AFOS Daily · Síntese do Dia

25 de julho de 2026

Mercado de Previsão × Pesquisas × Notícias

Síntese gerada com base em dados auditáveis. Cada alegação cita sua fonte.

A 71 dias do 1º turno, a urna voltou e disse que nada mudou: a Datafolha divulgada na noite de 24 de julho mostra Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 32% no 1º turno, contra 41% e 31% em junho, com os dois recortes se movendo em direções opostas dentro da margem. O mercado foi na direção contrária no mesmo dia em que o PL oficializou Flávio em São Paulo com Javier Milei no palanque: Lula subiu para 62,50% e o gap foi a +39,65pp, o maior da série de 99 dias do AFOS. O volume total acumulado no presidencial soma cerca de USD 115,87M.

1. Mercado de previsão

A 71 dias do 1º turno, o volume total acumulado no mercado presidencial soma cerca de USD 115,87M (Polymarket via proxy AFOS, captura de 25/Jul 15:51 BRT confirmada por dupla leitura com 8 minutos de intervalo e reconferida às 16:30 sem movimento nos nomes principais). Lula subiu 1,00pp e fechou em 62,50% (USD 7,64M), rompendo os 61,50% que eram o teto de toda a série do AFOS, base que cobre 99 dias desde 14 de abril. Flávio Bolsonaro caiu 0,10pp, para 22,85% (USD 7,65M), a 0,85pp do piso de 22,00% que a mesma série registra em 3 de julho. O gap entre os dois foi a +39,65pp e superou o pico anterior de +39,50pp, de 3 de julho.

Aqui vale precisar a janela, porque ela muda o que a frase significa. A API pública de histórico do AFOS trava a consulta em 90 dias, de modo que qualquer superlativo conferido por ela mede 90 dias e chama de ciclo. A conferência desta síntese foi feita direto na base, que guarda 99 dias, e nela o número de 25 de julho é o maior registrado. O que a base não prova é o que houve antes de 14 de abril, e por isso esta síntese escreve o maior da série, nunca o maior do ciclo (série no painel AFOS).

Sobre a causa, esta síntese não vai além do que o dado sustenta. A alta ocorreu no mesmo dia da convenção que oficializou o adversário, com um chefe de Estado estrangeiro no palanque, mas a captura é das 15:51, a convenção correu na tarde, e o gap já vinha subindo desde 20 de julho, quando estava em +33,60pp. Não é possível separar reação a evento de continuação de tendência com o dado disponível (Polymarket), então fica registrada a coincidência de data e nenhuma atribuição de causa.

No pelotão, o dia foi de alta espalhada com duas exceções (Polymarket). Renan Santos teve a maior queda do book, 1,40pp, indo a 10,35% (USD 8,50M), ainda assim o maior volume individual entre os nomes competitivos, acima dos de Lula e de Flávio. Ronaldo Caiado subiu para 1,90% (USD 5,12M), Jair Bolsonaro para 1,25% (USD 5,24M) e Michelle Bolsonaro, que não é pré-candidata declarada, para 1,15% (USD 9,25M). Fernando Haddad subiu para 0,65% (USD 6,35M) e Romeu Zema foi o único a recuar no pelotão, 0,20pp para 0,75% (USD 4,53M), devolvendo parte do salto de 24 de julho. Tarcísio de Freitas ficou em 0,15%, com o maior volume individual do book presidencial, anomalia de legado que mede história negociada e não convicção atual.

Nos sub-mercados, o rearranjo continuou. No 2º lugar do 1º turno, Flávio subiu 2,50pp, para 76,50% (USD 202 mil), e Renan subiu 0,60pp, para 12,00% (USD 1,07M). No 3º lugar, Renan cedeu 1,00pp, para 66,00% (USD 157 mil), com Caiado parado em 16,00% (USD 35 mil). No Senado por cadeiras, o PL subiu 2,00pp, para 70,50% (USD 258 mil), e o MDB subiu para 17,25% (USD 7 mil), num book que soma USD 290 mil contra os USD 115,87M do presidencial, de modo que variação em pontos percentuais ali não equivale a dinheiro grande. O mercado de impeachment de ministro do STF antes de 2027 ficou praticamente parado em 3,50% (USD 83 mil), e o registro que interessa é justamente a ausência de movimento num dia em que um presidente estrangeiro atacou nominalmente um ministro da Corte de um palanque brasileiro. No mercado de inflação de 2026, a faixa modal segue a de 5,00% a 5,49%, com 39,15%, seguida da faixa de 4,50% a 4,99%, com 26,25%, num book de USD 80 mil, centro de distribuição que permanece acima do teto da meta.

