AFOS Daily · Síntese do Dia

28 de julho de 2026

Mercado de Previsão × Pesquisas × Notícias

Síntese gerada com base em dados auditáveis. Cada alegação cita sua fonte.

A 68 dias do 1º turno, a terça inverteu a segunda: não saiu nenhuma pesquisa nacional e o preço do favorito subiu 1,00pp, voltando a tocar o topo da série sem superá-lo. As três pesquisas do dia são estaduais e mostram um país partido, com Lula em 55% em Pernambuco, empate técnico em Minas e Flávio à frente no Rio. A AtlasIntel, que tinha publicação declarada ao TSE para hoje com n=5.000, não foi divulgada. O volume total acumulado no presidencial soma cerca de USD 116,26M.

1. Mercado de previsão

A 68 dias do 1º turno, o volume total acumulado no mercado presidencial soma cerca de USD 116,26M (Polymarket via proxy AFOS, captura de 28/Jul 18:13 BRT, aprovada pela trava de dupla leitura, e re-verificação às 19:13 sem mudança relevante no presidencial). Lula subiu 1,00pp e foi a 63,50% (USD 7,69M). Flávio Bolsonaro ficou em 23,85% (USD 7,69M) pelo segundo pregão, e o gap entre os dois foi a +39,65pp.

O número de Lula precisa de uma frase exata, e ela não é "novo recorde". Na série completa do contrato, os 63,50% igualam o topo da série do AFOS, marcado em 26 de julho às 22:30 UTC, e não o superam. O maior gap da série continua sendo +39,80pp, da mesma madrugada, acima dos +39,65pp de hoje. Esta síntese faz essa distinção porque errou exatamente aqui na edição de 26 de julho e corrigiu em 27 de julho.

No pelotão, o dia foi de Renan Santos, e para baixo. Ele caiu 0,80pp no contrato de vencedor, para 8,75% (USD 8,58M), perdendo a casa dos 9%. Ronaldo Caiado caiu 0,05pp, para 1,90% (USD 5,19M), Jair Bolsonaro ficou em 1,05% (USD 5,26M), Romeu Zema em 0,55% (USD 4,55M), Michelle Bolsonaro subiu 0,05pp para 0,45% (USD 9,32M), Fernando Haddad ficou em 0,25% (USD 6,38M) e Tarcísio de Freitas em 0,15% (USD 13,65M), ainda com o volume acumulado mais alto de todos os contratos do book, anomalia de legado que mede história negociada e não convicção atual.

Nos sub-mercados está o movimento forte, e ele separa duas coisas que parecem uma só. No 2º lugar do 1º turno, Flávio subiu 1,50pp, para 78,00% (USD 4,33M no book), e Renan caiu 0,50pp, para 12,15%. No 3º lugar, Renan cedeu 1,50pp, para 60,50%, e Caiado saiu da faixa de 19,00% a 19,50% para 26,50%, num book de USD 483 mil, o que soma 11,00pp em dois pregões contando os 15,50% de 26 de julho. Ou seja, o mercado está reprecificando quem termina em terceiro, não quem ganha a eleição: no contrato de presidente, Caiado caiu. Renan, em contrapartida, caiu nos três contratos em que aparece, o que é diferente dos sinais cruzados da véspera.

Nos demais mercados, o impeachment de ministro do STF antes de 2027 caiu 0,60pp, para 2,80% (USD 83 mil), quebrando quatro pregões praticamente parados, e a direção é para baixo, ou seja, menos risco precificado. No Senado por cadeiras, o PL ficou em 71,00% (USD 292 mil no book) e o MDB caiu 1,00pp, para 17,25%. No mercado de inflação de 2026, a faixa modal virou: a de 4,50% a 4,99% foi a 39,25%, contra 26,30% na véspera, e passou à frente da faixa de 5,00% a 5,49%, que ficou em 38,15%, num book de USD 79 mil. Duas ressalvas antes de qualquer leitura: o book é pequeno, e o mercado de inflação não é coberto pela trava de dupla leitura, que vigia apenas os cinco contratos eleitorais.

2. O que os institutos registraram

Nenhuma pesquisa nacional foi divulgada em 28 de julho. A leitura nacional mais recente continua sendo a BTG/Nexus de 27 de julho, com Lula em 42% e Flávio em 33% no 1º turno e 47% x 43% no returno.

