1.000. Cada protocolo linkado à consulta pública TSE.

DataInstitutoAmostraEscopoProtocolo TSEConf.
22/JulGerp2.000nacionalBR-05026/20260.7
22/JulReal Time Big Data1.600estadualBR-00636/20260.8
22/JulAtlasIntel1.200estadualBR-07335/20260.8
23/JulReal Time Big Data1.600estadualBR-08601/20260.8
24/JulDatafolha2.004nacionalBR-01166/20260.9
24/JulRanking Brasil2.000estadualBR-08403/20260.7
26/JulJOTA 🔥6.000nacionalBR-09823/20260.7
26/JulFalpe 🔥5.000estadualBR-01239/20260.7

Fonte: registro público TSE via API AFOS. 🔥 destaca amostras ≥ 3.000. Status "registrada ≠ publicada" — confirmação de divulgação efetiva exige verificação de duas fontes primárias antes da citação de números.

3. O que a imprensa cobriu

No campo do governo, o calendário virou palco. Em discurso na convenção do PDT, Lula adotou tom de campanha à reeleição, com ênfase em democracia, crítica a privatizações e recado à disputa tarifária com os Estados Unidos. As convenções partidárias, abertas em 20 de julho e correndo até 5 de agosto, são o primeiro teste estrutural do ciclo, quando pré-candidatura vira chapa registrada.

No campo da oposição e da terceira via, o fato do dia foi a antecipação da convenção da Missão, que oficializou Renan Santos como candidato à Presidência em 20 de julho, com Aroldo Medina como vice. O evento, marcado para 1º de agosto, foi adiantado por recomendação de segurança após ameaças atribuídas a facções criminosas, para que o candidato tivesse apoio da Polícia Federal no lançamento. Nas demais legendas, o calendário abriu com indefinições sobre os vices de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema e chapas incompletas no Rio, em Minas e em Pernambuco. No atrito interno do bolsonarismo, Eduardo Bolsonaro afirmou que Michelle jamais poderia ter feito o vídeo contra Flávio, chamando o episódio de imaturidade.

Na pauta institucional, a defesa de Jair Bolsonaro, preso desde março em regime domiciliar, pediu a Alexandre de Moraes o restabelecimento das visitas de Flávio ao pai, hoje suspensas por decisão que vigora até meados de outubro. O caso Master seguiu como desdobramento de fundo, sem fato novo verificado que justifique tratá-lo como divisor de águas nesta data.

Uma observação de método: nenhum dos movimentos de preço do dia teve gatilho de evento identificável. A oficialização de Renan e o salto dele a 9% na Real Time são fatos do dia, mas o mercado não os precificou como virada, o preço dele subiu 0,05pp. Descrevemos a coincidência como contexto, não como causa.

4. Divergências do dia

Mercado × urna, na terceira via: por semanas Renan Santos foi o exemplo mais gritante de preço descolado da urna, valendo perto de 9% no mercado contra um teto de 6% nas pesquisas. Em 21 de julho isso foi testado e não convergiu, se partiu: a Real Time lhe deu 9%, encostando no preço, e a Indexa, no mesmo dia, o mediu em 3%. Existe agora uma urna do lado do mercado, mas sem segunda fonte, e convergência de verdade exige duas leituras na mesma direção.

Mercado × urna, no 2º turno: o mercado precifica Flávio a 78,00% no 2º lugar do 1º turno, a aposta de que ele é o adversário certo de Lula no returno. A Real Time desafiou essa premissa ao dar Caiado numericamente à frente de Lula num 2º turno direto (44% x 43%), com o adversário mais competitivo de Lula não sendo Flávio. É leitura de uma casa só, a confirmar, mas ataca justamente o ativo central da candidatura de Flávio.

Mercado × pesquisa, no nível: duas nacionais publicadas e o preço de Lula não se mexeu, ficando em 60,50% contra um 2º turno que a leitura mais dura do dia (Real Time) dá como empate técnico. O gap de +34,35pp segue muito acima da folga que as urnas medem, e a distância de nível entre dinheiro real e voto declarado continua sendo a tensão de fundo do painel.

Em síntese

  1. Duas nacionais quebraram o jejum de pesquisa e concordaram no 1º turno (Lula 40-41%, Flávio 30-33%), mas divergiram no 2º: a Indexa deu Lula +7pp, a Real Time devolveu ao empate técnico.
  2. Renan Santos teve o dia mais denso do ciclo, oficializado candidato pela Missão e cravando 9% na Real Time, mas a Indexa o manteve em 3% e o mercado quase não se moveu, o que mantém a distorção em aberto em vez de resolvê-la.
  3. O dinheiro real ignorou as duas pesquisas: Lula em 60,50%, gap em +34,35pp e volume acumulado do presidencial em USD 114,2M, com o único sinal novo de urna, Caiado à frente de Lula num returno, ainda dependente de confirmação.

Fontes consultadas

matérias com link direto para a notícia (veículos âncora):

matérias secundárias (URL Google News redirect — clique resolve à matéria):

Fontes técnicas: Polymarket (cotações ao vivo via proxy AFOS, fetched 21/Jul 18:24 BRT), registro TSE (pesquisas eleitorais oficiais).

Fontes citadas neste texto: Polymarket, TSE (registro público), Folha de S.Paulo, O Globo, G1, Estadão, VEJA, CartaCapital, Exame, CNN Brasil, JOTA, Gazeta do Povo, Poder360

Método: esta síntese é gerada automaticamente a partir dos dados auditáveis da plataforma AFOS Analytics, sob regras em código versionadas em git. Todas as alegações podem ser verificadas na plataforma ou nas fontes linkadas. Entenda a governança automatizada.

Integração: para ver os dados ao vivo e as análises dos candidatos em detalhe, acesse o dashboard completo. Para entender o método em profundidade, leia O Método.

Glossário: termos políticos brasileiros usados nas sínteses (TSE, STF, BolsoMaster, lideranças envelhecidas, etc.), definições nos 3 idiomas. Ver glossário completo

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