AFOS Daily · Síntese do Dia

27 de julho de 2026

Mercado de Previsão × Pesquisas × Notícias

Síntese gerada com base em dados auditáveis. Cada alegação cita sua fonte.

A 69 dias do 1º turno, a primeira pesquisa nacional com campo inteiramente posterior à convenção do PL confirmou o quadro no topo e bagunçou o de baixo: a BTG/Nexus põe Ronaldo Caiado em empate técnico com Lula no returno, 45% a 43%, quando a Datafolha de três dias antes dava sete pontos de folga. O mercado andou na mesma direção e subiu o preço de Caiado nos dois contratos em que ele aparece. O Novo oficializou Romeu Zema e o preço dele caiu, o terceiro lançamento seguido a terminar assim. O volume total acumulado no presidencial soma cerca de USD 116,13M.

1. Mercado de previsão

A 69 dias do 1º turno, o volume total acumulado no mercado presidencial soma cerca de USD 116,13M (Polymarket via proxy AFOS, captura de 27/Jul 16:23 BRT e re-verificação às 17:09 sem mudança no presidencial). Lula ficou em 62,50% (USD 7,68M) pelo segundo pregão seguido, sem variação nenhuma. Flávio Bolsonaro subiu 0,20pp, para 23,85% (USD 7,68M), e o gap entre os dois ficou em +38,65pp.

Esta síntese registra aqui uma correção que deve a quem leu a edição de 26 de julho. Aquela edição afirmou que 62,50% era o topo da série do AFOS e que +38,85pp saía de um pico de +39,65pp. Ao varrer a série completa do contrato, o topo do preço de Lula é 63,50% e a maior diferença registrada é +39,80pp, ambos marcados na madrugada de 26 de julho, cinco horas depois da captura que o painel publicou. O recorde aconteceu depois de a síntese ir ao ar, e a correção vem com o mesmo destaque que a afirmação original teve.

Quem se moveu foi o pelotão, e num nome só. Ronaldo Caiado subiu 0,20pp, para 1,95% (USD 5,15M), e Romeu Zema caiu 0,10pp, para 0,55% (USD 4,55M), no próprio dia em que foi oficializado candidato. Renan Santos ficou parado em 9,55% (USD 8,56M) depois de dois pregões de queda. No restante do grupo, Jair Bolsonaro ficou em 1,05% (USD 5,25M), Michelle Bolsonaro caiu 0,35pp para 0,40% (USD 9,29M), Fernando Haddad caiu 0,10pp para 0,25% (USD 6,38M) e Tarcísio de Freitas ficou em 0,15% (USD 13,64M), com o maior volume individual do book, anomalia de legado que mede história negociada e não convicção atual.

Nos sub-mercados o desenho ficou mais claro. No 2º lugar do 1º turno, Flávio caiu 1,50pp, para 76,50% (USD 4,32M no book), e Renan subiu 0,80pp, para 12,65%. No 3º lugar, Renan cedeu 2,50pp, para 62,00%, e Caiado saiu de 15,50% para a faixa de 19,00% a 19,50%, num book de USD 481 mil. Os três contratos de Flávio andaram em direções diferentes no mesmo pregão, o que é o oposto da leitura limpa da véspera e não sustenta narrativa única. No Senado por cadeiras, o PL ficou em 71,00% (USD 292 mil no book) e o MDB em 18,25%. O impeachment de ministro do STF antes de 2027 ficou entre 3,35% e 3,40% (USD 83 mil) nas capturas do dia, o quarto pregão praticamente parado. No mercado de inflação de 2026, a faixa modal segue a de 5,00% a 5,49%, com 39,20%, seguida da faixa de 4,50% a 4,99%, com 26,35%, num book de USD 77 mil, centro de distribuição que permanece acima do teto da meta.

Uma ressalva de método sobre a captura, porque escondê-la seria pior do que registrá-la: a trava de dupla leitura do AFOS bloqueou as duas rodadas de 27 de julho. Na primeira divergiram os contratos de 2º e de 3º lugar; na segunda, apenas o 3º lugar de Caiado, entre 19,00% e 19,50%. O book presidencial devolveu números idênticos nas quatro leituras, ao longo de 17 minutos, e por isso os preços de vencedor entram nesta síntese como firmes, enquanto o de colocação de Caiado sai como faixa e não como preço fechado.

2. O que os institutos registraram

A BTG/Nexus divulgada em 27 de julho é a primeira nacional cujo campo é inteiramente posterior à convenção que oficializou Flávio Bolsonaro em 25 de julho, e por isso é a primeira medição real do efeito daquele evento. No 1º turno: Lula 42% e Flávio 33%, com Ronaldo Caiado 6%, Renan Santos 5% e Romeu Zema 3%. No returno direto, Lula 47% x Flávio 43% (Folha de S.Paulo, CNN Brasil, dados do próprio instituto). Campo de 24 a 26 de julho, n=2.004, telefônica em todas as regiões, margem de 2pp, 95% de confiança, protocolo BR-01489/2026 no TSE, contratante Banco BTG Pactual.