O dia foi de pesquisas estaduais, que por regra de escopo não entram no recorte nacional deste painel, e as três juntas descrevem uma disputa geograficamente partida. Em Pernambuco, a Genial/QuaestLula 55% x Flávio 21% no 1º turno, com n=900, campo de 22 a 26 de julho, margem de 3pp e registros BR-03810/2026 e PE-09649/2026 (CNN Brasil). Em Minas Gerais, a mesma casa dá empate técnico nos dois turnos: 30% x 29% no 1º e 38% x 35% contra Flávio no returno, com Romeu Zema numericamente à frente de Lula por 39% x 37%, tudo dentro da margem de 3pp, com n=1.482 e registros BR-09333/2026 e MG-03490/2026 (Metrópoles, Money Times). No Rio de Janeiro, a Real Time Big DataFlávio 46% x Lula 42% no returno, com n=2.000, campo de 23 a 27 de julho e registro BR-06074/2026 (Poder360, UOL). Somando as estaduais publicadas, o Poder360 registra Lula liderando em 12 estados e Flávio em 7, e aponta Goiás como o único estado em que a terceira via aparece competitiva, com 3,2% do eleitorado nacional (Poder360, Poder360). É o contrapeso geográfico ao empate técnico nacional que a BTG/Nexus mediu para Caiado, e o painel mostra os dois com o mesmo destaque.

Circulou também um recorte de gênero da Datafolha de 24 de julho: entre mulheres, Lula tem 50% e Flávio 40% no returno, e a rejeição dele é a mais alta nesse grupo (Estadão, Poder360). É recorte de uma pesquisa já publicada, não medição nova.

Uma ausência também é dado. A AtlasIntel tinha publicação declarada ao TSE para 28 de julho, com n=5.000 e campo de 22 a 27 de julho, protocolo BR-08602/2026, e seria a maior amostra nacional do recorte. Ela não foi divulgada até o fechamento desta captura, e nenhuma matéria sobre ela apareceu entre as 927 peças coletadas no dia. Registro no TSE não é publicação garantida, e esta síntese não cita número de pesquisa que não saiu.

📅 Calendário de pesquisas — próximos 7 dias

Pesquisas registradas no TSE com publicação prevista entre 29/Jul e 04/Ago. Inclusão na tabela não significa publicação confirmada, porque institutos podem atrasar ou cancelar divulgação, como a AtlasIntel de 28 de julho mostrou. Filtro aplicado: amostra ≥ 1.000. Cada protocolo linkado à consulta pública TSE.

DataInstitutoAmostraEscopoProtocolo TSEConf.
29/JulAlfa Inteligência2.700não declaradoBR-00972/20260,7
29/JulAtlasIntel1.800estadualBR-05848/20260,8
30/JulPoderData2.400nacionalBR-07845/20260,7
31/JulAlfa Inteligência2.700não declaradoBR-04488/20260,7
31/JulVox Brasil2.100nacionalBR-01084/20260,7
02/AgoVeritá2.010não declaradoBR-02249/20260,7

Fonte: registro público TSE via API AFOS. 🔥 destaca amostras ≥ 3.000, e a janela não tem nenhuma. A janela tem 24 registros com amostra ≥ 1.000; a tabela exibe as 2 de escopo nacional mais as 4 maiores entre as demais, e os outros 18, todos estaduais, ficaram de fora por legibilidade e não por ausência de registro. Sobre a Veritá de 02/Ago, o escopo aparece como não declarado no campo estruturado, mas o texto do registro descreve o eleitorado de uma única unidade da federação. Status "registrada ≠ publicada": confirmação de divulgação efetiva exige verificação de duas fontes primárias antes da citação de números.

3. O que a imprensa cobriu

O fato judicial do dia é de calendário. Flávio Bolsonaro faltou ao depoimento marcado na Polícia Federal em 28 de julho e entregou defesa por escrito ao STF, no inquérito que apura suposta calúnia contra Lula. Com a entrega, o depoimento foi cancelado, e Alexandre de Moraes mandou a PGR se manifestar (CartaCapital, CNN Brasil, G1). Cabe agora à PGR denunciar, pedir novas diligências ou recomendar arquivamento. Na mesma frente institucional, associações de juízes e advogados reagiram formalmente ao ataque de Javier Milei a Moraes na convenção do PL.

No caso Master, a novidade tem duas partes e pesos diferentes. A primeira é a demora: o ministro Kassio Nunes Marques segura há quatro meses o mandado de segurança que discute a instalação da CPI do Banco Master no Senado, e Edson Fachin rejeitou, por intempestividade e sem entrar no mérito, o pedido de quatro senadores para afastá-lo da relatoria (O Globo, Tribuna da Internet). No mesmo dia, o ministro da Justiça recusou derrubar o sigilo das visitas de Vorcaro na PF. A segunda parte é uma apuração exclusiva de uma redação: o Valor Econômico publicou que André Mendonça autorizou a Polícia Federal a rastrear no exterior bens de Daniel Vorcaro e de outros envolvidos (Valor Econômico). Entra atribuída ao veículo, sem segunda fonte independente até o fechamento desta síntese.

No eixo externo, noticiou-se que Trump prorrogará por um ano a emergência nacional sobre o Brasil, com aviso previsto no Federal Register de 29 de julho (Estadão). A prorrogação é exigência da lei americana de emergências nacionais e, por si, não cria sanção nova nem restabelece tarifa, ainda que seja a base jurídica das sobretaxas (Metrópoles). Do lado brasileiro, o governo acionou a OMC contra o tarifaço em 27 de julho.