2. O que os institutos registraram

A Datafolha que estava registrada e não divulgada em 24 de julho saiu na noite daquela sexta, e o que ela mostra é estabilidade. No 1º turno, Lula aparece com 40% e Flávio Bolsonaro com 32%, seguidos de Ronaldo Caiado com 4%, Romeu Zema com 3%, Renan Santos com 3% e Augusto Cury com 2%. No returno direto, Lula tem 48% contra 43% de Flávio, e vence também Caiado por 47% a 40% e Zema por 48% a 40%. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 22 e 24 de julho, tem margem de 2pp e 95% de confiança, e está registrado no TSE sob o protocolo BR-01166/2026.

O detalhe que decide a leitura está na comparação com a rodada anterior do mesmo instituto, de 20 de junho. Lula sai de 41% para 40% no 1º turno e Flávio de 31% para 32%, enquanto no returno Lula sai de 47% para 48% e Flávio fica em 43%. Os dois recortes se moveram um ponto em direções opostas, os dois dentro da margem: o 1º turno estreitou e o returno abriu. Quando dois cortes da mesma pesquisa andam em sentidos contrários e ambos cabem na margem, a leitura correta é ruído amostral, não tendência. A rejeição confirma: Flávio é rejeitado por 48% e Lula por 46%, números idênticos aos de junho, sem um dígito de diferença. Na avaliação, Lula é aprovado por 49% e desaprovado por 48%, inversão de 1pp em relação aos 48% e 49% da rodada anterior, o que é empate técnico nas duas medições. A avaliação da gestão, que é pergunta diferente, segue negativa, com 38% de ruim ou péssima contra 32% de ótima ou boa. O Globo registrou que a aprovação ficou estável mesmo depois do novo tarifaço americano.

A Datafolha também arbitrou a distorção que este painel vinha acompanhando. Com Renan Santos medido em 3%, três das quatro nacionais mais recentes o põem nesse patamar, junto de Gerp de 22 de julho e Indexa de 21 de julho, e os 9% da Real Time de 21 de julho ficam isolados. O mercado respondeu no mesmo dia derrubando o preço dele em 1,40pp. Registre-se com precisão: a distorção estreitou, mas quem se moveu foi o preço, não a pesquisa. As rodadas Quaest divulgadas em 25 de julho são todas estaduais, incluindo São Paulo e Goiás, e por regra de escopo não entram no painel nacional.

📅 Calendário de pesquisas — próximos 7 dias

Pesquisas registradas no TSE com publicação prevista entre 26/Jul e 01/Ago. Inclusão na tabela não significa publicação confirmada, porque institutos podem atrasar ou cancelar divulgação. Filtro aplicado: amostra ≥ 1.000. Cada protocolo linkado à consulta pública TSE.

DataInstitutoAmostraEscopoProtocolo TSEConf.
26/JulJOTA Jornalismo 🔥6.000nacionalBR-09823/2026n/d
26/JulFalpe Pesquisas 🔥5.000estadualBR-01239/2026n/d
27/JulNexus Pesquisa2.000nacionalBR-01489/2026n/d
28/JulAtlasIntel 🔥5.000nacionalBR-08602/2026n/d
30/JulPoderData2.400nacionalBR-07845/2026n/d

Fonte: registro público TSE via API AFOS. 🔥 destaca amostras ≥ 3.000. A janela tem 28 registros com amostra ≥ 1.000; a tabela exibe as 4 de escopo nacional mais as demais com amostra ≥ 3.000, e as outras 23, todas estaduais com amostra entre 1.000 e 2.700, ficaram de fora por legibilidade e não por ausência de registro. Status "registrada ≠ publicada": confirmação de divulgação efetiva exige verificação de duas fontes primárias antes da citação de números.

3. O que a imprensa cobriu

O fato político de 25 de julho foi a convenção em que o PL oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, em São Paulo. O evento exibiu um vídeo de Jair Bolsonaro gerado por inteligência artificial, que abre com a própria imagem declarando ser uma simulação feita com IA; o ex-presidente cumpre pena em prisão domiciliar humanitária com restrição de comunicação. O Globo resumiu o quadro no título: sem vice, sem apoio do centrão e sem presença de Michelle, que participou apenas por mensagem em vídeo. Estiveram presentes o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes.

O presidente argentino Javier Milei discursou e disse que confia em Flávio para frear Lula, afirmando que "somente Flávio pode parar Lula" e atrelando o petista ao socialismo. No mesmo discurso, chamou o ministro Alexandre de Moraes de "lixo careca" por não ter autorizado sua visita a Jair Bolsonaro, decisão que é de 18 de julho. A chapa saiu da convenção sem vice definida, depois de a senadora Tereza Cristina recusar o convite.