Contra a própria rodada do instituto de 13 de julho, Lula sai de 40% para 42% e Flávio de 34% para 33%, o que abre a diferença de 6pp para 9pp no 1º turno (JOTA, Money Times). Os dois movimentos cabem dentro da margem, então a ampliação é nominal e a leitura correta é estabilidade com viés favorável, não avanço. A convenção do PL, medida pela primeira vez, não produziu efeito de lançamento: Flávio saiu um ponto abaixo. A rejeição dele ficou em 50%, a mais alta do levantamento, contra 48% de Lula (Poder360).

O achado da pesquisa, porém, não está nos dois primeiros colocados. Caiado empata tecnicamente com Lula por 45% a 43%, a diferença mais estreita entre os quatro cenários de returno testados, à frente de Zema (46% x 42%), de Flávio (47% x 43%) e de Renan Santos (47% x 39%) (Metrópoles, CNN Brasil). Na aprovação, o instituto traz 47% contra 49% de desaprovação, ante 47% x 47% em 13 de julho, e avaliação do governo em 36% de ótimo ou bom contra 43% de ruim ou péssimo (Estado de Minas). A Datafolha de 24 de julho dava o inverso na aprovação, 49% x 48%: as duas leituras têm margem de 2pp e as duas são empate técnico, o que descreve uma faixa estreita em torno de 48% e não uma virada.

Também em 27 de julho circulou um recorte da Datafolha da rodada de 22 e 23 de julho, com n=2.004, em que 52% acreditam que o tarifaço de Trump busca favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro, contra 37% que discordam e 11% que não sabem, sendo 73% entre eleitores de Lula e 29% entre eleitores dele (Metrópoles). É recorte de opinião sobre um tema externo, não medição de intenção de voto.

📅 Calendário de pesquisas — próximos 7 dias

Pesquisas registradas no TSE com publicação prevista entre 28/Jul e 03/Ago. Inclusão na tabela não significa publicação confirmada, porque institutos podem atrasar ou cancelar divulgação. Filtro aplicado: amostra ≥ 1.000. Cada protocolo linkado à consulta pública TSE.

DataInstitutoAmostraEscopoProtocolo TSEConf.
28/JulAtlasIntel 🔥5.000nacionalBR-08602/20260,9
29/JulAlfa Inteligência2.700não declaradoBR-00972/20260,7
30/JulPoderData2.400nacionalBR-07845/20260,7
31/JulAlfa Inteligência2.700não declaradoBR-04488/20260,7
31/JulVox Brasil2.100nacionalBR-01084/20260,7

Fonte: registro público TSE via API AFOS. 🔥 destaca amostras ≥ 3.000. A janela tem 24 registros com amostra ≥ 1.000; a tabela exibe as 3 de escopo nacional mais as 2 da Alfa Inteligência, que registraram amostra de 2.700 sem declarar o universo, e os outros 19, todos estaduais, ficaram de fora por legibilidade e não por ausência de registro. A AtlasIntel de 28 de julho tem campo de 22 a 27 de julho e é a maior amostra da janela. Status "registrada ≠ publicada": confirmação de divulgação efetiva exige verificação de duas fontes primárias antes da citação de números.

3. O que a imprensa cobriu

O fato de calendário de 27 de julho foi a convenção nacional em que o Novo oficializou Romeu Zema como candidato à Presidência, em Brasília, por aprovação unânime e ainda sem vice definido (Estado de Minas, Gazeta do Povo, Brasil 247). O prazo para o registro das chapas corre até 5 de agosto. No discurso, Zema criticou o PT e o STF e disse conhecer o "Brasil real".

O segundo eixo do dia veio do mercado financeiro e é reportagem, não apuração de autoridade. A Folha de S.Paulo publicou que gestores, economistas e executivos ouvidos sob condição de anonimato torcem pela desistência de Flávio Bolsonaro em favor da chapa de Caiado e Kassab, citando entre as razões a falta de transparência dele ao tratar da proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a quem pediu dinheiro (reportagem resumida no Brasil 247 e no Jornal de Brasília). O senador Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha, respondeu publicamente. Fontes anônimas descrevem uma preferência declarada, não um fato verificável, e é assim que entram aqui.