Na corrida por vices, com o prazo de 5 de agosto à vista, Michelle Bolsonaro voltou a tentar emplacar uma aliada na disputa pela vice de Flávio, e no Novo um senador e um cientista político aparecem entre os cotados para vice de Zema. Nenhum dos dois nomes está confirmado.

4. Divergências do dia

Preço × ausência de urna: o preço do favorito subiu 1,00pp num dia em que nenhuma pesquisa nacional foi publicada. Não há âncora de urna para explicar o movimento, e o mesmo pregão teve quatro candidatos a causa: a prorrogação da emergência americana, o acionamento da OMC, três pesquisas estaduais e a repercussão de uma declaração sobre probabilidade de reeleição feita em 24 de julho. Escolher uma seria inventar precisão que o dado não tem. Esta síntese registra a ausência de âncora, que é a informação honesta disponível.

Média nacional × mapa estadual: a leitura nacional dá Lula com folga confortável, e as três estaduais do dia mostram por que essa folga é média e não uniforme. Em Pernambuco ele tem 55% contra 21%; em Minas está em empate técnico e atrás de Zema no returno; no Rio está atrás de Flávio. Nenhuma delas entra no recorte nacional deste painel, e todas as três importam para entender o que a média esconde.

Contrato de terceiro × contrato de presidente: Caiado subiu da faixa de 19,00% a 19,50% para 26,50% no 3º lugar do 1º turno e, no mesmo pregão, caiu 0,05pp no contrato de presidente. São movimentos opostos do mesmo nome no mesmo dia, e a leitura correta é que o mercado está reprecificando a disputa pelo terceiro lugar, não a disputa pela Presidência. Some a isso o contrapeso do Poder360: a competitividade dele é concentrada em Goiás, que vale 3,2% do eleitorado.

Acúmulo institucional × preço do impeachment: a terça teve PGR acionada por Moraes, associações da magistratura reagindo a ataque de chefe de Estado estrangeiro e a CPI do Master parada há quatro meses num recurso que não é julgado. Mesmo assim, o mercado de impeachment de ministro do STF caiu 0,60pp, para 2,80%. Registrar a direção é obrigatório; construir narrativa sobre ela não é, porque o book inteiro soma USD 83 mil e se move com muito pouco dinheiro.

Correção registrada: esta síntese publicou mais cedo, no painel, que a estimativa de 60% de chance de reeleição atribuída ao diretor da Quaest teria sido feita no almoço do Lide de 27 de julho. A verificação de fontes apontou o contrário: a fala é do Expert XP de 24 de julho, o número é "quase 60%" e não 60% exatos, e por isso a subtração contra os 63,50% do mercado não se sustenta (InfoMoney). O painel foi corrigido antes desta publicação, e o cruzamento em si continua registrado: são duas estimativas independentes da mesma grandeza, probabilidade de vitória, o que este painel nunca tinha tido, e agora aparecem lado a lado, sem subtração.

Em síntese

  1. O preço subiu sem urna. Lula foi a 63,50%, igualando o topo da série sem superá-lo, num dia sem nenhuma pesquisa nacional. A ausência de âncora é o registro, não a causa.
  2. O realinhamento do terceiro lugar entrou no segundo dia. No contrato de 3º lugar, Caiado somou 11,00pp naquele contrato em dois pregões e Renan caiu nos três em que aparece, enquanto o contrato de presidente de Caiado andou para o outro lado.
  3. Duas ausências valem tanto quanto as presenças: a AtlasIntel de n=5.000, registrada no TSE, não saiu, e a CPI do Master segue represada há quatro meses numa decisão que não é proferida.

Fontes consultadas

matérias com link direto para a notícia (veículos âncora):

matérias secundárias (URL Google News redirect — clique resolve à matéria):

Fontes técnicas: Polymarket (cotações ao vivo via proxy AFOS, fetched 28/Jul 18:13 BRT, re-verificado às 19:13), registro TSE (pesquisas eleitorais oficiais).

Fontes citadas neste texto: Polymarket, TSE (registro público), G1, Estadão, O Globo, VEJA, Folha de S.Paulo, Valor Econômico, CNN Brasil, Metrópoles, Money Times, Poder360, UOL Notícias, CartaCapital, Tribuna da Internet, InfoMoney

Método: esta síntese é gerada automaticamente a partir dos dados auditáveis da plataforma AFOS Analytics, sob regras em código versionadas em git. Todas as alegações podem ser verificadas na plataforma ou nas fontes linkadas. Entenda a governança automatizada.

Integração: para ver os dados ao vivo e as análises dos candidatos em detalhe, acesse o dashboard completo. Para entender o método em profundidade, leia O Método.

Glossário: termos políticos brasileiros usados nas sínteses (TSE, STF, BolsoMaster, lideranças envelhecidas, etc.), definições nos 3 idiomas. Ver glossário completo

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