O segundo eixo do dia é institucional e envolve interferência externa. O Itamaraty negou visto a dois funcionários do Departamento de Estado americano, o secretário-assistente Riley M. Barnes e o vice-secretário-assistente Samuel Samson, conforme apurou o Correio Braziliense com confirmação do próprio ministério e registrou O Globo. O pedido foi feito em 20 de julho e negado em 24 de julho, e a intenção declarada era avaliar a integridade do sistema eleitoral brasileiro antes do pleito de 4 de outubro, segundo reportagem originalmente publicada pelo Washington Post. O governo brasileiro associou o pedido ao encontro em que Flávio Bolsonaro tratou com representantes diplomáticos de suspeitas já negadas pelo TSE a respeito das urnas eletrônicas.

Na convenção do PT em Campinas, que oficializou Fernando Haddad ao governo de São Paulo com Márcio França como vice, Lula respondeu ao episódio afirmando que quem tentar interferir nas eleições brasileiras "vai apanhar muito", e lembrou que 157 milhões de eleitores decidem o resultado. Disputa estadual não entra no painel nacional deste produto, mas o discurso feito nesse palanque é o registro que interessa.

No caso Master, a Justiça do Rio determinou em 23 de julho o bloqueio de contas do Banco Master, da Trustee DTVM, da Axor Asset e de dois sócios, limitado a R$ 135 milhões, conforme decisão do juiz Wladimir Hungria noticiada pela Agência Brasil. A origem é um aporte de R$ 150 milhões do Rioprevidência num fundo quase inteiramente exposto a ações da Ambipar, que reduziu o saldo em quase R$ 15 milhões. É um eixo patrimonial, distinto do inquérito criminal autorizado por André Mendonça em 23 de julho sobre os repasses de Daniel Vorcaro. Nenhum dos dois teve contrapartida de preço identificável.

4. Divergências do dia

Mercado × pesquisa: a Datafolha mede 5 pontos entre Lula e Flávio no returno direto, 48% a 43%, distância que cabe dentro da soma das margens. O mercado precifica 39,65 pontos de diferença entre as probabilidades de vitória dos dois. São grandezas diferentes, intenção de voto contra probabilidade de vitória, e por isso não se subtraem uma da outra; mas a direção do que cada uma diz sobre o grau de definição da disputa é oposta, e as duas medições são da mesma semana (Polymarket).

Mercado × narrativa: o PL oficializou seu candidato com um chefe de Estado estrangeiro no palanque, cobertura nacional e vídeo do ex-presidente, e o preço de Flávio caiu 0,10pp no mesmo pregão, ficando a 0,85pp do piso da série. Esta síntese registra a coincidência e não afirma causa, porque a captura é das 15:51 e o gap já subia desde 20 de julho.

Preço × urna, em Renan: o mercado paga 10,35% num nome que três das quatro nacionais recentes medem em 3%. A distância diminuiu em 25 de julho, mas por movimento do preço e não da pesquisa, e segue sendo a maior do painel.

Escala: no Senado por cadeiras o PL subiu 2,00pp e o MDB 1,80pp, variações grandes em percentual. O book inteiro soma USD 290 mil, contra USD 115,87M do presidencial. Movimento percentual em mercado fino não é sinal de dinheiro grande, e esta síntese não o trata como tal.

Em síntese

  1. A urna voltou e mediu estabilidade: os dois recortes da Datafolha andaram um ponto em direções opostas, ambos dentro da margem, e a rejeição ficou idêntica à de junho nos dois nomes.
  2. O mercado foi ao ponto mais desigual da série disponível, com Lula em 62,50% e gap de +39,65pp, superando o pico de 3 de julho. A janela é de 99 dias desde 14 de abril, e está declarada de propósito porque a API pública mede 90 dias.
  3. O dia teve o maior evento de campanha do adversário e a resposta do preço foi contrária a ele. A causa não está estabelecida e esta síntese não a afirma.

Fontes consultadas

matérias com link direto para a notícia (veículos âncora):

matérias secundárias (URL Google News redirect — clique resolve à matéria):

Fontes técnicas: Polymarket (cotações ao vivo via proxy AFOS, fetched 25/Jul 15:51 BRT, confirmado por dupla leitura, reconferido às 16:30), registro TSE (pesquisas eleitorais oficiais).

Fontes citadas neste texto: Polymarket, TSE (registro público), Datafolha, G1, O Globo, Correio Braziliense, SBT News, Metrópoles, Jornal de Brasília, CNN Brasil, O Hoje, Poder360, Agência Brasil, Gazeta do Povo, Washington Post

Método: esta síntese é gerada automaticamente a partir dos dados auditáveis da plataforma AFOS Analytics, sob regras em código versionadas em git. Todas as alegações podem ser verificadas na plataforma ou nas fontes linkadas. Entenda a governança automatizada.

Integração: para ver os dados ao vivo e as análises dos candidatos em detalhe, acesse o dashboard completo. Para entender o método em profundidade, leia O Método.

Glossário: termos políticos brasileiros usados nas sínteses (TSE, STF, BolsoMaster, lideranças envelhecidas, etc.), definições nos 3 idiomas. Ver glossário completo

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