O terceiro eixo é o quarto tempo da mesma escalada soberana que atravessa a semana. Depois da recusa de vistos pelo Itamaraty, da negativa americana de que pretenda minar a eleição e da convocação do embaixador em Buenos Aires, em 27 de julho Xi Jinping declarou a Lula que a China apoia o Brasil na rejeição à interferência externa (G1. No mesmo dia, a ministra Cármen Lúcia defendeu a democracia e disse que ninguém deve interferir no país, sem citar Trump nominalmente.

No plano legislativo, nada se moveu na pauta eleitoral: o Senado continua em recesso, os projetos prioritários do governo seguem sem votação e Davi Alcolumbre mantém segurada a promulgação da pauta-bomba à espera de conversa com Lula. A movimentação do dia foi setorial, com entidades do setor elétrico enviando carta a Alcolumbre contra "jabutis" em projeto no Senado. No balanço do ciclo, o governo acumula 23 derrotas no Congresso, número que contextualiza a pauta represada sem que esta síntese o atribua a nenhum evento do dia.

4. Divergências do dia

Instituto × instituto: a divergência mais forte do dia não é entre mercado e urna, é entre duas casas de primeiro escalão. A BTG/Nexus põe Caiado a dois pontos de Lula no returno (45% a 43%) e o mede em 6% no 1º turno; a Datafolha de 24 de julho dava sete pontos de folga (47% a 40%) e 4% no 1º turno. Campos separados por dois dias, conclusões opostas sobre qual adversário é o mais competitivo, e nenhuma terceira medição para desempatar. O AFOS registra a divergência e não arbitra qual está certa.

Urna × preço, desta vez concordando: no mesmo pregão em que a pesquisa colocou Caiado em empate técnico, o mercado subiu o preço dele nos dois contratos em que aparece, 0,20pp no vencedor e uma alta de 15,50% para a faixa de 19,00% a 19,50% no 3º lugar. Convergência entre as duas fontes é mais informativa que preço andando sozinho, e no caso dele isso não acontecia havia duas semanas. Vale registrar com o mesmo destaque que uma divergência teria.

Lançamento × mercado, terceira ocorrência: em 25 de julho o PL oficializou Flávio e o preço caiu 0,10pp; em 26 de julho o PSD oficializou Caiado e caiu 0,15pp; em 27 de julho o Novo oficializou Zema e caiu 0,10pp. Três ocorrências seguidas já não são coincidência isolada, mas continuam sem causa afirmada: são books pequenos, capturas de um instante, e nada garante que a próxima convenção repita. Fica como observação a acompanhar até 5 de agosto.

Institutos × Renan Santos: a pesquisa nova mede Renan em 5% no 1º turno e quebra a convergência em 3% que Datafolha, Gerp e Indexa tinham formado na semana passada. O painel volta a ter três patamares nas leituras recentes: 3% em três institutos, 5% na Nexus e 9% na Real Time de 21 de julho. A distorção contra o preço de mercado dele continua existindo e agora tem numerador menos claro, porque a própria urna passou a discordar de si mesma.

Em síntese

  1. A primeira urna com campo posterior à convenção do PL confirmou o topo, com Lula em 42% e Flávio em 33%, e não registrou efeito de lançamento para o candidato oficializado dois dias antes.
  2. O achado está embaixo: Caiado empata tecnicamente com Lula no returno, invertendo a leitura da Datafolha de três dias antes, e o mercado andou na mesma direção no mesmo pregão.
  3. Três candidatos foram oficializados em três dias e os três terminaram o pregão em queda no book. A semana ainda traz AtlasIntel em 28 de julho, com n=5.000, para dizer qual das duas leituras sobre Caiado se sustenta.

Fontes consultadas

matérias com link direto para a notícia (veículos âncora):

matérias secundárias (URL Google News redirect — clique resolve à matéria):

Fontes técnicas: Polymarket (cotações ao vivo via proxy AFOS, fetched 27/Jul 17:09 BRT), registro TSE (pesquisas eleitorais oficiais).

Fontes citadas neste texto: Polymarket, TSE (registro público), Nexus/BTG, Folha de S.Paulo, G1, CNN Brasil, JOTA, Gazeta do Povo, Estado de Minas, Estadão, Metrópoles, Money Times, Poder360, CartaCapital, VEJA, Brasil 247, Jornal de Brasília, O Antagonista, Pleno.News, NSC Total, Direito News

Método: esta síntese é gerada automaticamente a partir dos dados auditáveis da plataforma AFOS Analytics, sob regras em código versionadas em git. Todas as alegações podem ser verificadas na plataforma ou nas fontes linkadas. Entenda a governança automatizada.

Integração: para ver os dados ao vivo e as análises dos candidatos em detalhe, acesse o dashboard completo. Para entender o método em profundidade, leia O Método.

Glossário: termos políticos brasileiros usados nas sínteses (TSE, STF, BolsoMaster, lideranças envelhecidas, etc.), definições nos 3 idiomas. Ver glossário completo

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